<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061</id><updated>2012-02-04T01:41:36.211-08:00</updated><title type='text'>duas palavras e meia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>65</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5099365599341466773</id><published>2011-01-23T15:47:00.000-08:00</published><updated>2011-01-23T15:51:21.325-08:00</updated><title type='text'>(Contra)tempos verbais.</title><content type='html'>Sinto que estou sempre recomeçando. Perdoando, esquecendo, superando e, enfim, seguindo em frente. Pensando em você, sentindo saudades de tudo aquilo que a gente não viveu. Querendo mais, querendo voltar, querendo tudo, querendo sempre. Vivendo na angústia de passar os dias sem você ao meu lado, corroendo a alma por saber que você está com outra pessoa. Relembrando nossa história, lamentando os erros, revendo os acertos. Lembrando seu cheiro, sentindo seu abraço distante, queimando com aquele olhar que só você sabia me dar. Desejando que o tempo parasse naquela noite. Assistindo tudo como a um filme na minha mente, fazendo tudo diferente, não te perdendo nunca. Logo, me vejo brigando comigo mesma. Repetindo que quem errou foi você, que eu estava constantemente me dando, me doando, me declarando com palavras calmas e silenciosas que você, ignorando os sinais dos tempos, não ouviu. Repugnando todas as suas mentiras, suas falsidades, seus sumiços, suas ausências. E me odiando por não te conseguir. Sonhando com você se arrependendo, me querendo, voltando. E nós dois deixando tudo pra trás, vivendo, amando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, sinto que estou constantemente recomeçando, em um fluxo de idéias e acontecimentos que nunca pára. Não lembro bem onde começou, mas sei que você nunca termina em mim. Estou sempre fazendo, esperando, me decepcionando, me alimentando de esperanças, te amando, te amando, te amando. &lt;br /&gt;Meu amor, com você, meus verbos são todos gerúndios. Porque eu, simplesmente, não sei te ter no pretérito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5099365599341466773?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/5099365599341466773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=5099365599341466773&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5099365599341466773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5099365599341466773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2011/01/contratempos-verbais.html' title='(Contra)tempos verbais.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-317648838896813461</id><published>2011-01-04T15:44:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T16:08:26.370-08:00</updated><title type='text'>Sobre quando a escolha alheia vira a sua escolha.</title><content type='html'>Existem autores que falam por você. Músicas que falam por você. Filmes que falam por você. No meu caso, Grey’s Anatomy fala por mim. Assistindo – talvez pela vigésima vez – os DVDs de uma das temporadas, revi o episódio no qual Meredith vira para Derek e diz: "Pick me. Choose me. Let me make you happy". Algo como "Fique comigo. Me escolha. Deixe que eu te faça feliz". Isso quando ele escolheu a outrazinha lá, a Addison, aquele idiota. O que importa é que fiquei pensando sobre essa frase. Sobre esse pedido desesperado para ser amada. Para ser escolhida. Para fazer valer a certeza de que ela, e só ela, seria capaz de fazer Derek feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me fez pensar em quando não somos escolhidos. O clichê "a vida é feita de escolhas" diz um pouco, mas não tudo. É certo que escolhemos o caminho que trilhamos, de alguma forma. Mas, e quando é a outra pessoa que escolhe, e isso influencia no nosso caminho, como lidar? Desenhemos o cenário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele te liga. Ele te manda mensagens carinhosas. Ele diz que você mexeu com ele. Ele te mostra que você mexeu com ele. Ele não se cansa de dizer que te adora, que você é a coisa mais fofa e incrível. Ele te beija, ele te dá carinho, ele te dá atenção. Ele se despenca pra te buscar em um dia chuvoso só para que você não pegue ônibus. Ele te conforta quando você está triste. Ele te beija, ele te dá carinho, ele te dá atenção. Ele sente ciúmes daquele seu ex. Ele conhece a sua mãe. Ele chama, na intimidade de vocês dois, sua mãe de sogra. Ele te mostra que está envolvido, que é ao seu lado que ele quer ficar. Ele te beija, ele te abraça, ele te dá atenção. E te beija mais um pouco, te abraça mais um pouco. E você se derrete todinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ele começa a namorar. Outra. Sim, outra que ele, também, ligava, mandava mensagens carinhosas, dizia que ela mexeu com ele. Outra que ele não cansava de dizer que era a coisa mais fofa e incrível, que ele beijava, dava carinho, dava atenção. Outra que ele também se despencava pra buscar em um dia chuvoso, só para que ela não pegasse ônibus. Outra que ele confortava. Outra que ele fazia, exatamente, as mesmas coisas que fazia com você. Mas você não sabia da existência dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguma maneira, por um cálculo errado do cosmos, ao invés de te escolher, ele escolheu ela. O que você faz? Ouve as amigas, que vão te mandar ficar calma, fingir que não está nem ligando, que está tudo bem, que ele não te importa tanto assim. Mas não está tudo bem, você sabe que não está. Ele te importa demais, você pegou todos aquele tijolinhos que ele te deu e montou um castelo pra vocês dois. Logo, você esquece os conselhos das amigas. Você briga, você discute, você diz que não é bem assim que a banda toca! Que ele mentiu, que ele te enganou, que ele te iludiu. Ele, por outro lado, vai negar até a morte. Vai dizer que foi sempre sincero, que nunca te prometeu nada, que não te devia satisfações, pois vocês não tinham nada sério. E vai finalizar dizendo que você é ótima, que gosta muito de você, que quer que vocês sejam amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, vocês não serão amigos. Pelo menos, não enquanto você ainda quiser socar a cara dele e arrancar os cabelos daquela pirigueti aleatória que tinha que entrar no caminho de vocês dois. Mas quando você chegar em casa, deitar a cabeça no travesseiro, não vai se furtar em ter aquela incômoda e impertinente questão rondando a sua mente: por que não eu? Por que ele escolheu ela? O que eu fiz de errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer a resposta? Nada. Você não fez nada de errado. Você não é louca, não idealizou um romance do nada. Contrata um advogado, filha! Você tem cinco mil mensagens no celular pra provar que você não é maluca. Ele que quer o melhor dos dois mundos. Quer a aproximação contigo e quer ficar com ela, porque na hora que der errado com ele, você estará ali. No entanto, a grande questão é: ele fez uma escolha. Ele não escolheu você. Lide com isso, enfrente como uma mulher de verdade. Ainda que ele te chame de louca, diga o que você pensa. Depois, sozinha, agarre o travesseiro e chore bastante. Coloque Alcione no I-Pod, ela te ajuda e te entende. Nada como sofrer com Alcione. No dia seguinte, coloque uma roupa que realce a sua bunda, dê um trato no cabelo e na maquiagem, e siga em frente. Vá a luta. Ele não te escolheu, paciência. Não adianta você ficar se perguntando o motivo disso. É simples assim: não foi você. Foi ela. E relaxe, um dia, será você. Não com ele, mas com outro. Um outro melhor. Um outro que vai, sim, escolher você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por mais que seja chato e injusto, por mais que você se sinta indignada por ter que fazer escolhas que não te competiam, por ter que caminhar sem ele, pois a escolha dele influenciou diretamente a sua, não tente se vingar. Isso só irá te consumir e, provavelmente, não surtirá nenhum efeito. &lt;br /&gt;Quer saber a melhor vingança? Seja feliz. A qualquer custo, sem precisar esfregar na cara dele a sua felicidade. Ele saberá que você está bem, de uma forma ou de outra. Ande bom um bofe bem gato e que se importa com você na frente dele. Seja bem sucedida, bem resolvida. Se for preciso, escreva uma crônica como essa. É uma baita de uma terapia. E siga em frente. Você não quer, realmente, investir em uma pessoa que tem dúvidas se deve ou não te escolher. É melhor assim. Eu prometo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-317648838896813461?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/317648838896813461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=317648838896813461&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/317648838896813461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/317648838896813461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2011/01/sobre-quando-escolha-alheia-vira-sua.html' title='Sobre quando a escolha alheia vira a sua escolha.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-9122644018379278548</id><published>2010-08-04T14:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T14:50:56.002-07:00</updated><title type='text'>Dói mais não saber, sabia?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TFnghyOUiNI/AAAAAAAAASM/t4G-ocRZ-Ys/s1600/bola_elasticos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 225px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TFnghyOUiNI/AAAAAAAAASM/t4G-ocRZ-Ys/s320/bola_elasticos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5501675290831915218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Recorramos a metáforas: Temos um elástico. Daqueles que prendem papel. Agora pegamos o elástico com as duas mãos, e começamos a alongá-lo, devagar. Passamos, então, a puxar um pouco mais. E mais. Olhamos com desconfiança, afinal, uma hora aquilo vai ter que parar. Vai ter que chegar ao máximo possível. Esticamos o elástico até seu limite físico. Não dá mais. Então, soltamos o elástico de uma das mãos. Ele, rapidamente, se encolhe e estala na outra mão, que continuava a segurá-lo. Dói. Arde. E pensamos: que idéia idiota! Será que não poderíamos adivinhar que ia doer assim? Pra que brincar dessa forma com esse elástico? É lógico que ia dar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imaginemos esse elástico dentro de nós. Nossas emoções, por assim dizer. E esticamos nossas emoções ao máximo. Podemos até pensar, enquanto o fazemos, que isso não pode acabar bem. Uma hora esse elástico vai estourar, ou vai voltar com tudo pra cima de nós. Mas continuamos a esticar nossas emoções o máximo possível, enquanto pudermos. Porém, há algum tipo de equilíbrio perfeito no universo, e uma hora nossas emoções, por mais elásticas que sejam, vão estourar. E vai doer, vai arder por dentro, e vamos nos perguntar por que alongamos tanto aquele sentimento, por que fomos até o nosso limite. Enquanto dói, é difícil uma resposta aceitável. É quase irritante o argumento de que aprendemos com a dor. Quem quer aprendizado, quando o coração está sangrando? Por que temos que passar por tanta coisa? Que aprendizado é esse que nos levaria, supostamente, a algum tipo de conhecimento superior? Afinal, precisamos mesmo não ouvir de volta a declaração de amor feita do fundo do coração para saber que o outro não nos ama? Será que não podemos perceber isso com alguns gestos, e precisamos chegar a situações quase humilhantes para aprendermos? Será que precisamos ver o ser amado acompanhado por outrem, trocando carinhos e promessas, para entendermos que não somos desejados? Precisamos sofrer nas mãos de alguém para descobrirmos que algumas pessoas, simplesmente, não se importam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntas, perguntas... Tantas indagações carentes de respostas, mas que se resumem, todas, a um único intuito: ao sabê-las, afastaríamos a dor. Evitaríamos a ardência, a mágoa, a desventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor, porém, é necessária. Ela é humana, faz parte de nossa constituição tanto quanto água ou carbono. A dor é um alerta que nos avisa que há algo errado, pois o normal é não doer. Logo, se o amor dói, ele está errado. Amor não é pra doer. A dor é, também, um indício de que sentimos alguma coisa. Não estamos – ainda – anestesiados, inertes, imóveis diante de tanto sofrimento, de tantos corações partidos que encontramos por aí. Será que, para reconhecermos o amor que não dói, precisamos, necessariamente, passar por aquele que machuca? Será preciso a total entrega, a abnegada doação, a generosa oferta de nós mesmos a um nada sem valor para, só depois, só quando a tristeza e a raiva arderem dentro de nós, descobrirmos que é preciso mais maturidade, seleção, paciência? Será preciso esticar o elástico ao máximo para saber que ele vai nos ferir quando chegar ao seu limite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o elástico nos machuca, depois que dói, descobrimos que, em algum momento, vai parar de doer. A ferida vai cicatrizar, o sofrimento vai ter um fim. Talvez fique uma cicatriz, mas esta, também, vai deixar de doer. E não viveremos com a impressão de jamais saber como seria esticar aquele elástico, fazer aquela declaração. Não conviveremos com a dúvida da retribuição do carinho, sem saber o que acontece quando distendemos nossos sentimentos até seus limites físicos e extra-corpóreos. Não há nada de errado em doer. O errado é a persistência da dor. E ela só vai persistir se a alimentarmos, se não cuidarmos dela. Assim aprendemos, também, a fazer a dor passar. Porque dói menos tentar fazer parar de doer. Dói mais, muito mais, não saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-9122644018379278548?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/9122644018379278548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=9122644018379278548&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/9122644018379278548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/9122644018379278548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/08/doi-mais-nao-saber-sabia.html' title='Dói mais não saber, sabia?'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TFnghyOUiNI/AAAAAAAAASM/t4G-ocRZ-Ys/s72-c/bola_elasticos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7846745734790521913</id><published>2010-08-01T19:27:00.001-07:00</published><updated>2010-08-01T19:27:58.949-07:00</updated><title type='text'>Sem rótulos.</title><content type='html'>Antes dos dezoito anos todos cobiçam alcançar essa idade, com a doce ilusão de toda liberdade conquistada com a maioridade. Depois dos quarenta, o discurso mais ouvido é sobre a saudade que a juventude deixou. Com os poetas românticos altamente saudosistas, descobrimos uma tendência do ser humano de olhar para o passado como se fosse melhor do que o presente e depositar no futuro todas as esperanças para uma vida melhor. Poucos percebem, porém, que ao desvalorizar o momento presente em detrimento de uma idolatria ou  idealização de outra época qualquer se está, na verdade, perdendo tempo produtivo de vida. Cabe analisarmos os fatores, principalmente externos, responsáveis por tal fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, é importante perceber a evidente contradição existente na atualidade. Vive-se em uma sociedade extremamente hedonista que preza o prazer imediato a qualquer custo, vide o envolvimento de jovens com drogas, por exemplo, o que prova que há uma sede por aproveitar o momento. Porém, esse valor árcade do Carpe Diem vai de encontro com uma violência cada vez maior nas grandes cidades, o que serve de argumento para aqueles mais velhos, que costumam lembrar como nas suas juventudes tudo era mais fácil e mais seguro, logo, aproveitavam mais. Aliado a isso, as grandes revoluções tecnológicas  e na medicina diariamente prometem e cumprem verdadeiros milagres, criando uma grande expectativa de um futuro melhor. Percebe-se, assim, que as pessoas nunca estão satisfeitas com o momento presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, cabe concedermos à mídia seu papel em tal problemática. Percebemos que os meios de comunicação em massa costumam dar um valor exacerbado à juventude, glorificando esta como a melhor fase da vida. Vende-se a idéia de que, quando jovem, somos mais capazes, saudáveis, bonitos e podemos revolucionar o mundo. Conseqüentemente, as pessoas acabam pensando que essa é a melhor fase da vida, e dão uma ênfase somente à juventude, como se a infância fosse apenas uma fase antecedente que deve logo terminar, e a velhice, a decadência da vida. Poucos percebem que cada etapa possui sua importância e beleza individuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode esquecer, ainda, que vivemos em uma sociedade capitalista, que confere à posses e status a maior importância possível. Em busca sempre da maximização dos lucros, há uma necessidade enraizada nessa mesma de inferir rótulos a tudo. A partir disso, temos o que é pior ou melhor, mais bonito e mais feio, mais válido ou menos válido, e isso vai desde objetos e posses materiais até o que é mais subjetivo e por vezes etéreo, como caráter, dignidade e, logicamente, fases da vida. Assim, passamos mais tempo tentando definir a melhor delas, enumerando as qualidades e defeitos de cada uma, do que de fato tentando aproveitá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, nada mais justo afirmar que a humanidade, especialmente no contexto vigente, está deixando a vida escorrer em suas mãos sem perceber. O ser humano tende a não refletir sobre o seu presente, valorizando o passado e idealizando o futuro. Porém, seria ignorante e ineficaz comparar a inocência de Narizinho, o crescimento de Capitu e o conhecimento de dona Benta. Melhor do que isso é viver o agora, para que, ao olhar o passado não haja remorso ou vontade de retorno, e sim a saudade de uma fase boa. De todas elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7846745734790521913?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/7846745734790521913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=7846745734790521913&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7846745734790521913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7846745734790521913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/08/sem-rotulos.html' title='Sem rótulos.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-2403513967455893008</id><published>2010-07-28T07:32:00.001-07:00</published><updated>2010-07-28T07:32:53.720-07:00</updated><title type='text'>Mutualismo</title><content type='html'>São várias as opiniões sobre o papel que devem exercer, assim como são comuns as críticas aos abusos que muitos cometem quando o assunto é meios de comunicação. Há séculos, livros ainda era escritos à mão e, por isso, muito raros e desejados. Passando pela grande invenção de Gutenberg, a imprensa, até os dias atuais, o culto à informação só tem crescido. É tamanha a ânsia por ver e saber que muitas pessoas perdem a noção do que é realmente necessário, deixando-se levar por interesses maiores daqueles que vivem para informar, ou em alguns momentos transformar, mentes vulneráveis. Excessos devem ser controlados, sem nunca comprometer a liberdade de informação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A maior parte dos meios de comunicação em massa é controlada por empresas privadas. É, por esse motivo, vinculado somente o que atende os interesses individuais de seus proprietários. Tais empresários visam o lucro, e por isso não hesitam em exibir cenas fortes e violentas em horários que crianças estão acordadas, ou apelar para qualquer assunto que atraia espectadores. Assim, o Estado deveria criar um órgão eficiente que acompanhasse todos os passos da imprensa brasileira. Para evitar que seja o retorno da DIP e com isso a instituição da censura, pode-se, então, apoiar organizações não governamentais, como o Observatório da Imprensa, que já realiza esse trabalho para o bem da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, por sua vez, também possui o seu papel no combate ao abuso dos meios. Pesquisas afirmam que temas como sexo e violência atraem a atenção do público, tanto que já há até uma banalização desses assuntos. As pessoas já acham normal ver estampado nos jornais o número de mortos na última guerra do tráfico, ou que um programa de TV tenha como fundamento invadir a privacidade de um grupo de pessoas e filmar suas vidas ininterruptamente, transformando o voyerismo e o crime em assuntos comuns e rotineiros. Cabe a todo cidadão discernir entre o que acrescenta e o que é meramente apelativo.Se cada um não der mais credibilidade aos assuntos inadequados e inúteis, certamente estes deixarão de ser vinculados, já que não mais serão lucrativos. A liberdade estará garantida, bem como o patrimônio moral de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As universidades também possuem um papel vital nessa preservação. Elas devem instruir melhor os alunos de carreiras como jornalismo e publicidade sobre o verdadeiro papel de um profissional da imprensa. É certo que o mesmo deve retratar a realidade, e esta é muitas vezes de violência, corrupção e escândalos. Entretanto, com a educação correta ele possuirá consciência de como os assuntos devem ser passados, sem recorrer á banalização ou à sede pelo capital. O homem é facilmente corrompido pelo dinheiro, sendo de fato difícil negar quando as condições para o enriquecimento, ascensão profissional e até a fama são favoráveis, mesmo colocando em xeque a ética. Todavia, é muito mais provável o bom senso e a moral prevalecerem com a instrução correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, pode-se perceber que, assim como na Biologia, em que o mutualismo é a relação harmônica em que um necessita do outro para sobreviver, é necessária uma mobilização de todas as partes para o combate ao abuso dos meios de comunicação. Isso, é claro, preservando sempre a liberdade de expressão. Além disso, é indiscutível que se faz coerente uma reciclagem em todos os setores da comunicação voltada para as massas, para que se possa alcançar não só a preservação, mas a valorização dos princípios fundamentais da ética. Gutenberg, e toda a humanidade, agradecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-2403513967455893008?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/2403513967455893008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=2403513967455893008&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2403513967455893008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2403513967455893008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/mutualismo.html' title='Mutualismo'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4005340046617875585</id><published>2010-07-27T17:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T17:48:09.642-07:00</updated><title type='text'>O tempo é nada.</title><content type='html'>Dizem que o tempo cura tudo. Falácia dos tempos, doce ilusão dos corações esperançosos por uma rendição, ingênua certeza no poder dos dias. O tempo não cura nada, ele somente mascara um sentimento que se cansa sozinho de existir. Os dias passam, os meses passam, até os anos passam, e novas preocupações e problemas surgem pelo caminho, tomando lugar de outros, já velhos conhecidos. É como uma ferida. Com o tempo, nos acostumamos e ela para de doer momentaneamente. Por vezes até mesmo esquecemos de que ela estava ali. Mas se batemos aquele local ferido em algum lugar, se derramamos sem querer algo nele, ele volta a doer. E aquela dor vem com tudo, nos lembrando de como ela era antes. Assim como o tempo não cura, são também falaciosas aquelas teorias populares que afirmam que, para curar uma paixão, só mesmo outra paixão. Ou que um novo corte de cabelo é capaz de superar desilusões, como se elas fossem embora junto com as madeixas. Ou até mesmo que um bom porre ou uma enorme panela de brigadeiro podem curar dor de cotovelo. Elas nada fazem além de engordar. Se um dia você se machucou, ou se alguém te machucou, pode estar certo de que você pode até superar este confronto, amenizar essa situação quando outras tantas mágoas aparecerem, e viver bem – com sorte, muito bem – com isso. Mas curar-se totalmente, não dá. Como um vírus da gripe que nunca deixa de sair do seu organismo, e em qualquer recaída da sua saúde ele ataca novamente. Não é uma questão de perdão, mas de boa memória. Viva com as suas mágoas e suas dores, tente encará-las como cicatrizes ou até mesmo belas tatuagens que preenchem o seu corpo e contam a sua história, afinal elas são, também, parte da sua vida, e te fazem quem você é. Acima de tudo, faça o seu melhor para não machucar ninguém, pois como você, aquela pessoa também terá que conviver com isso para sempre. Porém, não se iluda, não se engane e não se prenda à esperança de que o tempo vai, por si só, fazer desaparecer tudo aquilo que te corrói hoje. Mas não se desespere! Não se prenda em uma bolha, não desista de interagir com pessoas, não tenha medo de paixões e loucuras. A dor é física e pode ser boa. Ela é evidência, enfim, de que ainda sentimos alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4005340046617875585?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/4005340046617875585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=4005340046617875585&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4005340046617875585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4005340046617875585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/o-tempo-e-nada.html' title='O tempo é nada.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5135175467602608902</id><published>2010-07-27T09:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T09:23:53.173-07:00</updated><title type='text'>Foco (?)</title><content type='html'>É errado policiais liberarem os atropeladores do Rafael Mascarenhas sem levá-los para a delegacia? Sim. É errado policiais cobrarem propina para liberá-los? Sim. Esses policiais devem ser punidos? Sim.&lt;br /&gt;Estas respostas são óbvias, não há discussão sobre isso. Porém, mais errado do que tudo isso está o foco que vem sendo dado ao atropelamento. Policiais corruptos tem que ser punidos administrativamente, e isso já está sendo investigado. Se cobraram mil ou dez mil, não importa. Não tem que cobrar nem um real. Até aí tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que surpreende é quase ninguem falar sobre o atropelador do jovem skatista. Tão errado quanto cobrar propina é pagá-la. Parece que a mídia perdeu o foco da questão, e está discutindo assuntos que não são o principal: o outro Rafael é um jovem irresponsável, com histórico de infrações no trânsito, que estava realizando uma prática proibida em um lugar proibido, e matou alguem. E não prestou socorro. E fugiu. E pagou propina pra se livrar. E levou o carro na oficina naquela mesma noite, pedindo "urgência" no conserto. E só voltou atrás quando descobriu que sua vítima era filho de famosa, então, provavelmente, não ia ficar por isso mesmo. Ninguem fala sobre ele? Sobre como ele vai pagar pelo que fez? Que pena ele vai cumprir? Se Rafael Mascarenhas não tinha que estar andando de skate com seus amigos em um túnel fechado para a manutenção é uma outra história. Também não é o foco da discussão. Pelo menos, não deveria ser. Mas, ao que tudo indica, tem muita gente fugindo do assunto principal, porque ele é bem mais difícil e doloroso de se discutir. A vítima é a vítima, e ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu foi homicídio. E as pessoas estão discutindo o valor pago na propina, quem cobrou, quem ofereceu. O foco principal se perdeu. Em ano de eleição, isso deve significar alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5135175467602608902?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/5135175467602608902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=5135175467602608902&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5135175467602608902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5135175467602608902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/foco.html' title='Foco (?)'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7793198041024256081</id><published>2010-07-19T07:10:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T09:30:18.002-07:00</updated><title type='text'>Quase-Manifesto.</title><content type='html'>Há muitos anos as mulheres lutam pelos seus direitos, e vêm conseguindo inegáveis avanços. Para que, hoje, possamos votar, trabalhar e usar calças jeans, muito sutiã teve que ser queimado em praça pública. Hoje, no auge de nossas independências, somos diretoras de grandes empresas multinacionais, engenheiras renomadas, grandes cirurgiãs, artistas, e ainda somos mães, esposas e, é claro, estamos sempre belas, depiladas e com os cabelos hidratados. Somos as donas das nossas próprias quitandas, pagamos nossas contas de luz e do salão de beleza. Não temos que dar satisfações a ninguem, somos inteligentes, cultas, e ainda sabemos escolher a cor do esmalte. Sim, somos as tais. Somos o que há de contemporâneo, de avançado, super heroínas do dia a dia que se desdobram em mil para atender às nossas próprias exîgências, e as da sociedade. Ninguem quer, afinal, menosprezar tanta luta, tanto sacrifício, tanto tempo querendo provar que podemos ser o que bem entendermos. Sou mulher. Se quiser sair, eu saio; coloco um salto alto, um decotão e vou pra balada, ninguem pode comigo. Se quiser ficar em casa, de moletom assistindo TV com meu cachorro, eu fico tambem, ninguem tem nada com isso. Posso, inclusive, me dar o luxo de comer uma caixa inteira de trufas de chocolate assistindo um filme, porque depois quem vai pagar a conta do spa sou eu. E isso &lt;em&gt;SE&lt;/em&gt; eu quiser ir pro spa, porque se eu bem entender que quero uma bunda cheia de celulite, parecendo mais um queijo suíço, também é problema meu. Não preciso de nenhum homem pra me dizer como devo ou não devo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim. Os homens. Eles existem, ainda, em nossas vidas. Mas hoje temos uma relação diferente com eles. Eles não são mais nossos donos, senhores de nosso destino. Alguns são nossos brinquedinhos, nossos play grounds. Sexo casual, &lt;em&gt;one night stand&lt;/em&gt;, e daí? O problema é meu, muita mulher lá atrás teve que provar sua sexualidade para que, hoje, eu possa fazer da minha o que eu bem entender. Aliás, se eu quiser perpetuar a minha espécie e fazer uma miniatura de mim mesma, nem preciso me relacionar com um homem. Posso ir a um banco de esperma, pagar uma quantia que, sim, é cara, mas o dinheiro é meu, e pronto. Em nove meses, serei mais uma adepta da maternidade, sem precisar passar por toda aquela chatice encontros e relacionamentos. Somos tão donas de nossos narizes bem cuidados com seções de limpeza de pele mensais que podemos, inclusive, optar pelo caminho contrário. Se quisermos ser donas de casa que cozinham para seus maridinhos, mães superprotetoras que correm do supermercado para o colégio dos filhos para o balé da filha para o futebol do filho para o inglês das crianças e...ufa! Ainda tem que ir no banco pagar as contas. E controlar as despesas de casa. E garantir a harmonia do lar. E ter certeza de que os filhos estão sendo bem educados e o marido está feliz. Não é mole não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos as rainhas da cocada preta. E sabe o que é triste? Na grande maioria das vezes, isso é somente aos nossos olhos. Valorizamos cada conquista, cada meio centímetro percorrido a caminho da independência porque ela é nossa. Mas para os homens, para muitos deles, ainda somos, somente, mulheres. Seres difíceis de se entender. Ferozes quando estão na TPM, essa época do mês que eles, simplesmente, não entendem o caos interno que os hormônios enlouquecidos provocam. Se optamos por cuidar da casa, somos submissas e temos que responder a eles. Se colocamos a carreira em primeiro lugar, somos frígidas sem coração. Eles podem priorizar a carreira. É coisa de macho ganhar dinheiro. Nós não. Se damos no primeiro encontro, somos fáceis demais, indignas de uma ligação no dia seguinte. Se nos resguardamos, estamos nos fazendo de difíceis. Sexo é coisa de macho. Mulher não goza. Se queremos curtir a vida sem compromissos, somos vadias sem noção que só pensam em baladas. Se queremos namorar, somos neuróticas que só pensam em casamento. Temos que lembrar de tomar a pílula anticoncepcional todos os dias, religiosamente no mesmo horário. Afinal, se ficarmos grávidas numa relação casual, a culpa é nossa, que não nos cuidamos, que queremos dar o golpe da barriga. Somos aquelas que geram a vida, que dão à luz, que fazem crescer um outro ser. Mas isso não é mágico, não é bonito. Isso é obrigação. Mulher que não é mãe não é uma mulher completa. Ainda apanhamos, é verdade. Literalmente ou não. Muitas de nós morrem todos os dias, fruto da violência doméstica, da mão pesada daquele parceiro que escolhemos para amar. Morremos tambem de pouquinho em pouquinho com agressões verbais, descasos, desinteresses. Não é mole, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem por nós? Nós mesmas. Quem contra nós? Todo resto. Feminismo já é chato, vitimização mais ainda. Sutiãs não precisam mais ser queimados. A sexualidade não precisa mais ser conquistada. Os direitos a trabalhar e a votar, tambem não. Isso tudo já foi alcançado. Acima de tudo, conquistamos o livre-arbítrio. Escolhemos nossas escolhas. Pelo que lutar agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutemos pela dignidade reconquistada. Pela coragem de nos queixarmos dos maus tratos. Pelo fim do massacre do que nos resta de mais precioso: nosso feminino, nosso lado fêmea que quer gritar, que quer justiça para aquelas de nós que perdem a vida em represas, em sítios, em qualquer esquina desse país. Quanto tempo mais ficaremos esperando? Não proponho feminismo. Não proponho nenhum tipo de superioridade. Proponho denúncia, atenção e ajuda mútua. Igualdade. Gênero é muito mais do que sexo. É atitude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7793198041024256081?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/7793198041024256081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=7793198041024256081&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7793198041024256081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7793198041024256081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/ha-muitos-anos-as-mulheres-lutam-pelos.html' title='Quase-Manifesto.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7850683381559026720</id><published>2010-07-09T14:21:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T14:27:39.650-07:00</updated><title type='text'>Vamos falar de amor?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDeURONDzSI/AAAAAAAAAR4/TwqHxxFsIMI/s1600/vinicius+d+moraes.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDeURONDzSI/AAAAAAAAAR4/TwqHxxFsIMI/s320/vinicius+d+moraes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492021294193167650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje completam 30 anos que ficamos sem Vinicius de Moraes. Sem suas letras, sem sua delicadeza. Em tempos de guerras, de psicopatas, de tanta feiura como a que vivemos, as palavras de Vinícius são como uma respiração aliviada de quem há tanto sentia-se sufocado. Precisamos disso, como do próprio ar. Permitam-se breves momentos de beleza, caros leitores, e fujam um pouco de toda a loucura do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara&lt;br /&gt;Que você volte depressa&lt;br /&gt;Que você não se despeça&lt;br /&gt;Nunca mais do meu carinho&lt;br /&gt;E chore, se arrependa&lt;br /&gt;E pense muito&lt;br /&gt;Que é melhor se sofrer junto&lt;br /&gt;Que viver feliz sozinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara &lt;br /&gt;Que a tristeza te convença&lt;br /&gt;Que a saudade não compensa&lt;br /&gt;E que a ausência não dá paz&lt;br /&gt;E o verdadeiro amor de quem se ama&lt;br /&gt;Tece a mesma antiga trama&lt;br /&gt;Que não se desfaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a coisa mais divina&lt;br /&gt;Que há no mundo&lt;br /&gt;É viver cada segundo&lt;br /&gt;Como nunca mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7850683381559026720?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/7850683381559026720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=7850683381559026720&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7850683381559026720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7850683381559026720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/vamos-falar-de-amor.html' title='Vamos falar de amor?'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDeURONDzSI/AAAAAAAAAR4/TwqHxxFsIMI/s72-c/vinicius+d+moraes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5981740063711817301</id><published>2010-07-09T08:44:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T09:00:45.778-07:00</updated><title type='text'>A polêmica da palavra.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDdEIu-0B1I/AAAAAAAAARM/_S6erwENedI/s1600/bruno+assassino.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDdEIu-0B1I/AAAAAAAAARM/_S6erwENedI/s320/bruno+assassino.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491933187442739026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra tem poder. Esse clichê todos conhecem, e poucos discordam. O povo não perde tempo, e inebriado pelo frenesi da queda de mais um gigante, o mesmo que o próprio povo colocou num altar, chamou de melhor do Brasil. O mesmo que antes chamavam de "campeão", agora chamam de "assassino". Eu chamaria de "burro", mas tudo bem. E o povo, não acostumado a barbáries mesmo quando essas são estampadas quase diariamente nos jornais, se manifesta. É este o único assunto em mesas de bares, filas de supermercado, na televisão, no twitter. E, aparentemente, no muro da casa onde a carnificina foi executada, lá nas Gerais. Ainda que com erro de português, eles têm o que dizer. &lt;em&gt;Vox Populi, Vox Dei&lt;/em&gt;. Ao que tudo indica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre palavras: e a Lindsey Lohan que deu uma declaração dizendo que o "Fuck You" em suas unhas nada mais era do que montagem computadorizada de algum fotógrafo mal intencionado. E eu que até tinha achado ela ousada...Que decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps: voltei com os "Comentários" aqui no blog. Que eu não me arrependa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5981740063711817301?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/5981740063711817301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=5981740063711817301&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5981740063711817301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5981740063711817301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/polemica-da-palavra.html' title='A polêmica da palavra.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDdEIu-0B1I/AAAAAAAAARM/_S6erwENedI/s72-c/bruno+assassino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8186670660002423592</id><published>2010-07-08T03:57:00.000-07:00</published><updated>2010-07-08T04:26:21.838-07:00</updated><title type='text'>Limites.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDW1I87GyxI/AAAAAAAAARE/KJGWjXacxSc/s1600/lindsey+fuck+you.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDW1I87GyxI/AAAAAAAAARE/KJGWjXacxSc/s320/lindsey+fuck+you.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491494486045805330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou comentar sobre o caso Eliza Samudio aqui. Por motivos vários: a imprensa em geral já está amplamente noticiando o caso, não precisa ser este mais um meio de informação. Mas principalmente porque a meia dúzia de pessoas que lêem esse blog já perceberam que, aqui, todo e qualquer assunto engrena pro lado do humor. E sobre certas tragédias não se pode fazer humor. Nem o melhor dos humoristas conseguiria nesse caso. Arquitetar para matar uma pessoa, seja ela quem for (é um pouco pior quando se tem um filho com esta pessoa, mas vá lá.), mandar matar, esquartejar, desossar, dar a carne para cachorros comerem...É de uma crueldade tamanha que, simplesmente, não há muito mais o que dizer. Palavras faltam, pois mais uma vez o limite da maldade humana foi ultrapassado. Durante um tempo, achamos que ninguem poderia ser mais cruel que Suzane von Richtoffen. Daí veio o casal Nardoni, e nos desmentiu. Quebramos a cara mais uma vez. Há limites para a piada. O caso de Eliza Samúdio não tem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como a bruxa está solta no mundo das celebridades, graça tem o caso Lindsey Lohan. A garotinha de &lt;em&gt;Garotas Malvadas&lt;/em&gt;, que ficou muito mais famosa por causa dos seus problemas com a lei, finalmente foi presa. Depois de ser detida por dirigir alcoolizada, perder a carteira de motorista, ser obrigada a andar com uma tornozeleira rastreada pela polícia e, finalmente, ser proibida de ingerir qualquer gota de alcool, ela não conseguiu. Mas não condenemos a pobre coitada, ela tinha compromissos. Quem aqui nunca teve que faltar um julgamento para curtir o Festival de Cannes que atire a primeira pedra! O que ela poderia fazer, se algumas festas são regadas a alcool e drogas? E daí que ela tirou uma foto ao lado de uma carreira de cocaína? Esse pessoal não entende nada mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mrs Lohan violou a condicional, e desta vez não teve segunda chance. Mas não se fez de rogada, e apareceu por lá com a inscrição "Fuck You" em uma das unhas. Vai virar tendência na moda, isso é fato. E é triste. No mundo em que vivemos, ou tiramos sarro de tragédias, ou ficamos obcecados com barbaridades, ou devoramos histórias de assassinos modernos que arquitetam crimes muito além da nossa compreensão ou da criatividade de qualquer novelista, ou seguimos o exemplo de celebridades que são famosas simplesmente por serem famosas, e não porque têm, efetivamente, algo a oferecer. Consumimos essas informações sem o menor filtro moral. Mais do que nos informarmos, temos sede de desgraça. Na vida dos outros, é claro. A culpa é nossa, que não damos limites ao que consumimos e ao que valorizamos. A culpa é nossa, por não termos limites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8186670660002423592?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8186670660002423592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8186670660002423592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/limites.html' title='Limites.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDW1I87GyxI/AAAAAAAAARE/KJGWjXacxSc/s72-c/lindsey+fuck+you.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5864404210633200999</id><published>2010-07-04T17:15:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T17:26:07.347-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEkT-xfzvI/AAAAAAAAAQ0/2bj7tHJTG4I/s1600/faustao.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEkT-xfzvI/AAAAAAAAAQ0/2bj7tHJTG4I/s200/faustao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490209346428063474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu programa de hoje, Faustão criticou o presidente da CBF, por colocar uma pessoa "totalmente sem experiência" no comando da Seleção Brasileira de Futebol. Até aí tudo bem. Se Dunga nunca nem mesmo treinou a seleção junior do bairro dele, segurar a seleção é pesado. É aquele cara que aprendeu a nadar ontem e, hoje, já achou tinha cacife pra enfrentar o mar. Mas o ponto alto da crítica foi quando Faustão chamou Dunga de arrogante, dizendo que esta é a arma dos incompetentes e inseguros. Mais um acerto pro dono das tardes de domingo que, dado seu figurino, pode-se dizer que ele é, seguramente, o rei da confiança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5864404210633200999?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5864404210633200999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5864404210633200999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/no-seu-programa-de-hoje-faustao.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEkT-xfzvI/AAAAAAAAAQ0/2bj7tHJTG4I/s72-c/faustao.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3476063132453997413</id><published>2010-07-04T15:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T16:54:18.966-07:00</updated><title type='text'>O bom filho à casa torna.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEJMAePheI/AAAAAAAAAQs/tmpT9iYdU40/s1600/whatever_works.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 147px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEJMAePheI/AAAAAAAAAQs/tmpT9iYdU40/s200/whatever_works.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490179522631271906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Woody Allen é daqueles cineastas que foram picados pelo bichinho que, pessoalmente, gosto de chamar de "stick to it". No caso de Allen, o bichinho é a cidade de Nova York. Desde o início de sua carreira, ambientou seus dilemas, conflitos sociais, surtos hipocondríacos e descrenças na cidade que nunca dorme, camuflados em personagens que não são muito mais do que o próprio cineasta, e a vida que ele gostaria de ter. Não que Nova York não seja suficientemente inspiradora. Aliás, é um dos poucos cenários no mundo que não cansam. Entretanto, o mais do mesmo cansa. Ainda que esse "mesmo" seja genial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidido a tirar férias da sua América, Woody Allen foi pra Europa e revitalizou sua carreira. Fez dois filmes excelentes, dos melhores de sua vasta carreira. &lt;em&gt;Match Point&lt;/em&gt;, em Londres, e &lt;em&gt;Vicky Cristina Barcelona&lt;/em&gt;, na cidade-título, este último absolutamente fantástico, impecável, e que rendeu o Oscar à estupenda Penelope Cruz. Mas Allen sentiu saudades de casa, da selva de concreto onde os sonhos são feitos, e com "Tudo Pode Dar Certo" (Whatever Works, de Woody Allen, EUA 2009), voltou às suas origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forte dos filmes de Woody sempre foram os diálogos, e neste caso não é diferente. Ele continua cáustico, hipocondríaco, sarcástico, pouco gentil, descrente, despretencioso e metido a inteligente, sendo que desta vez teve a relevante sacada de não se colocar como personagem principal. É bastante óbvio que o protagonista, Boris, é a personificação do cineasta na tela, mas ao que tudo indica, ele percebeu que não é um bom ator muito além dele mesmo, e escalou o célebre Larry David para viver o Woody da vez. Como sua direção continua não sendo das mais criativas, ele compensa no trato com os atores, que novamente parecem naturais e deliciosamente problemáticos, com uma boa performance especialmente de Evan Rachel Wood. Ela mesma, a menininha de "Aos Treze". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a direção de atores e os inteligentes e ágeis diálogos já são marcas registradas de Woody Allen, em &lt;em&gt;Whatever Works &lt;/em&gt;ele resolveu inovar em sua própria estética e usar o recurso da "quebra da quarta parede", no jargão audiovisual, quando o ator fala com a câmera. Larry David "dialoga" com os espectadores, até mesmo quando os amigos fictícios estranham. "Com quem você está falando, Boris?", eles perguntam. "Com eles, esse monte de gente que está nos assistindo.". "Não tem ninguem nos assistindo!". Então, Larry vira, mais uma vez, para a câmera e estabelece uma compreensão com aquele cara lá da última fileira que se perpetua por todo o filme. Só ele, personagem fílmico, entende que há uma platéia ali, disposta a ouvir uma estória. É um segredo nosso, do público com Boris. Tido como "gênio" no filme, assim ele se estabelece ao demonstrar que entende mais da vida do que os demais personagens, inclusive enxergando o fato de que há espectadores logo ali. É a metonímia do próprio cineasta que, embora constantemente perspicaz, sempre acredita ter um entendimento cinematográfico muito maior do que as meras cabecinhas artísticas da culturalmente vazia América do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Tudo Pode Dar Certo&lt;/em&gt; está nos cinemas no Rio de Janeiro)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3476063132453997413?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3476063132453997413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3476063132453997413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/blog-post_04.html' title='O bom filho à casa torna.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TDEJMAePheI/AAAAAAAAAQs/tmpT9iYdU40/s72-c/whatever_works.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7459283983995218567</id><published>2010-07-03T10:08:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T10:22:46.108-07:00</updated><title type='text'>Adios, hermanos!</title><content type='html'>Senhores, eis imagens marcantes dos últimos dois dias na Copa da Fifa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9vVYxuKFI/AAAAAAAAAQc/jfz4M79iYs4/s1600/maradona+humilhado.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9vVYxuKFI/AAAAAAAAAQc/jfz4M79iYs4/s200/maradona+humilhado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489728884006856786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9vE-r9ngI/AAAAAAAAAQU/P0_nQ-cNLCc/s1600/alemanha+ganhou!!.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9vE-r9ngI/AAAAAAAAAQU/P0_nQ-cNLCc/s200/alemanha+ganhou!!.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489728602125475330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9uuXtLLKI/AAAAAAAAAQM/5eQsIyeSI14/s1600/dunga+acabado.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 125px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9uuXtLLKI/AAAAAAAAAQM/5eQsIyeSI14/s200/dunga+acabado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489728213704453282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade seja dita: ver a Argentina perder é bom. Vê-la ser humilhada é ainda melhor. Não só é possível, como bem provável que tais sentimentos se dêem por alguma forma de recalque brasileira.Imaturidade, bobagem, eu sei. Mas no futebol, eles são mais do que adversários. São inimigos. E a recíproca é verdadeira. As capas dos jornais dos hermanos de hoje estampavam fotos do Kaka aos prantos no fim do jogo de ontem, que nos rendeu uma sofrida eliminação. Dói ainda. E como dói... Mas dói menos vendo Don Diego caindo de 4, perdendo-se nos dribles germânicos, vendo seu queridinho Messi, com seu cabelo em corte cuia e sua altura modesta, correndo no campo como um menininho que se perdeu da mamãe no shopping. Tanto ele como nosso querido técnico tiveram que engolir suas petulâncias caladinhos, caladinhos... É, Maradonna... parece que nos livramos de vê-lo peladão por aí. Voltem para casa no ritmo do tango. E podem até pegar uma carona, nosso avião deve estar saindo daqui a pouco. Mas voltem calados, em sinal de respeito, por favor. Porque, até para perder, nós somos muito melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7459283983995218567?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7459283983995218567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7459283983995218567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/blog-post_03.html' title='Adios, hermanos!'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC9vVYxuKFI/AAAAAAAAAQc/jfz4M79iYs4/s72-c/maradona+humilhado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7222219270170910482</id><published>2010-07-02T15:48:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T16:12:02.558-07:00</updated><title type='text'>Já ERA, Dunga.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC5s4E0Z1BI/AAAAAAAAAQE/7X6nMsADLFQ/s1600/kaka+chorando.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC5s4E0Z1BI/AAAAAAAAAQE/7X6nMsADLFQ/s200/kaka+chorando.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489444706433225746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A era Dunga acabou. Assim esperam 190 milhões de corações zangados, indignados, chateados, e outras palavras não publicáveis. A Seleção brasileira, perdendo de virada para a Holanda, postergou o sonho do Hexa por mais, pelo menos, quatro anos. Da Copa na África ficou um grito engasgado, um choro de raiva contido, e uma torcida para que o Maradona não corra pelado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre chato perder uma Copa. Para brasileiros, é quase uma vergonha. Afora as tais belezas naturais, é talvez a única coisa palpável com a qual podemos nos gabar. Tiramos onda no mundo inteiro como o país da bola, os melhores, os únicos que carregam cinco estrelas no peito. Passada a ressaca da derrota, há reações que nenhum brasileiro pode ter a petulância de dizer sentir: incredulidade. Afinal, se ninguem gostava da seleção do Dunga, como esperar que fôssemos campeões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patriotismos temporários a parte, esse time não inspirava confiança em ninguém. E isso simplesmente porque não era a seleção brasileira, era a seleção do Dunga, que sempre chamou a responsabilidade para si das vitórias, mas na hora da derrota saiu de campo sem nem mesmo cumprimentar seus jogadores. Papelão, papelão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os meninos voltam para suas mansões com a derrota amarga nas costas. E o brasileiro, daqui a pouco, vai esquecer esse dia. A continuação do campeonato brasileiro vem aí pra separar os 190 milhões de torcedores em diversos times, camisas, torcidas. Viremos, novamente, todos inimigos dentro de campo, mas sejamos unidos e patriotas o suficiente em outubro, nas eleições. Porque os próximos quatro anos não serão o intervalo entre uma Copa e outra, mas a esperança para novos tempos no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns aos jogadores raçudos que merecem os parabéns, todo mundo sabe quem são eles. E um puxão de orelha nos pseudo-atletas para os quais não fez tanta diferença assim envergonhar aquele brasileiro que, com dificuldade, doendo no bolso, comprou bandeirinhas, camisetas, enfeitou a casa e comprou a carne pro churrasco, a não ser o machucado em seu próprio ego milionário. Queremos uma seleção que honre a camisa, que nos dê orgulho, que nos faça voltar a acreditar que somos, sim, os melhores. Além disso, queremos um técnico com experiência em comandar times, que dê ouvidos, também, aos clamores populares, que respeite a imprensa, que se dê o respeito. Eles, os jogadores e o Dunga, continuarão cheios da grana, e nós continuaremos de saco cheio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7222219270170910482?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7222219270170910482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7222219270170910482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/ja-era-dunga.html' title='Já ERA, Dunga.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC5s4E0Z1BI/AAAAAAAAAQE/7X6nMsADLFQ/s72-c/kaka+chorando.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5382089696549695565</id><published>2010-07-01T15:12:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T16:11:50.793-07:00</updated><title type='text'>A Saga Continua. Infelizmente.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC0S97cZcmI/AAAAAAAAAP8/eUuCJn9Calg/s1600/eclipse.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 139px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC0S97cZcmI/AAAAAAAAAP8/eUuCJn9Calg/s200/eclipse.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489064375972622946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil entender por que a saga Crepúsculo virou uma febre mundial. Uma combinação muito precisa de fatores garantiu o sucesso: o desconhecido - um mundo onde criaturas fantásticas vivem clandestinamente, ao lado de seres humanos - o amor proibido, irresistível, arrebatador. De um lado, o lindo vampiro Edward, todo bom moço, nem sangue de gente ele bebe. É inteligente, educado, absurdamente bonito. E apaixonado. Do outro lado, Jacob, o lobisomem camarada. Ele é quente - muito quente - carinhoso, fiel, protetor, melhor amigo. E apaixonado. E no meio de tudo isso está o objeto de desejo de ambos: Bella. E Bella não é exatamente um poço de beleza, virtudes e qualidades inenarráveis, que faria com que seres quase humanos tão incríveis fossem capazes de renegarem e lutarem contra suas próprias existências por ela. Bella é &lt;em&gt;the girl next do&lt;/em&gt;or, aquela menina comum, que passaria despercebida em qualquer ambiente. E este é o grande atrativo: uma menina comum, uma menina qualquer, consegue fazer vampiros, lobisomens e homens cairem aos seus pés (ah sim, porque o coleguinha da escola também é super na dela.). Todas as leitoras se enxergam na pele de Bella. Vivem com ela esse amor arrebatador e errado com Edward. Se dividem entre amizade e paixão com Jacob. Jovens ou mais velhas, todas queremos ser Bella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes da saga também são incrivelmente bem sucedidos por motivos muito específicos. Como resistir a uma alcatéia de belos corpos sarados e parcialmente despidos, exalando calor e conforto? Ou ainda, como não se sentir atraído por uma bela família de atores cuidadosamente maquiados para que sua brancura vampiresca seja encantadora, e não repulsiva? São belos rostos, belas lentes castanho-claras, bem vestidos e simpáticos. Você quase esquece que eles são mortos-vivos que podem, a qualquer momento, esquecer o "vegetarianismo" e atacar seu pescoço. Você quer quase socializar com eles. Frequentar a casa deles. Mergulhar e acreditar naquela história. Junte a isso efeitos especiais de primeira categoria, que proporcionam cenas de lutas de tirar o fôlego e lobos tão bem feitos que parecem saltar da tela pro seu colo na poltrona, além, é claro, da publicidade sufocante que só Hollywood sabe fazer, e pronto: você tem mais um grande sucesso de bilheteria, garantido por fãs que contam minutos, riscam os dias no calendário e esperam, ansiosas, aos berros e choros, pela materialização na tela grande dos ídolos que encontraram nos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis o grande problema. Um erro fácil de se cair em adaptações literárias para o cinema, especialmente de incontestáveis best-sellers mundiais. Uma fórmula tão simples, que pega até os mais experientes produtores americanos: filme é filme, livro é livro. Um filme não pode ser feito somente para leitores ávidos e fãs neuróticos. Eles se bastam nos livros. O filme é uma extensão, um apêndice, um algo mais. E está nas salas de cinema para que qualquer espectador o assista, não só os fãs. Para isso, é preciso muito mais do que os atores bonitinhos, efeitos especiais bem executados e falas diretamente tiradas das páginas de papel: é preciso que prenda o espectador sendo um bom filme. Bom, cinematograficamente. E isso "Eclipse" não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eclipse" (&lt;em&gt;The Twilight Saga: Eclipse&lt;/em&gt;, de David Slade, EUA 2010) é baseado no terceiro livro da saga de Stephanie Meyer que conquistou o mundo. Traz os mesmos atores e a mesma fórmula dos dois antecedentes, embora com uma nova direção. Dessa vez, o maestro é o britânico David Slade, que não conseguiu uma magia parecida com a de Chris Weitz, o diretor de &lt;em&gt;New Moon&lt;/em&gt;, o segundo filme, e muito menos de Catherine Hardwick, que estabeleceu o tom em &lt;em&gt;Twilight&lt;/em&gt;, e nos fez querer mais. David Slade nos fez querer que parasse por aí. O roteiro de Melissa Rosenberg é fraco e arrastado, salvo por uma ou duas falas mais engraçadinhas. Ela também assina os dois primeiros roteiros, mas em &lt;em&gt;Eclipse&lt;/em&gt;, perdeu o ponto. Ele não consegue captar a atenção do espectador alheio à saga. Pula de uma situação para outra sem que se saiba exatamente o motivo, esquecendo completamente a coesão necessária para que uma narrativa seja levada adiante, com entendimento daquele que a assiste. O filme conta, sim, com bons atores, que alcançam consistentes interpretações, apesar da superficialidade do roteiro: Billy Burke, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, além das sempre ótimas Dakota Fanning e Anna Kendrick. Bryce Dallas-Howard é uma Victoria, a sanguinária vampira que quer se vingar de Edward, melhor do que Rachelle Lefevre jamais foi. Por último, os protagonistas: Taylor Lautner está melhor do que nos dois primeiros filmes da saga. Parece que conseguiu construir um Jacob com mais conteúdo, relevância, que faz com que o espectador entenda o conflito da protagonista. Ele é interessante, muito além do tanquinho definido. Robert Pattinson é um grande ator que o mundo ainda vai descobrir. Para isso, precisa deixar Edward para trás, o que só acontecerá depois de &lt;em&gt;Breaking Dawn&lt;/em&gt;, o quarto e último livro/filme. Robert não é somente dono de uma beleza exótica, diferente das demais belezas masculinas que vemos no cinema. Ele é um ator profundo, versátil, que comunica com um simples olhar, e consistente em relação a Edward. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Slade optou por usar muitos planos fechados em &lt;em&gt;Eclipse&lt;/em&gt;. Aprende-se em qualquer cursinho de cinema que close-ups aumentam a dramaticidade, e aqui são amplamente utilizados, o que é perfeitamente compreensível quando se trata de Robert, Taylor, Bryce, Dakota. Eles dão sentido ao close-up. Mas não funciona com Kristen Stewart. Kristen continua fraca e sem carisma. Se não contasse com o sucesso prévio da personagem dos livros, jamais encantaria como Bella Swan. Há momentos em que Kristen parece pensar em decolar, mas é engolida por presenças muito mais marcantes e talentosas que dividem a cena. Sua interpretação é presa, dura, sem vida. Assim como Robert, talvez Stewart se descubra uma grande atriz ao final da saga. Mas não será, como o colega, por talento nato. Ela precisará de muita técnica e muito estudo para permanecer na &lt;em&gt;A-List &lt;/em&gt;de atores americanos quando &lt;em&gt;Twilight&lt;/em&gt; não mais existir em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eclipse&lt;/em&gt; será um grande sucesso de bilheteria. Os ávidos fãs dos livros irão amar. Os simples leitores ficarão parcialmente entediados. E aqueles que nunca nem mesmo folhearam os livros sentirão vontade de ir embora. É quando a narrativa se perde, o fio condutor da história - e a razão de ser da mesma - deixa de existir, e o espectador passa a se prender a outras coisas na tela, desviando sua atenção para os já mencionados artifícios fílmicos hollywoodianos para grandes sucessos. Com isso, &lt;em&gt;Eclipse&lt;/em&gt; pode até ser uma representação eficaz para os fãs do livro, mas jamais será um grande filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5382089696549695565?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5382089696549695565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5382089696549695565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title='A Saga Continua. Infelizmente.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/TC0S97cZcmI/AAAAAAAAAP8/eUuCJn9Calg/s72-c/eclipse.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4670278745737521027</id><published>2010-06-13T18:35:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T19:52:17.954-07:00</updated><title type='text'>A Mentira do Dia dos Namorados.</title><content type='html'>Tá tudo errado. Pra começar, o Valentine's Day, no mundo inteiro, é coerentemente no Dia de São Valentim, em fevereiro. Aqui, em terras tupiniquins, comemora-se dia 12 de Junho. Dizem as más línguas que isso ocorre porque, aqui, nesses tempos invernais, longe das datas festivas (como o nosso Carnaval, que é em fevereiro), as vendas caem, e por isso a data foi modificada, para dar uma aquecida da economia. Concordo que seria o máximo do baixo astral pra várias pessoas ter o dia dos Namorados tão perto do Carnaval, por motivos óbvios. Pessoalmente, nunca fui de me importar muito com o Dia dos Namorados, por uma questão de personalidade. Nem do Natal eu sou tão fã assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse ano, reparei em algo que me intrigou. O Twitter no sábado estava repleto de pessoas que iam comemorar a "Noite dos Solteiros". O lema era: O Dia é dos Namorados, mas a noite é dos solteiros. E várias meninas e meninos saíram do doce conforto quentinho de seus lares para jogarem-se na noite. Nada de anormal ou diferente de um sábado qualquer. A questão era a excitação exacerbada. Por que? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem-me, mas a verdade pode doer: Nada passa de uma animação mentirosa. Sem perceber, no frenesi de afirmar para si mesmos que está tudo bem, que se bastam, que a vida é bonita numa caminhada solitária, estavam todos comemorando não o fato de estarem solteiros, mas de estarem sozinhos. E ninguem, realmente, gosta de ficar sozinho. O mundo é enorme e minúsculo ao mesmo tempo, e em meio a tantos bilhões de pessoas, todos querem achar seu "special one". A tampa da panela. A metade da laranja. O açucar do brigadeiro. O clichê dos clichês. Porque entre tantas diferenças, somos iguais em uma característica: homens, mulheres, brancos, negros, pardos, heteros, gays, jovens, velhos... todos queremos ser amados. E se o Dia dos Namorados já foi concebido pela sociedade como uma data para se comemorar o fato de que amamos e temos alguem para amar, não se deveria celebrar o contrário. Há, sim, quem adore a vida de solteiro. Mas há uma grande diferença entre ser solteiro, e ser só. Se somos solteiros todos os dias, não há motivo evidente para que se comemore isso justamente no dia que a sociedade inteira escolheu para celebrar o fato de que somos amados, e amamos alguem. Paremos de mentir para nós mesmos e passemos a admitir que não há o que ser celebrado, além do evidente. Não há motivos para se envergonhar por estar sozinho no Dia dos Namorados, muito menos necessidade de mostrar para o mundo inteiro, esbravejar para quem quiser ouvir, que está tudo na mais perfeita ordem, e que você está super bem sem alguem do seu lado. Isso é um problema de cada um, e a vontade de afirmar isso para os outros só denuncia que, talvez, não seja algo tão verdadeiro assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proponho, pois, que passemos a valorizar menos o Dia dos Namorados, tanto solteiros como comprometidos. O amor deve ser celebrado todos os dias, intensamente. Os que ainda não o encontraram, não devem jamais interromper sua busca. Não vale somente um dia para isso. É uma sorte imensa achar o amor verdadeiro, quase como ganhar na loteria, porém melhor. Não vem acompanhado de milhões em dinheiro, mas de uma certeza muito maior e mais valiosa: a de que você vai ter sempre alguem que te olhe como se você fosse a mais rara das pedras preciosas. Que seus braços vão sempre alcançar outros braços no lado oposto da cama. Que alguem gosta da sua cara amassada e de seu mau humor matinal, que atura seus defeitos, que aguenta suas manias e até ri delas...dizendo "ah, isso é tão típico dele(a)!". Que seus pés sempre serão aquecidos por outros pés. E que, ainda que perdido, você vai sempre achar, com muita gratidão, o caminho de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4670278745737521027?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4670278745737521027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4670278745737521027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/06/mentira-do-dia-dos-namorados.html' title='A Mentira do Dia dos Namorados.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7297122482337477634</id><published>2010-06-09T11:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T11:31:51.579-07:00</updated><title type='text'>Magia.</title><content type='html'>Dia desses vi um filme chamado "Broken English". Filmezinho B americano, não tem nem tradução em português. Ainda assim, muito bom. Zoe Cassavetes (sim, a filha do cara), roteirista e escritora, é um talento puro, prova de que a genética faz toda a diferença. Pena que não há muitos trabalhos dela por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cinema assume seu intuito maior quando, nos primeiros minutos de uma despretenciosa narrativa, você enxerga uma completa identificação com o enredo, mergulha na estória e a suga, como se sua própria vida dependesse daquilo, como se aquele desfecho representasse o seu próprio futuro, quase uma sessão ficcional de cartomante. Neste caso específico, assim que me toquei dessa identificação, comecei a me preocupar. Nora, a personagem da talentosa Parker Posey, a rainha dos Indies, é uma mulher que possui uma perigosa característica: a incrível capacidade de atrair e/ou se apaixonar pelos homens errados. Aqueles tipos bem mesquinhos, que tão obviamente partirão seu coração. Ainda assim, o dedo podre de Nora insiste em apontar para o cara errado, ainda que o certo esteja bem ao lado do canalha. Ela se lamenta com a melhor amiga, pensa em desistir dos homens, da vida, do universo e de todo o resto. Sofre, chora, se angustia. Faz o que disse que não ia fazer, diz o que achava que não ia dizer. Bebe uma garrafa de vinho sozinha, fuma um maço inteiro de cigarros, e só não come um pote enorme de brigadeiro porque, certamente, não conhece esse doce. Parece similar essa história? Sim, para mim parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se coincidências existem, na noite anterior eu tive uma longa conversa com uma boa amiga que, bem assim, na minha cara, lançou: "Eu acho mesmo é que você gosta de um bom desafio. O cara pra te ganhar tem que ter namorada, tem que morar longe, tem que não te dar moral...Sabe qual é a resposta pra isso? Terapia.". Pois é, mas terapia é caro. Minha alternativa pessoal? Escrever. E, quem sabe, tentar arrumar uma resposta para essa minha mania chata de querer as coisas mais difíceis. Verdade seja dita, não é que eu só me interesse por canalhas comprometidos ou príncipes de terras longínquas. Geralmente, eu só descubro depois que eles são comprometidos, ou me vejo envolvida demais para me importar com algumas centenas de quilômetros de distância. Mas, de alguma maneira, como um ímã estúpido, continuo atraída por esses tipos. Seria mais fácil culpar todos os homens do Universo, mas já passei da idade de acreditar nessa desculpa. Se o problema não está nos outros, está em mim. Talvez seja a necessidade inerente de provar para mim mesma que eu posso conseguir tudo o que eu quero, ainda que tantos obstáculos estejam no caminho. Talvez eu queira me torturar com um chicote imaginário, não enxergando que há um mundo de possibilidades muito mais fáceis bem ali, ao alcance de minhas mãos. Mas o fácil todo mundo tem. Ou medíocre todo mundo consegue. Na minha estupidez, vou levando. Recuso-me a ter que viver junto, simplesmente por não conseguir ficar só. Ou como diz uma personagem do filme: "A maioria das pessoas está com alguem só para não estarem sozinhas. Mas algumas pessoas querem magia. E eu acho que você é uma dessas pessoas.". Nora era, e eu sou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a magia não se personifica em alguem que valha a pena, continuo cruzando os dedos e contando que o meu final feliz seja como o de Nora. Que eu encontre o amor dia desses, num instante qualquer, por aí. Porque magia não precisa ser somente grandiloquentes feitos, serenatas apaixonadas debaixo da janela, beijos na chuva que param o trânsito de uma grande cidade. A magia tambem pode estar no mais simples. Numa fila de supermercado. Numa banca de jornal. No metrô. Na mesa do lado no bar. Num doce balanço à caminho do mar. O segredo é saber ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7297122482337477634?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7297122482337477634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7297122482337477634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/06/magia.html' title='Magia.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-1564330096668989300</id><published>2010-05-18T12:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T15:06:15.133-07:00</updated><title type='text'>Em defesa do fútil.</title><content type='html'>Um museu em Nova York está fazendo uma exposição sobre moda. O que essa frase teria para intrigar qualquer pessoa? Nada demais, concordo. Mas me intrigou. Fiquei pensando naquilo e descobri um problema enorme por trás da minha própria estranheza. Depois, achei melhor nem ter pensado nada. É sempre vergonhoso quando descobrimos um sentimento chato por trás de uma impressão, aparentemente, inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Museu, para mim, é um lugar quase sagrado. Aquelas paredes guardam obras de valores incontestáveis, inestimáveis, essenciais para contar a história da humanidade por meio da arte. Arte, tão cheia de importância pra mim, seja lá qual for sua forma de expressão. A arte que tanto valorizo e prezo, que tão acima está das coisas mundanas e banais. Do outro lado, está a moda. Talvez pelo meio onde obtive a maior parte da minha orientação intelectual, fui educada a achar a moda uma grande bobagem. Uma futilidade, coisa de quem não tem muito o que fazer. Afinal, o tempo que você fica escolhendo uma roupa, um sapato e uma bolsa que combinem, poderia estar sendo mais produtivamente utilizado, ou seja, você poderia estar criando uma grande obra que mudaria a maneira como as pessoas enxergam o mundo, o universo e todo o resto. Além disso, a tal "moda" nada mais é do que uma lista de mandamentos formulada por uma meia dúzia de pessoas - e, convenhamos, nenhuma delas mora nessa nossa terrinha - que dizem o que se "pode" e o que "não se pode" usar. Um dia, calça de cintura alta é a última tendência. Daqui a uma semana, pode não ser mais. E mais e mais pessoas compram itens com os preços nas alturas, que certamente não valem em seus processos de fabricação nem um terço do que por eles é cobrado, para usarem o que a galera mais &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; do planeta tambem está usando. Só para serem aceitas, para pertencerem ao seleto grupo daqueles que podem dar oitocentos reais num par de jeans ou dois mil numa bolsa. No meio acadêmico daqueles que, como eu, estudam comunicação ou artes, e se acham, por isso, grandes formadores de opinião, os portadores de tantas respostas, a moda é um meio fútil de gastar tempo útil e, pior ainda, é uma ditadura quase religiosa e que, veladamente, junta um número cada vez maior de ovelhinhas desgarradas e cegas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu tinha essa opinião formada e muito forte. Mas depois que você fica um pouco mais velho e, portanto, mais exigente, passa a achar esses pré-conceitos muito chatos e, por si só, fúteis. Com tantas coisas maiores dignas de preocupação, o que é se preocupar com o que a Lindsey Lohan usa ou deixa de usar? E, afinal, qual é o grande problema da futilidade? Futilidade pode ser uma coisa boa, se bem dosada. Afinal, todo mundo precisa de breves momentos em que não é preciso ser absolutamente brilhante, ou estar trabalhando em algo realmente transformador. Homens e mulheres, há momentos em que tudo que precisamos é nos sentir bem, e a tal da moda surte esse efeito. Não a moda ditatorial, não o "ter que" ter isso ou aquilo. Mas todo mundo gosta de se sentir bonito, elegante, atraente. E essas mesmas pessoas que tanto criticam as outras que se preocupam com o que vão vestir, passam o mesmo tempo na frente do espelho tentando desconstruir uma imagem, digamos, mais aceita. E aí fazem tudo para chocar: usam cortes de cabelo diferentes, roupas esquisitas, combinações propositalmente conflitantes. Mal sabem elas que tambem estão seguindo mandamentos, só não são os mandamentos que saem na Vogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou mais livre de preconceitos em relação à moda. Simplesmente porque entendi que, só porque ela existe, não quer dizer que eu precise segui-la piamente. Essa indústria que move bilhões todos os anos e envolve milhares de trabalhadores que passam, sim, horas enfurnados em escritórios pensando qual será o tom de verde da próxima estação, tem lá suas qualidades e méritos. Afinal, não podemos exatamente dizer que vivemos em uma sociedade que valoriza a beleza interior. Essa exposição de Nova York mostra, em um certo período de tempo determinado pelo curador, a evolução das roupas femininas, de acordo com cada época. Tem as dondocas do Novo Mundo lá dos idos de outros séculos, as feministas, as mulheres que lutaram pelo direito do voto, as estrelas hollywoodianas cheias de glamour. Essa exposição tambem conta um pouco da história da humanidade através das roupas. Assim como a arte o faz. E, convenhamos, quem é capaz de dizer que certos vestidos do Valentino não são verdadeiras obras de arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo sendo contra a adoração desenfreada do &lt;em&gt;"must have". &lt;/em&gt; Assim como sou contra qualquer determinação que não seja criticamente pensada pelo indivíduo. Se a Anna Wintour um dia disser que a última moda é usar casaco de pele no verão carioca, posso garantir que vai ter uma galera desidratada por aí, mas se sentindo super &lt;em&gt;in&lt;/em&gt;. Eu estarei usando meus shorts e camisetas de sempre, porque simplesmente não sinto a menor necessidade de seguir cegamente esses preceitos. Mas gosto, sim, de comprar uma bolsa bonita, um par de sapatos que tenham o poder, sozinhos, de fazer com que me sinta no topo do mundo. Defendo a liberdade de escolha, mas se alguem escolhe seguir os mandamentos da moda, quem sou eu para julgar? Cada um no seu Manolo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-1564330096668989300?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1564330096668989300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1564330096668989300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/05/em-defesa-do-futil.html' title='Em defesa do fútil.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7613448041818592755</id><published>2010-05-05T11:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T12:46:05.732-07:00</updated><title type='text'>Não se atrase para o chá!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S-G-CoXkjHI/AAAAAAAAAPE/zkTHEkJRuqU/s1600/alice+in+wonderland+tim+burton.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S-G-CoXkjHI/AAAAAAAAAPE/zkTHEkJRuqU/s200/alice+in+wonderland+tim+burton.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467860375009791090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vezes me parece que a relação do público cinéfilo intelectualizado com o diretor Tim Burton é de amor ou ódio. Há quem o ache genial em sua excentricidade crônica, e que já vai ao cinema predisposto a achar um novo filme de sua autoria, senão o melhor da carreira, bastante superior ao que tem aparecido por aí no Cinema Hollywoodiano. Há, por outro lado, aqueles que o acham simplesmente um louco que nada de novo tem a acrescentar à arte, e não desperta muita coisa além de preguiça. Embora encaixe-me no primeiro grupo, sei que Burton conta com trunfos que o ajudam em seus sucessos. "Alice no País das Maravilhas" (&lt;em&gt;Alice in Wonderland&lt;/em&gt;, 2010) não é o melhor filme de sua carreira. Apesar da história perturbantemente interessante, recheada de belos cenários e boas atuações (fora o furor que o 3D tem causado), ele ainda não chega aos pés de trabalhos como "Os Fantasmas se Divertem" (&lt;em&gt;Beetle Juice&lt;/em&gt;, 1988), "Edward Mãos de Tesoura" (&lt;em&gt;Edward Scissorhands&lt;/em&gt;, 1990) e "Peixe Grande" (&lt;em&gt;Big Fish&lt;/em&gt;, 2003). Burton é, talvez, o diretor moderno mais bem preparado pra contar o clássico de Lewis Carrol, pois parece entender o mundo fantástico criado pelo autor e sentir-se em casa nele, sem apelar para a transmissão de mensagens chatas e valores que pouco interessam ao grande público, sedento por espetáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johhny Depp, como o Chapeleiro Maluco, faz qualquer crítico de Cinema se repetir. Ele é constantemente bom e, mais uma vez, rouba cada cena na qual aparece. Helena Boham-Carter nos delicia com uma firme e engraçada Rainha de Copas, já Anne Hathaway esteja fraca e piegas em sua flutuante Rainha Branca. Já a protagonista, Mia Wasikowska, é boa e responde bem ao que lhe foi proposto, embora não seja dona de um carisma arrebatador. Para um diretor que consegue não vender seu estilo e estética, Burton parece ter se vendido ao fenômeno do 3D. O filme passaria absolutamente bem sem o recurso, que por vezes parece estar lá mais como uma distração e uma obrigação. É sabido que o diretor não se adaptou ao equipamento usado por James Cameron na filmagem de "Avatar" (2010), e o processo de terceira dimensão foi quase que totalmente feito na pós-produção. As melhores obras de Burton não contavam com tais aparatos e eram absolutamente geniais, pautando-se no que de mais básico o Cinema realmente precisa pautar-se, como atuações, roteiro e fotografia. Além, é claro, da batuta de um grande Mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, "Alice" é, como sempre se pode esperar de Burton, um filme interessante e um ótimo entretenimento, que passa longe de produções insossas e inconsistentes. A maior bilheteria de Disney até o momento promete merecidas indicações aos prêmios mais técnicos do Oscar, como maquiagem e efeitos visuais. E, se a Academia for justa dessa vez, não deixará de premiar Depp, que há muito já deveria possuir um homenzinho de ouro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7613448041818592755?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7613448041818592755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7613448041818592755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/05/nao-se-atrase-para-o-cha.html' title='Não se atrase para o chá!'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S-G-CoXkjHI/AAAAAAAAAPE/zkTHEkJRuqU/s72-c/alice+in+wonderland+tim+burton.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3488628492432175207</id><published>2010-04-07T16:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T18:40:28.091-07:00</updated><title type='text'>Lições de Chico</title><content type='html'>Faz tempo que não passo por aqui. Eu sei, deixei na mão minha meia dúzia de leitores. Mas peço compreensão. Quando se está filmando um longa-metragem, principalmente na parte da produção, como eu estava, é quase como entrar numa bolha durante semanas e, ao sair dela, descobrir o mundo de novo. Tudo bem, passada essa experiência, cá estou novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez pela primeira vez usarei este espaço para o que, de fato, blogs foram criados: uma espécie de diário virtual. Nunca gostei de ficar escrevendo diretamente sobre minha vida pessoal. Sempre preferi, no entanto, criar crônicas que, de alguma forma, dialogassem com o que eu sentia no momento, sem ter que abrir demais os detalhes. O trabalho do escritor, afinal, que eu tanto valorizo e amo. Além disso, sempre escrevi minhas tão queridas críticas de cinema. Desta vez, vou tentar unir os dois, para contar sobre uma experiência única e inédita em minha vida. E, é claro, absolutamente especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alan Kardek certa vez disse que "o acaso não existe". Sempre flutuei por esta citação, ora acreditando nela, ora não levando muito em consideração. Mas algumas coisas realmente "são pra ser". Maktub, estava escrito. Por isso, afirmo que hoje acredito muito mais nessa frase, pois algo me diz que era pra eu fazer o filme Chico Xavier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O longa de Daniel Filho entrou na minha vida há um ano. Em abril do ano passado, fui chamada para fazer um teste para uma das personagens. Fiquei muito empolgada com a possibilidade iminente de trabalhar com o Daniel, até então uma figura mítica para mim, que estudei cinema na faculdade e sempre admirei esses grandes nomes. Para mim ele era isso, um grande nome. Além disso, achava bastante atraente a história sobre Chico Xavier. Embora não soubesse muita coisa sobre a doutrina espírita, conhecia por alto a história de Chico, e tinha certeza de que daria um belo roteiro. Acabei não conseguindo o papel. Ele tinha que ir para uma mulher mais velha, que pudesse "envelhecer" até os trinta e poucos anos, uma vez que há uma grande passagem de tempo no filme, e eu com essa carinha de quinze (apesar do peso dos vinte e três nas costas), não convenci. Fiquei um pouco triste, mas estou acostumada com essa vida de atriz desde os seis anos. Bola pra frente.&lt;br /&gt;Fui pra São Paulo em maio, fazer um curso de preparação de atores para cinema e vídeo, durante duas semanas. Meu curso terminava numa sexta, e eu iria embora no sábado seguinte, de volta para o Rio. Na quinta feira a Letícia, uma das produtoras, me ligou. Me disse que haveria um outro teste, para uma outra personagem, e queria saber se eu estaria disponível no dia seguinte a tarde. Não era possível! Mais uma oportunidade para fazer esse filme, e eu a quilômetros de distância do lugar do teste. Expliquei que estava em São Paulo fazendo um curso, e que este terminaria ao meio dia. Eu tentaria ir direto para o aeroporto, pegar o primeiro avião para a Cidade Maravilhosa, a ponto de chegar a tempo para o teste a tarde. Foi o que tentei fazer. Porém, não havia vôos disponíveis e, os que tinham horários oportunos, eram muito caros naquele momento para as minhas condições. Frustrada e com o coração na mão, liguei para ela e disse que não havia conseguido o avião. Perguntei, quase implorando, se não haveria um outro dia para testes, eu iria em qualquer horário! Só precisava mesmo era conseguir sair de São Paulo. Mas não era o caso, o teste seria só na sexta. Eu não conseguia acreditar! Deus colocou no meu caminho duas oportunidades para fazer um grande filme, uma estréia grandiosa como atriz em longa-metragens, e eu não consegui nenhuma delas. Bola pra frente mais uma vez, porém com um gostinho amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci o filme durante algumas semanas. Logo que voltei pro Rio, fui convidada para fazer uma participação em um seriado da Record, e acabei focando nisso. Mas era pra ser, não é verdade? Coisa de três semanas depois, a Letícia me ligou novamente. Meu coração veio à boca quando ouvi a voz dela. Dessa vez, ela não queria me chamar para nenhum teste. Ela queria era me oferecer uma personagem. Isso mesmo, oferecer! Letícia, com toda sua fofura, tinha um pouco de receio na voz. Ela dizia: "-É uma participação bem pequena, são duas cenas só, não tem nem fala... seria uma das Irmãs Ensandecidas, e nós precisamos de atrizes de verdade para fazê-las. Não dá pra ser figuração, são personagens muito fortes, e que existiram de verdade.". Ela dizia como se eu fosse achar um absurdo não ter falas. Imagina! Eu aceitaria qualquer papel, qualquer personagem que fosse nesse filme. Ainda mais depois que ela me contou a história. Dizem que lá pelos idos de 1940, no interior de Minas, quatro irmãs ficaram possuídas ao mesmo tempo, e a mãe delas as levou no centro do Chico, para que este pudesse cura-las, o que acabou acontecendo. Aquele friozinho na barriga tomou conta de mim, o mesmo que sempre aparece quando vislumbro um grande desafio. Eu não tinha o que pensar. Aceitei no ato. Eu não conseguia acreditar que Deus havia me dado mais uma chance para fazer esse filme! Logo eu, que estava com a fé cambaleante neste momento da minha vida. Naquela noite, eu rezei para Chico Xavier, e agradeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma semana de preparação de atores, embarquei para Tiradentes. Como se já não fosse surreal o que eu estava indo fazer, ainda tive o prazer de conhecer pessoas como Juliana Bertoni e Thamirys Spyker, duas das minhas irmãs fictícias, e a grande atriz Anja Bittencourt, nossa mãe. Foi juntar o útil ao agradavel. Durante toda viagem de ida, com Debussy, Chopin Tchaikovsky tocando no meu I-Pod e definindo uma fantástica trilha-sonora para uma fantástica experiência, eu rezava e agradecia por aquela oportunidade. Eu não tava nem aí se era uma participação pequena. Para mim era como ter acertado na Mega Sena. Mas o melhor ainda estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nervosa, fui para o primeiro dia de filmagem. Era um sábado, no centro de Tiradentes. Coloquei meu figurino, o maquiador cobriu minhas tatuagens e o cabeleireiro desarrumou meu cabelo, para me dar bem um toque de louca. De repente, a figurinista se aproxima com palmilhas de tênis, meias-calças côr-da-pele e fita crepe nas mãos. Não entendi, mas ela logo explicou. Dando um par para cada uma das "ensandecidas" (assim éramos conhecidas no set), teríamos que fixa-las em nossos pés, pois Daniel nos queria descalças. Depois, eles iram maquiar a fita crepe, deixar da cor da pele, e a meia-calça iria fazer com que as palmilhas ficassem seguras em nossos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito isso, fomos para o set. Estava muito nervosa e ansiosa, um misto de emoções que eu nem conseguia explicar. A rua estava cheia, muitos figurantes caracterizados com roupas de época faziam crer que estávamos mesmo nas Gerais do meio do século passado. E no meio da multidão, lá estava ele. Com seu chapéu Panamá, Daniel Filho conversava com Nonato Estrela, o diretor de fotografia, ao lado de um aparato de câmera que eu nunca tinha visto, com meus quatro anos anteriores filmando curtas em cinema independente. Ele vem até nós, nos cumprimenta, e pede uma corda. Agora ele queria que ficássemos amarradas, as quatro irmãs, para aumentar ainda mais a dramaticidade da cena. Prontamente, a equipe de arte arrumou uma corda e nos amarrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o ensaio. E mais um ensaio. E mais um. A cena era cheia de referências. Cassio Gabus Mendes, de padre, entoava um discurso contra o espiritismo, figurantes passavam, um carro rasgava a rua ao nosso lado, e nós nos debatíamos, encarnando as personages possuídas pelo o que quer que fosse, enquanto nossa mãe e dois homens tentavam nos arrastar para o centro espírita. Um desses homens era o Julio Uchôa, diretor executivo do filme, que fez uma participação como o "Homem da Bíblia" (devo desculpas ao Julio por alguns socos e pontapés que devo ter dado nele durante a cena). Na hora de, de fato, filmarmos, de tanto que havíamos nos debatido, a corda que roçava em minha cintura, ainda que por cima da roupa, feriu minha pele e deixou hematomas. Alguns lugares, perto das costas, estavam em carne viva. Mas durante a cena, nem mesmo senti. Só fui me dar conta dos machucados quando voltei para o hotel e fui tomar banho, depois de um longo dia. Fui dormir feliz e sem sentir dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo dia de filmagem, domingo. A cena era interna, o centro espírita de Chico Xavier. Na noite anterior, antes de dormir, eu havia terminado de ler o livro do Marcel Souto Maior, que deu origem ao roteiro. Estava totalmente inteirada na vida do Chico e, ao chegar no set e ver Angelo Antonio caracterizado como tal, levei um susto. Era muito real, não só a maquiagem e o cabelo, mas a paz que Angelo passava. Nossa cena seria só depois do almoço, e enquanto isso eu papeava alegremente com as atrizes do lado de fora, que a esta altura já haviam se tornado minhas amigas.&lt;br /&gt;Esperamos um bom tempo para gravar. Ainda estava bastante ansiosa, pois esta era a cena mais importante para mim. Enquanto estava na varandinha do lado de fora da casa que servia como cenário, saboreando um de meus Malboro Lights, uma voz surge atrás de mim. "-Eu tenho observado que a senhorita anda fumando muito...Não deveria fumar tanto.". Era o Angelo Antonio, chamando minha atenção, com uma leve preocupação na voz. Quando começamos a conversar, pensei que seria exatamente o tipo de coisa que Chico Xavier me diria, com a mesma serenidade na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas previsões estavam certas, e realmente foi uma cena bastante dificil. Chico (Angelo) rezava com muita força enquanto cada uma de nós, ensandecidas, o tocávamos e zombávamos dele, até que caíamos no chão, desoladas. Nisso, um Chico Xavier cansado e enfraquecido é atingido pelo "Homem da Bíblia", quando Julio Uchôa começa a bater com o Evangelho na cabeça de Angelo. Ser dirigida por Daniel me deu a sensação de estar sendo coordenada por um cara absolutamente profissional, que se sente 100% confortável naquela posição, e que sabe exatamente o que quer e e o que está fazendo. Um diretor, afinal.&lt;br /&gt;A cena foi rápida. Fizemos só uns dois ensaios e filmamos umas duas vezes. E foi aí que o momento mais marcante de toda viagem aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que Daniel volta ao set. Ele se posiciona ao lado da mesa do cenário, onde minutos antes Angelo estava sentado. Na frente de todo elenco e equipe, em um set cheio, Daniel diz: "-Eu gostaria de agradecer profundamente essas meninas. Elas são atrizes e aceitaram vir até aqui para fazer essa pequena participação no nosso filme, e eu estou muito satisfeito com o resultado, e sou muito grato a elas.". Do nada, ele começa a bater palmas, e é acompanhado por todos. Em instantes, um set inteiro de elenco e equipe está batendo palmas para nós. Minha emoção foi ao auge e uma vontade profunda de chorar tomou conta do meu peito. Segurei firme, não queria desabar ali. Mas este foi um momento que eu guardei com muito carinho, e jamais esquecerei em toda a minha carreira. Um elogio do Daniel Filho vale mais que um milhão de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o Rio no dia seguinte. Na viagem de volta, fui recordando os momentos. As conversas com a Ju, Thamirys e Anja. Nossa pizza com vinho, depois de um rápido passeio por Tiradentes no último dia. A igrejinha singela que eu achei perto da base de maquiagem, numa ruazinha estreita, e na qual eu entrei depois do último dia de filmagem para agradecer aquela oportunidade. Ela era pequena, mas tinha toda a grandeza das igrejas mineiras, cheia de ouro e valores. Exatamente como a minha participação, pelo menos para mim.&lt;br /&gt;Recordei que, a todo o tempo, eu ficava estudando Daniel no set, tentando sugar o máximo de conhecimento. Para uma roteirista e atriz, que quer trabalhar com direção um dia, aquilo era melhor que qualquer curso. E aprendi que um diretor de verdade é um profissional que exige o melhor de seus atores e de sua equipe, simplesmente porque ele tambem está dando o melhor de si. Alem disso, é um cara que sabe apreciar, elogiar e valorizar cada ponto positivo que cada um proporciona ao trabalho de todos. É um profissional mesmo, na mais pura essência da palavra, que tem total controle sobre o set, sabe a função de cada peça de cada aparato de cada equipamento que está ali. Principalmente, sabe o seu conceito, sua idéia maior, é fiel a eles, e consegue passar isso para cada membro de sua equipe. Ele sabe exatamente o que ele, e todos, estão fazendo ali.&lt;br /&gt;Fiquei lembrando de pequenos prazeres que tão importante foram. O cheiro do caldo-verde do hotel, o doce de leite bem mineiro que comprei na estrada. Os risos das meninas, as bobagens que falamos durante dois dias inteiros. O tanto que aprendi com Daniel, Angelo, e cada membro da equipe com o qual tive contato, mesmo em uma passagem tão rápida. O passeio por Tiradentes, o vinho que nos esquentou naquele frio de junho. E meu I-Pod tocava a mesma trilha sonora da ida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois, fui a pré-estreia, cheia de orgulho, por fazer parte daquela experiência grandiosa do cinema nacional. E foi fantástico ver que aquele trabalho se transformou em um filme muito bonito, que ultrapassa as fronteiras religiosas. Não é um filme espírita, tampouco um filme sobre espíritos. É simplesmente um filme sobre um homem extraordinário, um brasileiro sem igual, que tem muito a nos ensinar, durante anos e anos vindouros.&lt;br /&gt;Lá pelas tantas no filme, tocou Debussy. Tocou Clair de Lune. A mesma música que preencheu minha trilha sonora, a trilha sonora da minha vida, na viagem a Tiradentes. Não era coincidência. Não era o acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, porque tinha que ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Embora ninguem possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim". (Chico Xavier)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3488628492432175207?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3488628492432175207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3488628492432175207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/04/faz-tempo-que-nao-passo-por-aqui.html' title='Lições de Chico'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4886601565205287162</id><published>2010-02-01T16:20:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T17:01:36.119-08:00</updated><title type='text'>"Desculpe, senhores. Mas não há filme algum."</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S2d37v5P8-I/AAAAAAAAAO8/mtOOLceLHK8/s1600-h/ninca.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 140px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433443343798367202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S2d37v5P8-I/AAAAAAAAAO8/mtOOLceLHK8/s200/ninca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Odeio odiar musicais. Algumas das mais deliciosas lembranças da minha infância envolvem longas e longas horas, assistindo repetidas vezes a clássicos como &lt;em&gt;Mary Poppins, Singing in the Rain &lt;/em&gt;e&lt;em&gt; The Sound of Music, &lt;/em&gt;que preenchiam meus sonhos infantis com beleza, candura, esperança.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;O período de burra escassez de muscais em Hollywood depois do fim da Era de Ouro contou com nomes como Rob Marshall e Baz Luhrmann para que seu fim fosse anunciado, quando corajosamente esses dois diretores entraram nos projetos &lt;em&gt;Chicago&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Moulin Rouge&lt;/em&gt;, ambos bem sucedidos criticamente e presenteados com prêmios da Academia. Até mesmo o multi-talentoso Kenny Ortega, com seus &lt;em&gt;High School Musicals&lt;/em&gt;, teve um papel fundamental em introduzir a cultura dos musicais nas novas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, estava muito empolgada e ansiosa para ver Nine, o novo musical de Rob Marshall. Com um elenco de estrelas como Nicole Kidman, Penelope Cruz, Sophia Loren, Judi Dench, Kate Hudson, Fergie, Marion Cotillard, e o absurdamente genial Daniel Day-Lewis no papel principal, &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt; tinha tudo para ser um estouro. Visualmente impecável, bela fotografia, ótimas atuações, e uma trilha sonora que faz com que seja impossível você não sair do cinema cantando "Be italian" ou "Cinema Italiano", extasiado com a beleza visual desses números, que pulam da grande tela e espancam seus olhos e sentidos, fazendo você querer mais. Além disso, a história de um famoso diretor de cinema italiano, Guido Contini (Day-Lewis), que ao se ver no meio de uma crise de inspiração a dez dias do início de seu mais novo projeto, passa a ser atormentado pelas presenças femininas marcantes em sua vida enquanto tenta escrever uma história, é baseada no filme Fellini 8 1/2, do grandioso Federico Fellini, de 1963. Marion é sua enganada esposa. Penelope é sua quente amante. Sophia (como sempre, preenchendo a tela com toda sua grandeza), é sua falecida mãe. Judi, sua fiel figurinista. Kate, uma impetuosa jornalista de moda. Fergie, uma prostituta que atormentava sua mente quando era menino. E Nicole, sua atriz preferida, sua musa inspiradora. O que poderia, então, dar de errado, em um enredo tão irresistível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exatamente aí está o problema. O enredo irresistível está no fato de falarmos sobre ele. Tudo bem que, dizem as mais línguas, 8 1/2 não tinha roteiro. Mas não era de forma gratuita. Existia um motivo conceitual para que isso ocorresse, coerente com a época do filme, a escola à que ele pertencia, e ao próprio diretor. Não é o caso em &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt;. Não é possível fazer uma superprodução hollywoodiana sem roteiro. Simplesmente é incabível. E, tirando os números musicais, &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt; se resume a uma narrativa arrastada, sem um começo, meio e fim, totalmente descolado do que ele se propunha a ser: um musical de Hollywood. Um musical dirigido por Rob Marshall, o aclamado "novo Bob Fosse". Um musical com alguns dos maiores nomes do cinema atual. A "falta de história", a carência de narrativa sólida, e a simples jornada inssossa de um diretor por um período de seca criativa daria certo em um cinema alternativo. Não consigo, simplesmente, entender por que, volta e meia, algumas pessoas ainda insistem em tentar realizar feitos que, evidentemente, não vão funcionar. Não são passíveis de bons resultados com uma platéia que não espera essas inovações. O que resulta em um espetáculo visual bonito, porém vazio. Um filme que se apóia muito simplesmente em dois ou três números musicais, e em seus grandes nomes, para que alguem prestasse alguma atenção nele. Não é a toa que &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt; não conquistou, da maneira esperada, público e crítica. É uma pena, realmente, mas a frase do título desse texto, uma das falas de Guido, é ironicamente resumitiva. &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt; não preencheu meus sonhos. &lt;em&gt;Nine&lt;/em&gt; me deu sono.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4886601565205287162?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4886601565205287162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4886601565205287162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/02/desculpe-senhores-mas-nao-ha-filme.html' title='&quot;Desculpe, senhores. Mas não há filme algum.&quot;'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S2d37v5P8-I/AAAAAAAAAO8/mtOOLceLHK8/s72-c/ninca.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8780238617780856038</id><published>2010-01-19T11:14:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T11:57:46.845-08:00</updated><title type='text'>Globo da Solidariedade.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S1YHJIi8_RI/AAAAAAAAAOw/VfQAHPgfJ2o/s1600-h/penelope+golden+gloes.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 165px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428534254336015634" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S1YHJIi8_RI/AAAAAAAAAOw/VfQAHPgfJ2o/s200/penelope+golden+gloes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No último domingo, em Los Angeles, aconteceu a edição 2010 dos Golden Globe Awards, conhecido popularmente como uma prévia do Oscar, e vulgarmente por ser o "segundo prêmio mais importante". De qualquer forma, a festa de premiação oferecida pelos membros da Hollywood Foreign Press, que premia os melhores do ano da TV e no Cinema americanos aconteceu, pela primeira vez na história, debaixo de chuva. Os mais superticiosos, ou aqueles que levantam a bandeira "fora yankee", poderiam até mesmo dizer que o acontecimento foi algum tipo de castigo cósmico, uma vez que uma festa de glamour e riqueza como esta, televisionada para o mundo inteiro, esfregando toda a superioridade do Olimpo americano na cara dos meros mortais, seria quase uma afronta, frente aos recentes acontecimentos do Haiti. Bobagem pura. Em momentos de catástrofes como este, fingir que simplesmente não existe gente rica no mundo é tapar o sol com a peneira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ver aquelas celebridades intocáveis se enrolarem com guarda chuvas, tentarem não ensopar as barras de seus belos vestidos ao caminharem pelo tapete vermelho, temerem que o penteado caísse com toda aquela umidade, foi até engraçado de ver. A gente realiza que eles nem são tão intocáveis assim. Mas bonito mesmo foi ver gente como George Clooney, Penelope Cruz e Morgan Freeman usarem os holofotes para causas que importam. Mais do que o broche vermelho solidário às vítimas do Haiti, eles divulgaram campanhas de arrecadação de doações para o país. Clooney inclusive está organizando uma espécie de teleton para a próxima sexta, no qual artistas atenderão os telefones, recebendo as doações, enquanto cerca de 17 emissoras televisionam o evento, com direito a shows de artistas do momento, para chamar mais público. Dizem que Madonna doou 250 mil dólares, e que Gisele Bundchen, embaixadora da ONU, doou 1,5 milhão. Durante toda a cerimônia, vários atores e atrizes chamavam atenção dos telespectadores para visitarem o site nbc.com , no qual encontram várias formas de ajudar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E que continuem falando o que bem entenderem, aqueles que tem por esporte falar mal de gente famosa, rica e influente. Porque verdade seja dita: tem gente fazendo o dever de casa direitinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8780238617780856038?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8780238617780856038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8780238617780856038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/01/globo-da-solidariedade.html' title='Globo da Solidariedade.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S1YHJIi8_RI/AAAAAAAAAOw/VfQAHPgfJ2o/s72-c/penelope+golden+gloes.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8443127755491431203</id><published>2010-01-13T15:50:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T16:26:36.848-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>É o fim de mais um dia tão quente no Rio de Janeiro que tenho minhas dúvidas se não seria possível, literalmente, fritar um ovo no asfalto. E cá estou, enfurnada no meu quarto, com o ar condicionado bem forte para que eu me engane e julgue estar na Sibéria, e o ócio me fez perambular por perfis de orkuts. Em um deles, me deparei com uma frase que já é até mesmo lugar comum em sites de relacionamentos e até mesmo cartõezinhos românticos. É aquela boa e velha citação de &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;: "Tu te tornas eternamente responsável pelo que tu cativas.". Sempre desconfiei um pouco dessa afirmação, e minha desconfiança nada tinha a ver com o fato de eu achar esse Pequeno Príncipe um garoto muito do pentelho que mora no topo de um planeta e não tem um tanque de roupa suja pra lavar, por isso pode ficar tendo devaneios idiotas. Mas o que me incomodava nesta frase, que tantas pessoas tomam como verdade incontestável, era o caráter irredutível dela. Como se o sedutor, ou aquele que cativa, não tivesse uma escolha, senão cativar. Isto não é de todo certo, como bem sabemos. Amores platônicos estão aí para comprovar isso, no sentido mais filosófico do termo. Muitas vezes somos cativados por pessoas que não necessariamente pediram por isso. Simplesmente nos apaixonamos, emburrecemos, trocamos as mãos pelos pés. Fantasiamos ilusões idílicas em nossas cabecinhas entorpecidas, criamos histórias nas quais vivemos em um conto de fadas com aquele ser amado, sem nem mesmo saber se o tal ser está a fim de embarcar nesse filme da Disney conosco. Que culpa têm, certas pessoas, de serem, simplesmente, irresistíveis? As vezes elas não precisaram fazer nada demais para nos cativar, apenas existir com suas belezas, sorrisos cativantes, olhares penetrantes que, muitas vezes, nem são para nós. E é aí que a afirmação de Antoine Saint-Exupéry mostra suas falhas. Nem sempre nos tornamos eternamente responsáveis pois, as vezes, não temos muito controle sob aqueles que cativamos. Podemos não fazer a menor questão de que alguem exista em nossa vida, mesmo quando o carisma foi de tal modo incontrolável que passamos a existir intensamente na vida desse alguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa muda de figura quando, enfim, há um incentivo. Quando alguem nos cativa por livre e espontânea vontade, quando esse alguem insiste em nos ligar, nos inundar com palavras de carinho, fazer questão de estar presente - fisicamente ou não - em nossas vidas, aí sim esse alguem é inteiramente responsável por nos cativar. Ele quis isso, ele trabalhou para isso. Ele não foi encantador pela sua mera existência, mas escolheu deliberadamente nos encantar, usando todas as suas armas para isso. E como afirma outra passagem do livro (e com esta eu concordo), "a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar...", sofremos um tanto quando o "sedutor" resolve pular fora. Por vezes ele faz essa escolha, e outras tantas ele simplesmente age como se nada tivesse jamais ocorrido. Como se fosse somente fantasia nossa, e não a colheita daquilo que ele plantou. É o que eu chamo de jogo sujo, de falta de caráter, e de sacanagem. O que nos resta? Chorar baldes, pintar a caveira, falar mal para os amigos, na tentativa de que aquilo se torne verdade para nós, se repetirmos com frequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que consigo concluir é simples: é preciso ter cuidado com o que se cativa. É preciso saber bem aonde pisamos, o que dizemos e de que forma o fazemos, pois as vezes criamos feridas em outros corações que jamais serão cicatrizadas. Não se pode brincar com os sentimentos de alguem como se eles fossem um daqueles jogos de bolinhas que os equilibristas jogam para cima. É infinitamente mais difícil curar uma mágoa mal resolvida do que uma doença grave. Não há remédios para um coração partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto àqueles que nos cativam, sempre fui partidária das paixões desenfreadas, de dar a cara a tapa e ver o que acontece. Continuo o sendo. É preciso, no entanto, prestar atenção se o objeto que nos cativa está, voluntariamente, o fazendo. Se não o está, aconselho terapia. Porém, se foi uma escolha dele criar esse vínculo, viva-o enquanto for possível. E torça para o melhor. Cative e se deixe ser cativado, pois a vida é feita disso, afinal. Mas lembre-se que "é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar." Essa é outra citação de &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;. E é com ela que eu termino este post.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8443127755491431203?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8443127755491431203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8443127755491431203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/01/e-o-fim-de-mais-um-dia-tao-quente-no.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7763485867139122598</id><published>2010-01-07T17:39:00.001-08:00</published><updated>2010-01-07T17:46:17.706-08:00</updated><title type='text'>Primeiro de 2010</title><content type='html'>Feliz ano novo, queridos leitores deste inóspito blog. Gosto de pensar que vocês existem. Gosto mais ainda de falar assim no plural: vocêS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem minha falha, não estou bem para escrever hoje. Estou tão irritada (e mais alguns adjetivos que cabem aqui: decepcionada, cansada, sacaneada, triste, exausta), que se eu escrevesse no calor do momento o que sinto agora, acabaria por falar besteira. Ou falar mais do que devia, algo tão comum para mim. Quando a poeira baixar, escreverei. Ou quando meu coração se acalmar, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, achei que deveria dar sinal de vida aqui. 2010 já chegou absurdamente quente no Rio de Janeiro. Entre mergulhos no mar da praia da Barra e longas temporadas no ar-condicionado, comecei o ano fazendo algo que costumava dizer que não faria: um twitter. Ha-ha. Pois é. Twitteira. Aff... Estou cada vez mais perdendo minha dignidade. Mas sabe que é interessante esse negócio? Descobri que posso seguir a Demi Moore, o Ashton Kutcher, a Ellen de Generes e a Oprah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que se interessarem:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.twitter.com/ca_pavanelli"&gt;www.twitter.com/ca_pavanelli&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijosmetwitta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7763485867139122598?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7763485867139122598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7763485867139122598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2010/01/primeiro-de-2010.html' title='Primeiro de 2010'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-1327281465050693862</id><published>2009-12-31T10:31:00.001-08:00</published><updated>2010-01-03T16:17:30.843-08:00</updated><title type='text'>Último de 2009.</title><content type='html'>Todo fim de ano é a mesma velha história. Somos inundados, voluntaria ou involuntariamente, de mensagens e pensamentos otimistas, estrategicamente planejados para acreditarmos que tudo será melhor no ano que está por vir. Adeus ano velho! No ano que vem vai todo mundo parar de fumar, emagrecer, viajar mais, ser mais tolerante. Vai todo mundo terminar a faculdade, ter coragem para mudar de emprego, achar o amor da vida. Além, muito além das individuais resoluções egoístas, esperamos a paz para o mundo, o fim dos conflitos, o extermínio de tudo aquilo que nos faz mal. Sim, adeus ano velho! Já vai tarde! No fim do ano passado, tínhamos altas expectativas para você, 2009... mas agora seu tempo acabou. 2010 será muito melhor. O futuro sempre será muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, quando fazíamos, com os corações cheios de esperança, nossos planos para esse ano que passou, ainda no fim do ano passado, ainda que tentássemos, não adivinharíamos as tantas coisas que ocorreram nesse atribulado ano. Diríamos que um brasileiro seria o homem mais rápido do mundo nas piscinas, quebrando recordes inimagináveis, como um furacão de talento, disciplina e vitórias? Diríamos que uma desconhecida, pelo simples fato de colocar um micro-vestido cor de rosa e desfilar por uma universidade (quase tão desconhecida quanto ela), viraria capa dos mais importantes jornais e revistas do país? E todas aquelas esperanças que depositamos, e foram por água abaixo... Diríamos que a convenção do clima não daria em nada? Diríamos que bandidos seriam capazes de derrubar helicópteros da polícia carioca? Diríamos que a natureza continuaria a responder de maneira feroz às mudanças climáticas, castigando São Paulo com chuvas que nunca terminam? Diríamos que, do nada, perderíamos ele... o rei do pop, o rei dos reis, o maior dos &lt;em&gt;performers&lt;/em&gt; que este mundo já viu? Diríamos que Michael Jackson morreria, dias antes de começar sua última turnê? &lt;em&gt;This is it&lt;/em&gt; para o homem que virou mito. Por fim, diríamos que Obama, aquele que veio lá debaixo, cresceu na vida, tem a família perfeita e, enfim, transformaria a América e salvaria o mundo, aquele mesmo Obama carismático e intelectualmente sedutor, enviaria 30 mil soldados a mais para o Afeganistão, pouco tempo depois de ganhar o Nobel da Paz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, 2009 foi mais do que um ano para ficarmos embasbacados com atrocidades. Nossa bandeira carrega os dizeres "Ordem e Progresso", e parece que, enfim, estamos conseguindo começar a fazer jus a essas palavras. Na capa do caderno especial do Jornal O Globo de hoje, vemos a foto de um menininho, morador de uma favela no Rio, brincando com dois policiais militares. Os três sorriam sem perceber que eram fotografados. São policiais de uma das várias Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, que começou esse ano a encurralar o tráfico na Cidade e nos fazer ter algum orgulho de nossos protetores. As favelas da Zona Sul já foram tomadas pelos Pacificadores e, ingenuidades a parte, só podemos torcer para que, no ano que vem, todas as favelas do Rio de Janeiro recebam o mesmo tratamento especial. Ainda no mérito da Ordem, a Lei Seca veio com tudo em 2009, e os números não mentem: menos acidentes e mortes no trânsito. Gente de todas as raças, credos e, principalmente, posições sociais e condições financeiras estão perdendo a carteira de motorista se não dançarem conforme a música. Foi o ano da tolerância zero no trânsito, e do resgate à tão desgastada e utópica idéia da nossa dignidade.&lt;br /&gt;O progresso tambem se fez presente. Nosso presidente Lula foi eleito o "homem do ano" pelo jornal francês Le Monde. Assinou alianças e ficou lado a lado com os mais ricos do mundo, liderando os emergentes da América Latina. E como poderíamos esquecer? Neste ano, o Rio de Janeiro foi eleita a cidade-sede das Olimpíadas de 2016, catapultando sua imagem para todo o planeta, pouco tempo depois de ter sido eleita a cidade mais feliz do mundo. A explosão de alegria nas areias de Copacabana, decorrente do anúncio do COI, mostrou que estamos dispostos a mostrar que somos muito, MUITO mais do que tráfico de drogas e estonteante beleza natural. Somos capazes de abrigar o evento mais importante do esporte mundial, e de nos impor frente àqueles que pensam tão pouco de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, foi um ano atribulado. E para mim, uma simples escritora que, mesmo contra a própria vontade, não se furta ao papel de espectadora do mundo de vez em quando, foi um ano de reflexão, e mãos a obra. Alguns sonhos foram realizados, outros apenas postergados...mas jamais esquecidos ou abandonados. Com eles aprendi que, muito mais do que clichê, é realmente verdade: TUDO é possível, basta ter fé e muita determinação. Nesse ano eu me apaixonei e me desencantei, em um processo mais longo do que deveria ter sido, e mais doloroso do que previa, mas que me fez entender que, não importa quantas vezes um coração é partido, ele sempre arruma um jeito de juntar os cacos, levantar a poeira e dar a volta por cima. Que quando amamos de verdade, perdoamos dos mais ínfimos aos mais graves erros de uma pessoa e, acima de tudo, que o simples fato de uma pessoa não nos amar da maneira que gostaríamos, isso não quer dizer que ela não goste da gente. Cabe a nós refletirmos se é assim que queremos ser tratados. Se não, bola pra frente. A vida simplesmente não pára para chorarmos ou nos lamentarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo cheia de expectativas para 2010. A beleza do futuro é a promessa de ele sempre ser melhor do que nossa vida atual. Que haja paz para minha amada cidade e para o mundo. Que os soldados americanos saiam do Afeganistão e voltem para suas casas e suas famílias. Que os líderes mundiais cheguem a um consenso útil e coerente sobre o destino do clima e do planeta. Que acreditemos na utopia de políticos honestos, e sejamos iluminados o suficiente para elegermos governantes capazes de fazer por nós tudo aquilo que esperamos deles. Que se acabem as histórias de dinheiro em cuecas, meias... que se exterminem as propinas e os mensalões. Que sejamos menos idiotas e mais raçudos, mais atuantes. E, por fim, que sejamos hexacampeões mundiais de futebol na Copa na África, para mostrar mesmo quem é que continua mandando aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feliz ano novo para todos, repleto de saúde, alegrias e realizações. Que consigamos ter forças para sorrir mesmo nas mais improváveis situações, e que sejam muito poucas aquelas que nos fazem chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo grande e até 2010,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-1327281465050693862?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1327281465050693862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1327281465050693862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/12/todo-fim-de-ano-e-mesma-velha-historia.html' title='Último de 2009.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3089518801032655694</id><published>2009-12-09T08:13:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T08:47:15.655-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/Sx_M4kzEhQI/AAAAAAAAAOI/YnxpkWOQYMw/s1600-h/robin+williams+late+show.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413270549445248258" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/Sx_M4kzEhQI/AAAAAAAAAOI/YnxpkWOQYMw/s200/robin+williams+late+show.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O post de hoje é breve. Pretende-se mais uma resposta do que uma crítica. Acontece que, na semana passada, o assunto mais falado por aqui foi o comentário do ator americano Robin Williams no programa &lt;em&gt;Late Show with David Letterman&lt;/em&gt;, um dos mais populares do país, a respeito da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Williams complicou-se ao dizer que, embora Chicago tenha enviado Oprah Winfrey e Michelle Obama para apoiarem sua candidatura, perdeu para o Rio, que enviou "cinquenta strippers e meio quilo de pó.". Por isso, algumas pessoas vieram me perguntar como &lt;em&gt;LOGO&lt;/em&gt; &lt;em&gt;EU&lt;/em&gt; não havia escrito nada sobre isso, xingando Robin de todos os nomes afinal, quem esses americanos pensam que são? Ao contrário da revolta popular, fiquei momentaneamente indignada com o fato, mas depois relevei. Como um cidadão nascido em Chicago, é perfeitamente compreensível a dor de corno do ator, afinal, como pode uma cidade como Chicago perder para uma cidade como o Rio? Chicago é... aah, gente, Chicago! Quem não conhece os mundialmente famosos pontos turísticos de Chicago? Quem nunca citou Chicago como uma das cidades mais belas de todo o mundo? Quem nunca viu nenhum elogio ao povo de Chicago por ser caloroso e acolhedor? Que absurdo, realmente! Afinal, Chicago não tem violência, é o paraíso na Terra... EUA não têm gangues, tampouco traficantes... aquilo tudo que vemos em filme é mera ficção hollywoodiana. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para analisar criticamente o comentário infeliz do ator, devemos dividi-lo em partes. Quanto às strippers, embora seja uma calúnia e o Brasil não as tenha enviado para a decisão do COI, me admira o fato de que nós, brasileiros, fiquemos tão revoltados com isso. Afinal, adoramos exaltar o nosso carnaval como a maior festa popular do mundo, uma festa onde as mulheres desfilam literalmente nuas, apenas com tinta cobrindo partes de seus corpos. E isso sem mencionar as praias brasileiras, principalmente as cariocas, das quais tanto nos orgulhamos, sempre abarrotadas de mulheres vestindo biquinis minúsculos e rebolando seus corpos bronzeados e morenos, num doce balanço a caminho do mar. Não fez a fama? Agora deita na cama! Já quanto ao meio quilo de pó, isso vou deixar mesmo por conta do Robin Williams, que já passou duas vezes por clínicas de reabilitação, em decorrência de seu vício em cocaína. Logo, acho que o ator deve ter, de fato, alguma autoridade para falar. Deve conhecer bem o pó brasileiro, em suas andanças por aí. O que talvez Williams não tenha realizado é que, ao tentar fazer pouco do Rio de Janeiro, acabou por diminuir simplesmente a mais influente mulher da televisão em todo o mundo e a primeira dama de seu próprio país, ao dizer que nem mulheres desse porte podem vencer strippers de terceiro mundo e "a pound of blow", em suas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou admiradora do trabalho de Robin Williams em seu viés dramático, como em &lt;em&gt;Good Will Hunting&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Dead Poets Society&lt;/em&gt;, por isso não posso entrar nesse mérito. A razão pela qual nada disse até agora é um pouco mais simples. Com senadores corruptos sendo descobertos em Brasília, com a Cúpula do Clima em Coppenhagen acontecendo e decidindo qual vai ser, literalmente, o futuro do nosso planeta - se teremos verões de 50º daqui a poucos anos, se os oceanos comerão as cidades costeiras, se tsunamis serão mais e mais frequentes - acho que tenho um pouco mais com o que me preocupar, do que com uma reles comentário banal de Robin Williams. Sim, acho que ele não o deveria ter feito, mas de uma pessoa que disse que "Cocaína é a maneira de Deus lhe dizer que você está muito rico", eu espero qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3089518801032655694?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3089518801032655694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3089518801032655694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/12/o-post-de-hoje-e-breve.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/Sx_M4kzEhQI/AAAAAAAAAOI/YnxpkWOQYMw/s72-c/robin+williams+late+show.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3471353846544366510</id><published>2009-11-29T07:35:00.000-08:00</published><updated>2009-11-29T08:31:49.819-08:00</updated><title type='text'>Meryl com manteiga, com afeto.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SxKgVEhaRiI/AAAAAAAAAOA/wzcOSepZ5Qc/s1600/julie+e+julia.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 135px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409562386276959778" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SxKgVEhaRiI/AAAAAAAAAOA/wzcOSepZ5Qc/s200/julie+e+julia.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Julie &amp;amp; Julia" (&lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt;, de Nora Ephron, EUA 2009), é um filme perigoso. Daqueles em que já há uma pré-disposição a se gostar, antes mesmo de entrar no cinema. Há Meryl Streep... esplendorosa, incrivelmente versátil, enchendo a tela com um tipo raro de talento que é capaz de segurar o filme sozinho. Há uma história baseada em fatos reais, uma jornada de superação de uma mulher de classe média americana, insatisfeita com sua vida, incapaz de não deixar tarefas inacabadas, que encontra inspiração em um livro de receitas escrito por uma outra mulher anos antes, e passa a fazer daquilo um projeto de vida: 524 receitas em 365 dias, com todas as experiências devidamente registradas em um blog. Há as boas atuações de Stanley Tucci e Amy Adams. Há romance, dois casamentos praticamente perfeitos, que superam crises e esfregam na cara do mundo que este tipo de relacionamento é possível. E há, por fim, comida. Muita comida. Se você não entrar na sala de cinema de barriga cheia, certamente sairá com fome de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantos ingredientes cuidadosamente escolhidos para um efeito quase infalível no coração e no estômago do espectador, fica difícil entender por que &lt;em&gt;Julie &amp;amp; Julia&lt;/em&gt; não é tão apaixonante assim. Nora Ephron começa bem, com uma montagem paralela que de cara nos faz entender que se trata de duas histórias distintas, que ocorreram em épocas diferentes, mas que de alguma forma se relacionam uma com a outra. Ambas começam em um processo de mudança - de bairro ou de país -, tanto Julie quanto Julia sentem-se insatisfeitas, infelizes com as vidas sem substância que vivem. Ao mesmo tempo em que, no presente, Julie encontra em Julia uma inspiração para sair da rotina de seu apartamentinho no Queens e seu trabalho insosso, Julia, em uma Paris da metade do século XX, encontra na culinária uma válvula de escape, um entusiasmo criador, uma maneira de juntar a paixão por comer com algo realmente animador e construtivo. É notável a boa construção do roteiro, ao intercalar as duas histórias. Mas parou por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrompendo a espiral crescente de entusiasmo e graça que o filme proporcionava, ele começa a decair a partir das tentativas de Julie fazer uma lagosta. É quando, então, a película se afirma como uma cine-biografia, e os 123 minutos de duração parecem estender-se por quatro horas e meia. Talvez eu o tenha ido assistir em um horário ingrato, uma sessão de meia noite e quinze, mas continuo acreditando que um bom filme é aquele que nos deixa ligados do início ao fim, seja as três da tarde ou as três da manhã. Assim como Ephron foi feliz no início de seu roteiro, ela parece ter se perdido na metade para o final, não sabendo mais exatamente como intercalar aquelas duas histórias de forma que não se tornasse algo entediante. Cine-biografias são complicadas, isso é um fato, pois trata-se da vida de uma pessoa, que por mais incrível, inspiradora e fora dos padrões que seja, continua o dia-a-dia de alguem, e nem todos os dias, nem todos os anos, são tão interessantes assim. É o conjunto o que vale. Logo, somos arrastados mais de uma hora por todo o projeto de Julie com suas 524 receitas. E a odisséia para se desossar um pato acaba por deixar claro que isto não é, no fim das contas, tão emocionante assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fica é a boa e velha mensagem preferida de Hollywood: não desista dos seus sonhos, há sempre uma luz no fim do túnel, basta ter perseverança. É certo que a personagem de Amy tende mesmo a se deixar influenciar mais do que o normal pela personagem de Meryl, transformando-se em uma fã fanática, quase uma &lt;em&gt;groupie&lt;/em&gt; enlouquecida. Mas é preciso dar um desconto, uma pausa na pré-implicância gratuita com produtos americanos &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt; e, por fim, nos deixar levar pela esperança, que no filme se impõe como uma certeza, de que podemos enxergar no outro uma razão e um motivo para seguirmos em frente, para darmos a cara a tapa, sem medo de errar. Pode ser um pouco exagerado dizer que o livro de Julia Child na vida real, &lt;em&gt;"Mastering the Art of French Cooking"&lt;/em&gt;, tenha realmente mudado o mundo, como o disse seu marido, Paul Child. Todavia, ele definitivamente mudou a de Julie Powell, autora do livro que deu origem ao filme, e é certo que tocou mais uma meia dúzia de almas por aí. Há pessoas que encontram a salvação na precisão e da delicadeza necessárias para o preparo de um prato mais sofisticado, o que nos faz perceber que esta salvação pode estar em qualquer lugar, escondida nos cantos mais improváveis das vidas mais monótonas. O que vale é que, de uma forma ou de outra, ela está sempre ali. E é esta a lição que deve ficar. &lt;em&gt;Bon Appetit!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3471353846544366510?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3471353846544366510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3471353846544366510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/11/meryl-com-manteiga-com-carinho.html' title='Meryl com manteiga, com afeto.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SxKgVEhaRiI/AAAAAAAAAOA/wzcOSepZ5Qc/s72-c/julie+e+julia.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-1414115343039670517</id><published>2009-10-23T09:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T09:32:39.777-07:00</updated><title type='text'>A Faixa de Gaza é aqui.</title><content type='html'>O Rio de Janeiro continua lindo... continua sendo... aquele abraço pra galera de Realengo. Continua sendo a sede dos Jogos Olímpicos de 2016... continua com estonteantes praias... belas paisagens... quando Deus o desenhou, ele estava namorando. Sou sempre a primeira a defender a minha cidade, compro briga mesmo, e não me canso de exaltar essas tais belezes que, simplesmente ao olha-las, nos faz ter a mais plena certeza de que Deus existe. Mas uma foto no jornal O Globo desses dias me chocou: em algum lugar da Zona Norte da cidade, o corpo de um homem jazia dentro de um carrinho de supermercado, no meio da rua, enquanto transeuntes por ali passavam como se nada estivesse acontecendo. Olha, acontecendo estava... tinha um homem morto ali a menos de um metro deles. Isto já seria macabro o suficiente, mas o problema é maior do que a morte em si. O problema é que essas mortes se tornaram normais, e passamos por elas com a mesma naturalidade que passamos pelas belezas cariocas. O belo e o horroroso, o sublime e o medonho, o mágico e o real amargo convivem ali, lado a lado, todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último feriado estive em São Paulo, e durante uma conversa em uma mesa, um homem que havia acabado de conhecer me perguntou como estava o Rio. É sempre assim, quando eu saio daqui, e sempre respondo de bom grado, cheia de orgulho, o mais clichê "continua lindo...". Daí ele emendou com outra pergunta: "e a violência, como está?". Sempre achei uma sacanagem o que fazem com o Rio, pois fora daqui, tudo que se vende é que no Rio de Janeiro só há violência, que as pessoas andam amedrontadas na rua, que são assaltadas todos os dias e, principalmente, que balas perdidas acontecem em todos os bairros, em todos os momentos. Sempre fiquei bastante irritada com isso tudo, pois nunca me aconteceu nada aqui, diferente de outros lugares. Sempre enxerguei o Rio de Janeiro como o &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; lugar, o local que me acolhe, onde eu me sinto em casa, onde eu me sinto melhor. Sempre, até dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza é ofuscada quando, em dois dias, mais de vinte pessoas morrem em confrontos de traficantes de morros rivais, que conseguiram arquitetar, armar e executar uma verdadeira guerra civil em plena Cidade Maravilhosa. Mais do que me entristece, isso me revolta. Quanto mais teremos que esperar, quantas pessoas mais terão que morrer, quantos crimes hediondos a mais terão que acontecer para percebermos que essa situação já fugiu do controle dos cidadãos e das autoridades? Por falar nelas... onde estão as autoridades? Temos uma polícia corrupta, que compactua com esses mesmos bandidos, e um Governo Federal &lt;strong&gt;INCOMPETENTE&lt;/strong&gt; que está mais interessado em fazer campanha política das obras de transposição do rio São Francisco quando, na verdade, era com outro Rio que deveria se preocupar. Não temos mais em quem confiar, a não ser em nós mesmos, e na esperteza de não frequentar tais lugares depois de certos horários, de saber por onde andar, e etc. Não que isso não aconteça em mais vários outros lugares, do Brasil inclusive. Não venham me dizer que é só no Rio! A diferença é que, ao contrário de outras cidades, em que as periferias são distantes dos grandes centros e, assim, a pobreza está distante dos olhos e do coração, no Rio de Janeiro ela está ali, dividindo espaço com os cartões postais. Está no menino que joga bolinhas no sinal, nas famílias de bem que moram em favelas, convivem com o medo diariamente cara a cara e perdem entes queridos e batalhas com as quais elas não tem nada a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi somente um desabafo, de quem já se cansou de não ver nada acontecer, de ter os próprios governantes - aqueles que eu, e você, ajudamos a colocar lá onde estão - e a parte corrupta da polícia ajudar a destruir uma cidade que, sem toda essa confusão seria, sim, perfeita. Porque a beleza é perfeita, o povo é perfeito, o clima é perfeito. Mas não dá mais pra conviver com a supremacia de bandidos que são muito mais organizados e competentes do que os orgãos responsáveis por nos proteger, e por acabar com eles. Não quero esperar até 2016 para ver o exército nas ruas garantindo a segurança dos Jogos e saber, com as mais absolutas convicção e certeza, de que posso andar livremente, por todo e qualquer lugar, em qualquer horário, sem que nada me aconteça.&lt;br /&gt;O Rio de Janeiro só terá jeito quando cada um de nós, cidadãos que amam a cidade, enxergarem que nada disso é normal. Pode ser comum, infelizmente, mas não é normal. &lt;strong&gt;NÃO PODE&lt;/strong&gt; ser normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a memória de Tim Lopes nunca se apague, assim como a das pessoas de bem que perderam suas vidas nos recentes conflitos em Vila Isabel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-1414115343039670517?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1414115343039670517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1414115343039670517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/10/o-rio-de-janeiro-continua-lindo.html' title='A Faixa de Gaza é aqui.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4432659908246976881</id><published>2009-10-19T16:46:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T17:36:19.810-07:00</updated><title type='text'>Te amarei para sempre, ou até que você suma de novo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/St0FyKKR0KI/AAAAAAAAANw/5YSqpbT6Gpk/s1600-h/time+traveler%27s+wifw.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 135px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394474287938785442" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/St0FyKKR0KI/AAAAAAAAANw/5YSqpbT6Gpk/s200/time+traveler%27s+wifw.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem me conhece minimamente, ou pelo menos quem se dá ao trabalho de ler esse blog com alguma frequência, sabe que eu sou caidinha por Hollywood. Uma vergonha para os estudantes de Cinema do Brasil, eu sei! Porém, como não sou mais uma estudante, tampouco me formei em Cinema, e sim em Comunicação Social (embora tenha me habilitado em Cinema), posso me dar ao luxo de flertar com esse incrível e insosso cinema pipoca de massa sem correr o risco de ser enxotada para algum tipo de exílio intelectual virtual (não que eu, exatamente, me importasse com isso em outros tempos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estou aqui para elogiar, não dessa vez. Uma das várias indiscutíveis facetas hollywoodianas é a capacidade de nos fazer debulhar em lágrimas com historinhas água-com-açucar. Pelo menos, comigo isso sempre acontece. Tem dias que me bate uma solidão tão profunda que eu sei que somente uma coisa em todo o mundo pode remediar a minha dor: o cinema. E lá que eu me abrigo, naquela sala escura, circundada por completos estranhos que não me vêem, não me enxergam, não se importam comigo. Escolho a dedo um filme bem dramático, uma tragédia, uma história de superação ou um romance mela-cueca que eu sei que, sem dúvidas, vai fazer com que as lágrimas brotem sem o menor esforço, e sairei de lá revigorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso o que procurei ao assistir "Te Amarei Para Sempre" (&lt;em&gt;The Time Traveler's Wife&lt;/em&gt;, de Robert Schwentke), mas meu intuito foi por água abaixo. Uma história sobre uma mulher que se apaixona por um homem que, por sua vez, possui a condição (ou a maldição) de viajar no tempo sem que ele tenha o menor controle sobre isso, o que a faz sofrer com as repentinas ausências de seu amado... fato que era garantia para uma boa dose de emoção falsificada. Não aconteceu.&lt;br /&gt;Para começar, o protagonista Eric Bana (ele mesmo, o "Incrível" Hulk), não tem carisma algum na tela, e em vários momentos parece um tiozão mais velho de Rachel McAdams, a tal esposa. Ela sim, é absolutamente encantadora, e tem o par de olhos mais significativos dessa nova geração de atores americanos. Entretanto, em vários momentos, a narrativa é confusa, e o espectador passa mais tempo tentando entender se, afinal, o personagem de Eric vai do presente para o passado, do presente para o futuro ou se, no final das contas, ele vive no futuro e somente volta no tempo, e por que ele lembra de alguns eventos que ele viu em outros tempos e não se lembra de outros, do que de fato tentando se envolver na história. Eis aqui a minha crítica, que talvez seja, inclusive, criticada por muitos: um dos méritos de Hollywood é o de fazer histórias sobre as quais não precisamos pensar muito, somente nos deixar envolver, sonhar, querer aquilo em nossas próprias vidas e, ao final, consumir! &lt;em&gt;"Te Amarei Para Sempre"&lt;/em&gt; é baseado no livro homônimo de Audrey Niffenegger, o qual eu não li, mas suspeito que seja melhor narrado do que o roteiro adaptado de Bruce Joel Rubin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora do Cinema com meu objetivo de debulhar-me em lágrimas completamente fracassado. Porém, ao chegar em casa, não pude furtar-me a pensar sobre o enredo principal do filme, e que vem a ser um dos meus assuntos principais, nos textos que escrevo e na vida: o tempo. Em algum momento da vida, todos pensamos como seria ótimo poder viajar no tempo. Assim, poderíamos reviver momentos felizes, brincar novamente com aquele nosso cachorrinho que morreu, matar saudades de tempos vividos, e até mesmo rirmos da nossa própria coragem por ter feito "aquele" corte de cabelo. Assim como seria possível, em nossos devaneios, voltar ao passado, tambem poderíamos viajar para o futuro, caso essa condição/maldição do personagem de Bana no filme realmente existisse. Dessa forma, veríamos como seríamos mais velhos, quais seriam os rostos dos nossos filhos, em que momento de nossas carreiras estaríamos em 5 ou 10 anos. Poderíamos, inclusive, começar a tomar cuidado ao tomar sol, a parar de comer besteiras, a realmente visitar o cardiologista uma vez por ano. Seria incrível ter esse controle de nossas próprias vidas, não seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, cheguei a conclusão de que não seria. Se pudéssemos voltar ao passado e reviver, ou rever, algumas situações, teríamos, então, o poder de mudá-las? Se pudéssemos, acabaríamos por mexer na ordem maior do tempo, no livre arbítrio das outras pessoas e nos tornaríamos, então, Deus. E isso seria catastrófico, pois imagine se mais de uma pessoa pudesse voltar no tempo e modificar um mesmo evento, de acordo com suas vontades pessoais? Verdadeiras guerras poderiam acontecer! No caso do filme, o personagem de Eric não podia modificar aquelas coisas que ele via no passado. Supondo que isso fosse possível na vida real, imagine que dor excruciante seria ter que rever aquele ente tão querido morrer, sem nada poder fazer para salvá-lo? Ou assistir o amor da sua vida indo embora sem que você pudesse chamá-lo para dizer "Não vai, não... fica comigo! Foi um erro não ficarmos juntos, você vai ver lá na frente!".&lt;br /&gt;Mais grave, ao meu ver, seria a possibilidade de vermos o que aconteceria no nosso futuro, caso ele fosse realmente um caminho reto, sobre o qual não temos a menor escolha. E se víssemos que aquela faculdade que estamos fazendo não vai dar em nada, pois jamais seremos bem sucedidos naquela profissão? E se estivéssemos a um dia do nosso casamento com aquela pessoa mais especial do mundo, e descobríssemos que nos divorciaríamos em dois anos? E se contraíssemos uma doença sem cura, ficássemos irremediavelmente infelizes? É claro que todos gostaríamos de ver que nossas vidas futuras seriam um mar de rosas, mas e se não fosse assim? De tudo isso, o mais instigante é: se pudéssemos, de fato, ver o que aconteceria em nossas vidas, mudaríamos nossas escolhas? Mudaríamos de faculdade? Cancelaríamos o casamento? Pararíamos de fumar? E se não pudéssemos mudar, estaríamos para sempre condenados e fadados a escolhas fracassadas que nos levariam, por fim, a vida que não sonhamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todas essas perguntas, a única conclusão que consigo chegar é a de que existe, realmente, um motivo para a ordem natural das coisas ser do jeito que ela é. E esse filme só reforçou dois verdadeiros dogmas que tenho em minha vida: o primeiro, é tentar ao máximo aproveitar cada momento, cada dia, pois ele realmente não volta mais, nunca mais. Não me rendo, aqui, ao clichê do carpe diem e da "vida louca, vida breve", como muitos jovens gostam de clamar, mas me refiro a sincera experiência de aprendizado diário, e tentativa de proveito máximo. O segundo é minha completa descrença em cartomantes e &lt;em&gt;fortune-tellers&lt;/em&gt; em geral, pelo simples fato de que, se pudéssemos saber o que vai acontecer em nossas vidas, teríamos um controle que não nos convém, e abriríamos mão de um dos nossos maiores bens: o livre-arbítrio. Além disso, estaria assumindo que a vida é, realmente, uma estrada traçada, o que muitos chamam de destino, e não um caminho que trilhamos com as nossas escolhas, certas ou erradas, mas sempre proveitosas, de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder de inverter a ordem do Tempo, esse grande Tempo que tanto me atormenta, só é possível por meio da deliciosa magia do Cinema.&lt;br /&gt;Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4432659908246976881?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4432659908246976881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4432659908246976881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/10/resenha-te-amarei-para-sempre.html' title='Te amarei para sempre, ou até que você suma de novo.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/St0FyKKR0KI/AAAAAAAAANw/5YSqpbT6Gpk/s72-c/time+traveler%27s+wifw.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5604232390132668195</id><published>2009-10-17T10:31:00.001-07:00</published><updated>2009-10-17T10:53:52.861-07:00</updated><title type='text'>Ôr, ô-ôr... Cada um com seu ditador.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/StoEdYajzFI/AAAAAAAAANo/doHjeGUp-DA/s1600-h/zelaya.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 177px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393628406546156626" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/StoEdYajzFI/AAAAAAAAANo/doHjeGUp-DA/s200/zelaya.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Começo já pedindo que perdoem a minha ignorância aqueles mais politicamente engajados, mas eu desafio qualquer cidadão brasileiro comum (excetuando-se, talvez, os estudiosos e professores de Geografia), a apontar para mim no mapa onde fica Honduras. Se me disser que fica na América Central já está valendo, embora eu vá compreender se o humilde leitor achar que fica na América do Sul. Ok, América Central. Mas onde da América Central? Ficaria ali perto de Cuba? Ou de Porto Rico? Não, na verdade, Honduras fica perto da Nicarágua e da Guatemala. E é evidente que eu não sabia disso previamente, mas mais uma vez o Google Maps me localizou.&lt;br /&gt;Não se trata de burrice, mas de falta de importância mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mudou a minha vida saber onde fica Honduras. Entretando, nas últimas semanas, esse pequeníssimo país tem sacolejado a vida política da nossa Pátria Amada - e Equivocada. Tudo porque o tal do Zelaya foi se abrigar na nossa embaixada, sem nem sequer pedir asilo político, simplesmente valendo-se do fato de que embaixadas são consideradas território estrangeiro, Logo, se um outro país invadi-la, é caso de guerra séria. Lá, praticamente montou um escritório particular, e discursava para os seus fiéis e fanáticos seguidores como se estivesse em um palanque, ou na varanda da sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entrarei nem no mérito de me questionar por que o Brasil tem uma embaixada em um país tão sem importância no cenário mundial, para não correr o risco de entrar na ignorância diplomática. Todavia, uma outra pergunta cabe aqui: alguem já tinha ouvido falar no Zelaya, antes de ele estampar as primeiras páginas de nossos mais importantes jornais? Alguem, de fato, se importa com quem deu o golpe primeiro? Afinal, por que estamos dando tanta importância a Zelaya?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errado, muito errado. Sinceramente, acho tudo isso uma vergonha. Mais um motivo para sermos chacota mundial. Zelaya é um aprendiz de Chávez, o que nem em mil anos pode significar boa coisa. Foi ele, inclusive, que ajudou Zelaya a voltar escondido para Honduras, de onde tinha sido expulso, pois, entre outras pérolas, queria mudar a constituição de seu país para que pudesse permanecer por muito mais tempo no poder, tal qual o fez Chávez. Agora, por que ele não pediu asilo na embaixada venezuelana? Por que ele tinha que meter o nariz logo na nossa? A resposta para isso é fácil: porque o Chávez é muito mais malandro que o Lula, que só se acha esperto. Ele é "o cara", afinal. O Obama não disse? Então, se o Obama disse, tá dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problemas diplomáticos à parte, a grande vergonha é, a meu ver, que nossos governantes estão fazendo exatamente o que sempre criticaram em nações poderosas, como os Estados Unidos: a prática do Imperialismo. O nem-um-pouco saudoso Bush não tinha nada que se meter nos assuntos do Iraque, não é mesmo? Então, por que estamos nós apitando no que acontece com Honduras? WHO CARES ABOUT HONDURAS????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma vergonha, de fato. Nem quando tentamos dar uma de importantes, mostrar que podemos ser Imperialistas também, fazemos isso certo. Nem mesmo escolhemos um país relevante para meter o bedelho, tem que ser logo algo tipo Honduras. República de Bananas, é o que somos. Errado, muito errado...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5604232390132668195?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5604232390132668195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5604232390132668195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/10/or-o-or-cada-um-com-seu-ditador.html' title='Ôr, ô-ôr... Cada um com seu ditador.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/StoEdYajzFI/AAAAAAAAANo/doHjeGUp-DA/s72-c/zelaya.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-6639209156884439259</id><published>2009-10-12T10:21:00.001-07:00</published><updated>2009-10-12T10:53:31.806-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dizem que o tempo cura tudo. Falácia dos tempos, doce ilusão dos corações esperançosos por uma rendição, ingênua certeza no poder dos dias. O tempo não cura nada, ele somente mascara um sentimento que, sozinho, se cansa de existir. Os dias passam, os meses passam, até os anos passam, e novas preocupações e problemas surgem pelo caminho, tomando lugar de outros, já velhos conhecidos. É como uma ferida. Com o tempo, nos acostumamos e ela para de doer, momentaneamente. Por vezes até esquecemos que ela estava ali. Mas se batemos aquele local ferido em algum lugar, se derramamos sem querer alguma coisa nele, a ferida volta a doer.  E aquela dor vem com tudo, impiedosamente nos lembrando da tortura que era senti-la antes. Assim como o tempo nada cura, são também falaciosas aquelas teorias populares que insistem em afirmar que, para curar uma paixão, só com outra. Ou que um novo corte de cabelo é capaz de superar desilusões, como se elas fossem embora junto com as madeixas. Ou até mesmo que um bom porre, ou uma enorme panela de brigadeiro, têm o poder de curar dores de cotovelo. Eles nada fazem além de nos fazer engordar e, quando se passa o efeito anestésico, sentirmos que não havia absolutamente nenhum motivo prático para aquilo.&lt;br /&gt;Assim, se um dia você se machucou, ou se alguem te machucou, pode estar certo de que você pode até superar este confronto interno, amenizar esta situação quando outras tantas mágoas aparecerem, e viver bem - com sorte, muito bem - com isso. Vence-se a batalha, porém nunca a guerra. Como um vírus da gripe que nunca sai do seu organismo, e em qualquer recaída da sua saúde, qualquer momento de imunidade baixa,  ele ataca novamente. Não é uma questão de perdão, mas de memória.&lt;br /&gt;Viva com suas mágoas e suas dores, tente encará-las como cicatrizes, ou até mesmo belas tatuagens gravadas na sua pele, que preenchem seu corpo e contam a sua história, afinal elas são, também, parte da sua vida, e te fazem quem você é. Acima de tudo, procure fazer o seu melhor para não machucar ninguem, pois aquela pessoa tambem terá que lidar com isso para sempre. Porém, não se iluda, não se engane e não se prenda à esperança de que o tempo vai, por si só, fazer desaparecer tudo aquilo que te corrói hoje. Mas não se desespere! Não se prenda em uma bolha, não desista de interagir com as pessoas, não tenha medo de se arriscar em paixões e loucuras. A dor é física, e ela pode ser boa. Ela é a evidência amarga, porém profícua, de que ainda sentimos algo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-6639209156884439259?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6639209156884439259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6639209156884439259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/10/dizem-que-o-tempo-cura-tudo.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7509983664714310636</id><published>2009-08-17T13:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T13:37:29.397-07:00</updated><title type='text'>Carolina vesus a Gripe A.</title><content type='html'>Quando tinha uns onze anos, li um livro chamado “O Diário de um Adolescente Hipocondríaco”, e tive um daqueles momentos de revelação na vida. Descobri que aquilo que eu era não era um surto particular meu, e que tinha um nome e mais um monte de gente igual a mim. Sempre achei muito esquisita a minha mania, que existe desde que me entendo por gente, de andar bom uma bolsinha de remédios na bolsa. Ando sempre com Tylenol, Tylenol DC, Postan, Buscopan, Engov, Fluviral, Luftal e Plasil, além de pacotinhos daqueles de sal que todo mundo rouba de mesas de restaurante, para caso a pressão baixar. Na gavetinha da minha mesa de cabeceira, bem ao lado da minha cama, tenho a postos um termômetro e um pote de Passiflorine (calmantezinho leve pra dormir, coisa besta, tenho insônia quando fico nervosa). A qualquer pequeno sinal de alteração na minha temperatura, já coloco o termômetro para me certificar de que está tudo bem. No primeiro espirro, quando a garganta começa a arranhar, não hesito e entro logo no antibiótico. Não consigo conceber como algumas pessoas simplesmente suportam ficar sentindo dor física, principalmente aquelas que podemos evitar, como uma dor de cabeça ou dor de dente. E nada disso por ser extremamente cuidadosa com a minha saúde, afinal eu sou uma fumante. Acho que sou só meio freak mesmo. Mas assumo minha hipocondria como outros assumem que são viciados em sexo, alcoólatras, adoradores de seitas estranhas, ou fãs dos Jonas Brothers. E vivo bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse cenário, pode-se imaginar como estou neurótica com essa tal de Gripe A. Acompanho com veemência cada nova informação dos infectologistas nos jornais, e juro que já procurei saber onde vende o tal do Tamiflu. Estou com medo de tocar em qualquer coisa na rua. Demoro duas vezes mais em banheiros públicos, pois procuro não encostar minhas mãos em absolutamente nada. Empurro a porta com o corpo, uso um papel para apertar a descarga e para abrir a porta. Tomo o maior cuidado do planeta em não colocar as mãos nos olhos, boca ou nariz, enquanto estou na rua, porque dizem que se você tocar em algum lugar que alguém com gripe suína tocou, ou mesmo apertar as mãos de alguém com o vírus, e depois encostar a mão em um desses três lugares do seu rosto, já era! A suína te pegou de jeito.&lt;br /&gt;Além disso, chego em casa e, antes de qualquer coisa, lavo muito bem as mãos, ensaboando umas três vezes. Se os médicos estão recomendando, é isso que eu faço. Tenho evitado de ficar em lugares fechados e com grandes aglomerações, olho de cara feia quando alguém espirra ou tosse do meu lado sem o cuidado de colocar a mão na frente, e estou cogitando a possibilidade de comprar um gelzinho pra levar na bolsa. Não parei de viver minha vida, é claro, mas não dou sorte para o azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bicho ta pegando, a coisa ta ficando feia. E tem gente que ainda não se tocou nisso. Uma em quatro pessoas, na população mundial, vai pegar essa gripe. É uma pandemia séria, pior do que a ameaça do envelope com Antrax há alguns anos atrás, ou aquele mito de abrir um pote com varíola em um metrô em Nova York. Porque a Gripe A está bem aí, no nosso vizinho, no amiguinho da escola do seu filho que passou as férias na Disney, no seu colega da academia que foi pra Buenos Aires nas férias. Ela é uma ameaça e uma realidade, e está em todo lugar, se fazendo presente justamente na forma mais simples de doença, que todo mundo lida com naturalidade: uma gripe. Tenho, sim, sérias razões para estar com medo. E é por isso que, hoje, agradeço pela minha hipocondria, pois estou muito mais alerta do que os demais para os primeiros sinais de qualquer coisa errada no meu organismo. A neurose, as vezes, te ajuda a sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto está tudo bem comigo, e assim pretendo permanecer. Continuo acompanhando as notícias, e torcendo para que os infectologistas encontrem logo uma solução mais imediata, pois se a vacina realmente só chegar por aqui em março de 2010, a coisa vai ficar ainda mais feia. Só posso dizer que, diante de todos esses cuidados, tenho a mais absoluta razão de, se por acaso algo acontecer (toc toc toc, três vezes na madeira), mais do que amedrontada ao máximo, eu vou ficar é bastante irritada. Logo eu? A garota dos remédios na bolsa? Aquela que não sai de casa quando está com febre? Ah não... é muita sacanagem eu pegar a gripe suína! Suína! Logo eu, que sou filiada ao PETA e não como bacon! Desculpa, mas acho que eu mereço um certo desconto. Nada mais justo do que eu estar lá no final da fila, mais imune que os demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, permaneço me cuidando, enquanto a suína ronda nossas portas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;And isn't it ironic? Don't you think...?&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7509983664714310636?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7509983664714310636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7509983664714310636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/08/carolina-vesus-gripe.html' title='Carolina vesus a Gripe A.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8029791844588648933</id><published>2009-08-06T17:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T17:43:50.288-07:00</updated><title type='text'>Sobre certezas.</title><content type='html'>Aqui em casa rola uma espécie de clube do livro. Meu pai e eu temos uma mini-biblioteca em um cômodo acoplado à cozinha que, teoricamente, serviria como quartinho de empregada. Lá, guardamos como tesouros grandes livros, clássicos ou não, mas alguns meus, alguns dele – talvez esteja aí uma das origens de minha nerdice aguda. Além disso, meu pai costuma trocar de livros com amigos, numa espécie de escambo intelectual temporário, no qual o livro volta para seu dono original. E não importa exatamente o gênero ou o gosto. Simplesmente eles separam livros que gostaram e emprestam uns para os outros. Funciona, pois assim não se precisa comprar todos os livros que se quer ler (sim, eu sei que isso é um sacrilégio vindo de uma escritora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, na última rodada de empréstimos, chegou aqui em casa um livro do Jabor. E como eu sou mais rápida no gatilho, já o separei para ler antes que meu pai o pegasse. E tenho devorado as crônicas de &lt;em&gt;“Porno Política – paixões e taras na vida brasileira”&lt;/em&gt;, assim como eu devoro todo e qualquer texto ou filme que venha de Jabor. Uma delas, porém, me chamou a atenção de forma especial. E, surpreendentemente, dessa vez não pelo conteúdo. Jabor falava sobre uma de suas paixões e mulheres – ele teve muitas – e discorrendo sobre as entrelinhas e meandros do amor, ele soltou uma definição que me deixou encucada. Ele falou sobre "certezas imediatas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando no que seriam essas tais certezas imediatas, quando se trata de amor. E concluí que, na verdade, elas não existem no amor, e sim na paixão. E, pensando comigo mesma, concluí que são aquelas confianças inabaláveis que nos arrematam em toda e qualquer paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonados, temos a mais absoluta certeza de que aquela não é somente mais uma pessoa, mas "a" pessoa. E que ninguém nos questione sobre isso, pois simplesmente não conseguimos compreender como os outros não conseguem enxergar o que é tão claro para nós. Ficamos absolutamente certos de que aquele beijo é o melhor beijo, aquele abraço é o melhor abraço, que em uma população de 6 bilhões de pessoas no mundo não há ninguém igual &lt;em&gt;aquela&lt;/em&gt; pessoa. E que você vai ficar a vida inteira com ela, claro que vai. Simplesmente porque vai, porque é assim que tem que ser, você tem certeza disso. E elas todas, as certezas, vêm com uma rapidez impressionante. São imediatas, afinal. Batemos o olho e sabemos, nada mais é preciso.&lt;br /&gt;Até aí, pode-se dizer que essas sensações são gostosas, e de certa forma até saudáveis. É uma delícia se apaixonar assim, e fazer planos e mais planos. As tais certezas imediatas, entretanto, passam a ser perigosas quando elas começam, pouco a pouco, a nos cegar. Ficamos tão inquestionavelmente certos de que aquilo que sentimos é a verdade absoluta, quase dogmática, que não enxergamos as pequenas e dolorosas falhas nesses posicionamentos tão absolutos. Quando o fogo baixa é quando começamos a perceber que essas certezas não são baseadas em argumentos concretos ou em fatos consumados, mas pura e simplesmente no que sentimos. E como muitas vezes, como já disse o poeta, "as idéias não correspondem aos fatos", passamos a nos perguntar se ainda temos tanta certeza mesmo daquilo tudo. Aos poucos, aquela pessoa tão absurdamente especial, tão incrivelmente feita sobre medida pra você, talvez – talvez mesmo – não seja enfim aquela com quem você vai envelhecer ao lado. E isso porque finalmente assimilamos que, infelizmente, não basta só um lado da história ser tão certo assim quanto a isso. Experimentamos outros beijos e vemos que, ainda que aquele tenha sido delicioso, há outros muito bons também. E, então, quando a paixão esfria, as certezas se esvaem. O que fica, muitas vezes, é uma mágoa que só passa com o tempo, mas acaba passando, eventualmente. As vezes ficam também fotos cortadas, cartas que nunca foram enviadas, e umas tatuagens com o nome dele ou dela em partes sugestivas do corpo, mas nada que umas sessões a laser não curem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande questão é quando a paixão abaixa e as certezas ficam. E, então, elas se modificam um pouco. Elas não são mais tão imediatas, e passam a ser acompanhadas de leves dúvidas. Saudáveis, todavia. Mas ainda assim, permanecem certezas. Ainda sabemos – simplesmente sabemos – que aquela pessoa é especial demais, que ela mexeu conosco de forma única e nova. De que aquele beijo é, sim, talvez não melhor, mas muito mais deliciosamente particular do que todos os outros, até os que ainda não experimentamos. E que, mesmo que talvez, por ironia ou implicância da vida, não casemos com aquela pessoa para sermos felizes para sempre em uma linda casa com filhos e cachorros, isso realmente só aconteceria se desse tudo errado. Preferimos, porém, acreditar que tudo vai dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mudou, então?&lt;br /&gt;O sentimento mudou. A paixão se transformou em algo muito maior, e ainda mais angustiante. Ela se transformou em amor. E no amor, não temos tantas certezas assim. Na verdade, temos muito mais dúvidas, em uma desproporção enorme em relação às certezas dogmáticas. Ainda assim, se somos tão certos quanto a algo que não é racionalmente explicado ou comprovado, mas pautado somente no que sentimos dentro de nós, é porque alguma coisa ali faz sentido. Não se sabe tanto, não se sente tanto, se for a toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo – melhor remédio e psicólogo que se pode ter – vai poder dizer se nossas certezas eram coerentes, ou se foram por água abaixo. Enquanto isso, não vejo absolutamente nenhum mal em sentir isso, contanto que não te faça mal. Porque &lt;em&gt;isso&lt;/em&gt; é amor, e ao contrário de certas teorias e visões que correm por aí, o amor não foi feito para te fazer mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter certeza não é um crime. E amar, acredite, não dói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8029791844588648933?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8029791844588648933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8029791844588648933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/08/sobre-certezas.html' title='Sobre certezas.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-6691070955837844115</id><published>2009-08-02T16:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T17:02:06.500-07:00</updated><title type='text'>Lá vem a noiva.</title><content type='html'>Casamentos me comovem. É sempre assim. Fico ansiosa esperando a noiva entrar, choro quando ela entra, choro nos votos, choro quando os noivos saem, choro na primeira dança. E estranho a reação estática e fria que muitas pessoas têm a isso. Acredito, inclusive, que nossa sociedade pós-moderna quase nos impõe uma certa dureza, como se a entidade do casamento fosse algo ultrapassado, que já não tem mais valor, que ficou para trás. E que apreciá-la o torna alguém de cabeça fechada, preso a valores antigos, careta. Sinceramente, porém, não ligo nem um pouco pra esse tipo de pensamento atual, porque acho, sim – e sem vergonha de assumir – a instituição do casamento uma das coisas mais bonitas que alguém pode fazer em vida.&lt;br /&gt;Estou escrevendo sobre isso porque ontem fui ao casamento de dois amigos meus muito próximos ao meu coração e muito queridos. E pouco antes de a cerimônia começar, já sentada na simpática e pequenina Igreja São Conrado, me peguei absorta em meus próprios devaneios, e só conseguia pensar a tamanha sorte que tiveram os dois por terem se encontrado. Sim, porque estou longe de acreditar em almas gêmeas, mas em um mundo com bilhões de pessoas, eles se conheceram, e em determinado momento pela vida se olharam e disseram “é com você que eu quero ficar pra sempre”. E ali, naquela noite, aquela capelinha estava repleta do mais sincero sentimento de amor. Não só o dos noivos, mas também dos familiares e amigos presentes, que se dispuseram a sair de casa justamente para celebrar essa união.&lt;br /&gt;Casar é assumir um compromisso para a vida inteira. É abrir mão de um monte de outras bocas, peles, cheiros e sexos porque, sinceramente, a existência deles nem mesmo importa. Só uma pessoa basta. É juntar seu caminho com o de outro para, juntos, trilharem um só. É dividir quem você é com alguém, é somar-se, completar-se. É declarar para o mundo inteiro, e dividir com as pessoas mais próximas, a alegria de ter finalmente encontrado aquele – ou aquela – que você esteve esperando sua vida inteira. E é, acima de tudo, crer no amor e trabalhar por ele, todos os dias. É ter a coragem de arriscar. E fazer dar certo.&lt;br /&gt;Para aqueles que assistem, principalmente os que amam alguém, como eu, não é humanamente possível furtar-se a pensar no dia em que aquela cerimônia estará acontecendo consigo próprio. O dia que chegar a sua vez de gritar para quem quiser ouvir que você, agora, pertence a outro além de pertencer a si mesmo, e que o faz de bom grado. Que você entrega seu coração sem medo e sem receio. Enquanto esse dia não chega, resta-nos ser um pouco abençoados por aquele amor ali presente, um pouco energizados por ele, e em troca abençoar e energizar os recém-casados com os nossos mais profundos sentimentos de carinho, amizade, respeito, votos de felicidades, companheirismo e, como não poderia deixar de ser, amor. Muito amor. Esse sentimento que, embora banalizado nos dias de hoje, é tão magnífico que nem mesmo é possível explicá-lo, cantá-lo ou escrevê-lo, somente vivê-lo. E é o mais próximo do divino que podemos vivenciar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Esse texto é dedicado aos meus queridos amigos Maria Victória e Rodrigo. Que o caminho de vocês seja repleto de luz. Que tenham, juntos, uma vida inteira de alegrias, e que ela seja tão bela e feliz como a cerimônia e a recepção de ontem a noite. São os meus mais profundos votos. Um beijo enorme, Cá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-6691070955837844115?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6691070955837844115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6691070955837844115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/08/la-vem-noiva.html' title='Lá vem a noiva.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-724864313009222620</id><published>2009-07-17T16:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T17:06:38.985-07:00</updated><title type='text'>"Once again, I must ask too much of you, Harry."</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SmEQsWeYYII/AAAAAAAAAMo/tJT2uZVsj4M/s1600-h/harry+potter.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359583385680896130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SmEQsWeYYII/AAAAAAAAAMo/tJT2uZVsj4M/s200/harry+potter.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu diria que ir a estréias de filmes do Harry Potter, um hábito que eu cultivo desde o terceiro filme da série, é uma experiência, no mínimo, antropológica e heróica, se você consegue sobreviver. E foi por ela que eu passei mais uma vez, na última quarta feira. Desbravando uma multidão de seguidores fiéis, tentando me esquivar das várias varinhas que se materializavam nas mãos de pessoas vestidas a caráter, e procurando me achar entre aquele mar de sobretudos com os símbolos da Grifinória, e até alguns da Sonserina (as casas de Hogwarts, pra quem não sabe), consegui enfim o meu tão suado ingresso. Depois foi outra luta para conseguir entrar na sala de exibição, mas como já estava escolada das outras estréias do gênero, já sabia me proteger a fim de não ser pisoteada por aqueles que literalmente correm tanto para chegar antes na sala como se suas vidas dependessem de um melhor lugar.&lt;br /&gt;Humildemente conquistei o meu espaço, e fiquei até mesmo satisfeita com ele. Eu, uma fã normal, que leu todos os livros e admira tanto a genialidade da escritora, que se submete a passar por esse tipo de situação. Eu, que era uma pária naquele lugar, pois não estava vestida a caráter, não discutia efusivamente sobre os pormenores da volta de Voldemort e não posuía varinhas de brinquedo para ficar duelando feitiços imaginários com outros fãs. E não estou falando de crianças. As pessoas que demonstravam esse tipo de comportamento tinham a minha idade, alguns até mais. Porém, como é cada um no seu quadrado, cada um se veste como quiser – ainda que isso signifique caminhar pelo Barrashopping com um óculos torto sem lente e uma cicatriz em forma de raio feita a lápis de olho na testa – decidi me focar no filme. Eu tinha tudo que precisava ali. Minha pipoca, minha Coca Cola, e minha dignidade.&lt;br /&gt;O espetáculo, enfim, começou. Nos primeiros segundos, quando o logo da Warner aparece entre nuvens nebulosas com a trilha sonora do filme ao fundo, eu experimentei aquela mesma sensação de todas as outras vezes: um leve arrepio na espinha e uma tremenda excitação. Viro uma criança pela primeira vez na Disney, esperando assistir ali uma história que, convenhamos, eu já sabia de cabo a rabo, uma vez que li o livro, mas que mal podia esperar por vê-la contada em imagens. E sim, gostaria de falar das imagens. David Yates arrebenta, aquele inglês. Os movimentos de câmera, constantemente “entrando” nos lugares, muitas vezes sob o ponto de vista de um dos personagens, faz o espectador também se sentir mais parte da estória. E tudo que os fãs de Harry Potter querem é participar da estória, acreditar que ela é real. Ponto para ele. A fotografia e a direção de arte também se superaram. A paleta de cores escolhida, que combinava os figurinos com as luzes e filtros utilizados, proporcionaram um ar sombrio, nem um pouco infantil, totalmente condizente com a fase da vida do protagonista, e também com o andamento da série, que desde o quarto livro deixou de ser para crianças. O predomínio era de tons pasteis e do cinza, tão usado que em alguns planos parece até mesmo um filme em p&amp;amp;b. Mais um ponto para as equipes de direção, que dificilmente erram quanto tentam refletir no visual do filme o estado de espírito do personagem principal. O enredo, em si, é interessante, porém não é dos mais atraentes, mas isso porque o livro não é o melhor deles. O roteiro é, em si, bem construído, mas não dá nenhum frio na barriga, nenhuma série de momentos em que você simplesmente de afasta da cadeira de tanta tensão – com exceção talvez da sequência do lago, estrelada por Harry e Dumbledore, quando eles vão procurar uma das Horcruxes de Voldemort. O trio principal, Daniel Radcliff, Emma Watson e Rupert Grint, cresceu diante dos nossos olhos, porém com exceção de Rupert, os outros dois ainda não aprenderam a interpretar, embora tenham tido alguns muitos anos de experiência com as personagens para isso. Daniel é inexpressivo, e Emma é caricata, em muitos momentos. Entendo que pode ser um pouco de influência da escola de atores ingleses, mais comedidos que os americanos, por exemplo, mas em um elenco que conta com nomes como Alan Rickman, Michael Gambon, Jim Broadbent e Maggie Smith, não é de se espantar que o próprio protagonista fique apagado. O que não chega, entretando, a comprometer o filme de um modo geral.&lt;br /&gt;Por esta série de motivos, Harry Potter e o Enigma do Príncipe (&lt;em&gt;Harry Potter and the Half Blood Prince&lt;/em&gt;, de David Yates, Inglaterra 2009), é um pouco mais do que um filme para fã. No final das contas, não é preciso ter lido o livro e conhecer os pormenores da narrativa para entendê-lo. Obviamente a experiência é muito mais interessante se você é um fã, mas os que não são podem, pelo menos, desfrutar de um belo espetáculo visual, feito por quem sabe fazer Cinema para o grande público, e tem uma considerável ajuda financeira para isso.&lt;br /&gt;Por falar em experiência, por mim, esse ano, já deu. &lt;em&gt;Harry Potter and the Deathly Hallows&lt;/em&gt;, parte I, estréia nos cinemas de todo o mundo em 2010. Ate lá, vou me preparando psicologicamente para mais um ataque dos fanáticos massivos, e contando os dias para ver meu herói bruxo preferido na grande tela, em um momento que, apesar da multidão que me cerca, continua sendo, impreterivelmente, só meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-724864313009222620?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/724864313009222620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/724864313009222620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/07/once-again-i-must-ask-too-much-of-you.html' title='&quot;Once again, I must ask too much of you, Harry.&quot;'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SmEQsWeYYII/AAAAAAAAAMo/tJT2uZVsj4M/s72-c/harry+potter.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3882314624611403962</id><published>2009-07-07T16:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T18:34:20.726-07:00</updated><title type='text'>Minha Estrela no céu.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SlPhiK7mKfI/AAAAAAAAAMY/0_xM8JyMc8s/s1600-h/estrelinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355872359039773170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SlPhiK7mKfI/AAAAAAAAAMY/0_xM8JyMc8s/s200/estrelinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com todo respeito ao Rei do Pop. Hoje o mundo inteiro – literalmente – acompanhou o funeral de Michael Jackson e chorou mais uma vez a morte do ídolo, com um espetáculo final a altura do que ele foi em vida. Mas minha dor foi muito mais individual, e talvez mais egocêntrica. Hoje, dia 7 de julho, foi a vez do meu bichinho, minha Estrela, um membro importante na minha casa e na minha vida, ir embora dela. Minha cachorrinha que cresceu comigo, que viveu quase 16 anos ao meu lado, não resistiu ao peso que a idade e o tempo traz para todos, pessoas e animais. É uma angústia inevitável. Não queremos ver nosso amigo sofrendo e sentindo dor, mas também não queremos que ele vá embora. Entretanto, temos que deixar o egoísmo de lado e apoiá-lo para que ele se vá em paz, e descanse finalmente. Posso dizer que fiquei ao lado dela até o fim, mesmo eu própria sofrendo, só para que ela sentisse nos seus últimos momentos o quanto era amada, e o quanto eu e meus pais sentiremos sua falta. Já hoje a tarde e a noite era estranho demais não vê-la caminhando pela casa, não tê-la arranhando a porta do meu quarto no fim da tarde para que a levasse para passear, como fazia todos os dias, não vê-la no seu cantinho, que era só dela, onde ficavam seus brinquedos e sua caminha. E sei que será assim por muitos dias, até eu me acostumar com a ausência dela. Mas no meu coração, Estrela vai viver eternamente, e gosto de pensar que ela estará sempre caminhando ao meu lado ou me olhando lá de cima, onde ela finalmente virou uma estrela de verdade. Ela foi mais importante e presente em minha vida do que muita gente, e ainda não sei exatamente como vai ser sem ela. Mas o que tento guardar em mim não são os últimos momentos em que segurei-a no meu colo ou fiz carinho em sua cabeça, sussurrando que aquele sofrimento ia passar logo logo. Tento mentalizar os momentos bons, as brincadeiras e a alegria que ela me proporcionou durante tanto tempo. Ela vai ser sempre a minha Estrela, e jamais, em hipótese alguma, será esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estou morrendo de saudades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3882314624611403962?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3882314624611403962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3882314624611403962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/07/minha-estrela-no-ceu.html' title='Minha Estrela no céu.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/SlPhiK7mKfI/AAAAAAAAAMY/0_xM8JyMc8s/s72-c/estrelinha.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5450453543274067139</id><published>2009-06-26T19:29:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T16:48:51.432-07:00</updated><title type='text'>Moonwalker in Heaven.</title><content type='html'>"-Menina, o Michael Jackson morreu...", "Ah, claro que não!". A segunda frase foi a minha reação à primeira, dita por uma amiga minha ontem a noite. De primeira, confesso que pensei se tratar de mais um dos vários boatos que permearam a carreira e a vida de Jackson. Poucos instantes depois, no entanto, parei para pensar que talvez fosse verdade. Afinal, ele não era exatamente um grande exemplo esbanjador de saúde física – e mental. E não esqueçamos que, atrás da verdadeira máscara de qualquer coisa não-humana na qual Michael vinha se tornando ao longo dos anos, ele tinha cinqüenta anos. Não era mais um garotão. Ainda assim, me custava acreditar. E isso porque Michael Jackson era, para mim, uma daquelas pessoas que não morrem nunca. Que existem desde que o mundo é mundo e que assim permaneceriam para sempre. Tal impressão acontece quando a personalidade – artista, político, atleta – transcende sua própria obra para se tornar uma outra coisa. Uma imagem, um elemento de outro mundo. Um item quase etéreo diante de nós, meros mortais desprovidos de tão incrível talento. Porque realmente o tino do cara para música e business não acontece todo dia. É um em um milhão. E digo isso sem hipocrisias, não é porque ele morreu que se tornou uma lenda. Ele já era uma lenda, um mito, enquanto vivo. Michael Jackson passou de pirralho simpático e espevitado – e profundamente explorado – para um ícone da música mundial, alguém que reinventou a dança e brincou fazer sucesso. Parecia mesmo brincadeira, a vida dele. Rancho Neverland? Dormir com menininhos? Trocar de cor, de fisionomia? Casar com a filha do Elvis? Pendurar o filho pela janela? Sim, parecia brincadeira. O que não é brincadeira – tampouco mentira – é que o show, de fato, acabou. Fecharam-se as cortinas e o que fica é um legado insuperável. O Rei do Pop morreu, mas somente a matéria. Uma matéria que, inclusive, merecia há tempos descansar. A alma, no entanto, vive na música e nos corações de milhões de fãs em todo planeta que hoje choram a perda de um ídolo, mas celebram e eternizam – ainda sem saber – a carreira e a vida de um astro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o mais profundo respeito, R.I.P, The King of Pop.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5450453543274067139?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5450453543274067139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5450453543274067139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/06/moonwalk-in-heaven.html' title='Moonwalker in Heaven.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3640504505770095530</id><published>2009-06-17T14:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T14:13:23.592-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Agora praticamos o exercício da ignorância mútua. Nos vemos, mas fingimos que não. Do meu lado, é ignorância proposital, pois não quero mostrar que me importo. Atitude estúpida, pode ser, mas depois que o essencial foi dito, depois que o coração foi aberto, colocado na mão do outro e, ainda assim, este fez questão de jogá-lo fora, realmente não há mais nada a dizer. A não ser fingir que não se importa para que, um dia, realmente, isso seja verdade. Do lado dele, ao que tudo indica, é indiferença mesmo. É falta de interesse. Já passei da fase – e da idade – de achar que tudo faz parte de um joguinho. Ele me vê mas, sinceramente, não me vê. E não me vê porque vê outras coisas muito mais importantes para si. Vê outras pessoas. Vê &lt;em&gt;outra &lt;/em&gt;pessoa. E isso é o que mais dói. Não doeria tanto se me detestasse. Não sou do tipo que faz banquete com migalhas, mas essa é a grande verdade.&lt;br /&gt;Dói mais estar lá e não ser visto, como se não existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento contrário ao amor, afinal, não é o ódio, mas a indiferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3640504505770095530?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3640504505770095530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3640504505770095530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/06/agora-praticamos-o-exercicio-da.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4095233938589804029</id><published>2009-05-17T17:47:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T12:07:41.700-07:00</updated><title type='text'>A Volta.</title><content type='html'>Certa vez, uma pessoa muito sábia me disse que quando viajamos e nos afastamos um pouco de nossas vidas, conseguimos realizar uma coisa ou outra que não nos satisfaz sobre ela, e então, ao voltarmos, estamos mais cientes a atentos para fazer qualquer tipo de conserto. Depois de duas semanas em São Paulo, fazendo um curso que foi, sem dúvida, uma das maiores sacadas que eu tive em tempos e mudou muita coisa na forma que eu trabalho e penso sobre a vida, voltei pro Rio cheia de boas expectativas e com a mente mais clara em relação ao que de fato almejo em minha profissão. E principalmente o que estou fazendo por isso.&lt;br /&gt;Alguem já chegou pra você, querido leitor, enfiou o dedo na sua cara e perguntou:&lt;br /&gt;"-Você está exatamente onde queria estar em sua vida?"&lt;br /&gt;Se ninguem nunca o fez, eu faço agora.&lt;br /&gt;Pense nisso.&lt;br /&gt;E se a resposta for não, pergunto mais:&lt;br /&gt;"-E por que? O que você está fazendo, que caminho você está trilhando, que justifique você não estar exatamente onde gostaria de estar em sua vida?".&lt;br /&gt;O melhor de ser artista é o fato de que ele, seja pintor, músico, escritor, romancista, poeta, cineasta, ator, fotógrafo...é um canal. Um canal para que outras vidas, outras emoções, outras virtudes, outros defeitos, outras histórias sejam passadas e contadas. Para isso, o artista precisa estar sempre atento, e com as emoções à flor da pele. Cada sentimento é, no fim, um aprendizado. Um instrumento de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E além disso tudo, mudando radicalmente de assunto, verdade seja dita: nenhuma cidade é a Cidade Maravilhosa. São Paulo tem suas inquestionáveis virtudes: a funcionalidade, a quantidade de oportunidades de trabalho e crescimento profissional, uma variedade maior em opções na vida noturna, fato diretamente proporcional ao tamanho da cidade. É a terra do dinheiro, do trabalho, do enriquecimento. Sim, sei disso tudo.&lt;br /&gt;Mas lá não tem os ares daqui. Não tem o som daqui, o cheiro daqui. Lá não tem moças douradas que andam de short e Havaianas a qualquer hora e em qualquer local, não tem caras de bermudão jogando altinha na beira do mar, que é tão bonito de se ver. Não tem gente de fala arrastada, de gíria malandra, de "s" com som de "x". Não tem a conversa mole, a risada fácil. Não tem o Pão de Açucar te dando boas-vindas quando o avião rasga o céu carioca. Não tem as praias que tem aqui. Tem engarrafamento, mas ao contrário daqui, não é com uma vista para a Baía de Guanabara ou a Lagoa Rodrigo de Freitas. Não tem Ipanema. Não tem o samba da Lapa. Não tem o mar da Barra da Tijuca. Não tem mar, &lt;em&gt;at all&lt;/em&gt;. Para se chegar nele, é preciso pegar um carro e viajar algumas horinhas. Ele não está ali na sua cara, o tempo todo, para onde quer que você olhe. Lá não tem pessoas que acordam mais cedo para surfar antes do trabalho. Não tem pôres-do-sol na orla depois do trabalho. Não tem Happy Hour em barzinhos à beira mar. Lá não tem, juntos, em um só lugar, o seu local de trabalho e o lugar onde você passa os feriados. Não tem cheiro de maresia. Não tem a mesma vibração, o mesmo tesão, a mesma energia.&lt;br /&gt;E, no fim das contas, o problema não é de lá. O problema é a delícia que é isso aqui. A minha cidade; que é cheia de problemas e defeitos, mas que é minha, e com a qual eu sou como uma mãe com um filho: &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; até posso falar mal dela, mas se alguma terceira pessoa ousar critica-la eu viro bicho.&lt;br /&gt;É o &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; Rio. Onde eu nasci e cresci. E de onde eu jamais conseguirei me desgarrar totalmente, não importa para onde a vida me leve. Ele está gravado em mim. Na minha fala, no meu andar, no meu coração e na minha pele.&lt;br /&gt;O que de mais confortável entrou nos meus ouvidos nos últimos tempos foi: "-Senhores passageiros, bem vindos ao Rio de Janeiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em casa, enfim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4095233938589804029?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4095233938589804029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4095233938589804029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/05/volta.html' title='A Volta.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-2801194918723832237</id><published>2009-04-24T18:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T13:20:12.464-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>É possível ter a certeza de que o que é, afinal, é amor, quando afastado - voluntariamente - do objeto amado, ainda se ama. As vezes, apenas sabemos. Sabemos que aquela pessoa é a pessoa pra vida toda, mas não necessariamente esta vai cruzar o seu caminho no momento certo. Pra você ou para ela. Resta, então, esperar. O saber conforta.&lt;br /&gt;Seria mentiroso de minha parte dizer que não dói. Dói saber que o objeto amado leva a vida na ignorância, sem saber que você está ali somente esperando por ele. Somente aguardando o momento em que talvez uma centelha divina o indique que o caminho é, por fim, você. E que os seus caminhos são os mesmos.&lt;br /&gt;Sorte daqueles que têm a sabedoria e a serenidade de se saber afastar. De se saber sumir por uns tempos, andar por aí. Viver. E, se ainda assim, o sentimento persistir... Sim, é amor. E amor é ainda mais belo quando ele existe por si só, sem esperar a recompensa, a resposta. Porque assim ele é puro. Ela, a resposta, virá, mais cedo ou mais tarde. Porque no final das contas, é preciso amar. Muito e sempre. Várias pessoas ou uma só. E perder, e perder de novo, para que o sabor do "ganhar" seja ainda melhor.&lt;br /&gt;A vida, simplesmente, só me faz sentido assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-2801194918723832237?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2801194918723832237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2801194918723832237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/04/e-possivel-ter-certeza-de-que-o-que-e.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-579973114928344425</id><published>2009-04-07T15:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T15:56:32.343-07:00</updated><title type='text'>Os longos cabelos de Teresa.</title><content type='html'>Teresa vinha postergando aquele momento por um bom tempo. Pelo menos, pelo máximo que ela era capaz de postergar. Se culpava até hoje de ter ido fazer um preventivo de rotina do seu ginecologista. As vezes, é melhor viver na ignorância. Evita-se o sofrimento. Ou posterga-se, enfim.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Ali, em frente ao espelho do banheiro, um turbilhão de memórias passavam em frente aos seus olhos. Tudo acontecera muito rápido, lhe parecia, desde que aquele papel pesara em suas mãos, como se tivessem uma tonelada, na cadeira do médico. De que maneira ele conseguia falar “câncer” de forma tão natural, ainda que tentasse um certo pesar no tom? Para não se sentir mal, talvez, ou para amenizar o possível impacto que o paciente teria, como quem diz “eu sei o que você está passando.”. – Sabe nada – pensou Teresa! É preciso ter pra saber, isso sim. Como conseguia aquele médico simplesmente encaminhá-la para um oncologista como se ela fosse uma mera candidata a estágio que passava para a próxima fase, sem nem ao menos digerir a anterior. Teresa não lembrava, porém, se havia falado alguma coisa ao médico, ou se simplesmente saíra do consultório, ainda com o papel do exame de uma tonelada nas mãos, sem rumo, sem saber para onde iria primeiro, ou a quem contar. Contou a Cristovão, evidentemente. Esperou o marido chegar em casa do trabalho e estendeu com as mãos trêmulas o fatídico papel para que ele pudesse ler. Há vinte e cinco anos de casamento, Cristovão era seu maior companheiro, sabia que ele a ajudaria a passar por essa fase, embora ela constantemente repetisse pessimistamente, para a irritação de Cristovão, que não acreditava que haveria uma próxima fase para ela. Teresa achava deveras amável as tentativas do marido para encorajá-la, repetindo os velhos argumentos de que a medicina está muito avançada hoje em dia, que os tratamentos são cada vez mais eficazes, que ela havia descoberto a doença logo no início, então tinha mais chances de cura. Amável era, mas pouco eficaz. “É preciso ter um tumor te consumindo por dentro para saber.”, ela repetia, mentalmente. Os amigos também não faltaram; “- Pelo menos é de colo do útero. – disse certa vez Pilar, sua vizinha. -  A Elzinha teve de mama, teve que tirar um seio, coitada.”. Será possível que achavam que estavam animando ela assim? Classificando os tipos de câncer em uma tabela, como se fossem times para os quais torcer?&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Teresa começara a ter pensamentos estranhos, ali na frente do espelho. “Quem sentirá saudades de mim primeiro? Do que sentirão mais saudades?”. Ouvira falar há muito tempo que a pessoa era acometida por um imenso sentimento de angústia por achar que seu rastro não vai fazer diferença no mundo, antes de morrer. Teresa não queria fazer diferença no mundo. Ela queria fazer diferença na vida das pessoas que amava, somente. Na verdade, não queria morrer, acima de tudo. Não tinha medo, propriamente, da morte. Só não achava que era a hora ainda. Tinha quarenta e cinco anos, se considerava uma jovem ainda. Ia uma vez por semana tomar uma cerveja com os amigos, ainda tinha os peitos empinados, aguentava duas aulas seguidas de spinning.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Não teve filhos. Nunca conseguiu. Agora se arrependia de nunca ter procurado um médico e se empenhado em tratamentos. Era bizarro pensar que um tumor, um minúsculo e corrosivo agente da morte, agora ocupava o lugar que poderia ter gerado uma vida. Porém, não havia mais tempo para arrependimentos. O próximo passo, ali em frente ao espelho do banheiro, era inevitável. Desde que começara a quimoterapia, Teresa sentia um medo sufocador de perder os cabelos. Não se importava com os enjôos e tonteiras causados pelo tratamento, conseguia lidar relativamente bem com eles, inclusive. Mas os cabelos, não. Fora famosa na juventude por eles. Eram longos, lisos, pesados. Tinham uma cor única que vacilava entre o castanho acobreado e o ruivo. E os anos que passaram não fizeram um único fio branco surgir no meio deles. Agora os usava mais em coque, presos para trás, condizendo com a idade. Mas que pena ela tinha, que medo ela tinha, de perder aqueles cabelos...&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Mais do que perder os cabelos por si, ela tinha medo de perder Cristovão por perder os cabelos. Poderia parecer uma idéia idiota, mas quem iria questionar? As pessoas têm medo de brigar com doentes. Parece que estão cometendo um incrível erro. Mas a questão é que, desde que se conheceram, Cristovão constantemente falava dos cabelos dela. Elogiava um novo penteado, falava do cheiro bom que eles tinham ao sair do banho.  E todas as noites que passaram juntos, durante esses vinte e cinco anos, Teresa se aninhava entre os braços do marido naqueles minutos antes de dormir e ele, delicada e devotamente, rolava seus dedos pelos fios, acarinhando a cabeça da esposa até que ela, finalmente, dormisse. Jamais dormia antes dela. Teresa tremia só de pensar o que Cristovão pensaria quando ela não mais tivesse cabelos por onde ele entrelaçar seus dedos. A deixaria por isso? Não conseguiria segurar a pressão? A abandonaria? Todas essas perguntas pioravam toda vez que seu peito era arrematado pela saudade antecipada que sentiria daquele carinho.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Percebendo que muito tempo se passara desde que começara os devaneios desta vez, Teresa deu uma ultima olhada no espelho, e mirou bem, talvez para nunca mais, o equilíbrio de seu rosto com seus cabelos. Foi a sua vez de percorrer, com seus dedos, os longos fios, do couro cabeludo até suas pontas, uma, duas, três vezes, como se quisesse guardar no tato, nas pontas das extremidades dos dedos, a sensação que aquele simples ato conferia. Secou a única lagrima que caiu do olho esquerdo. Única, não era de chorar. E então pegou a tesoura na ponta da pia. Com muita dor, como se de fato pudesse sentir as lâminas, deu o primeiro corte. O primeiro tufo, bastante volumoso, caiu sobre a pia. Teresa não teve coragem de olhar para o cabelo caído; preferia, de qualquer forma, continuar focando o espelho, que agora revelava o desequilíbrio do corte. Pegou outro grande chumaço com a mão e cortou fora. Fez isso repetidas vezes, sempre com muito pesar, até que todo seu cabelo ficasse na altura dos olhos. Se aquela imagem já era chocante para Teresa, não conseguia imaginar a que viria em seguida. Sem desgrudar os olhos do espelho, para não olhar o cabelo caído por toda a extensão da pia, localizou com as mãos a máquina. Ligou-a, e nunca pensou que aquele barulho daquela maquina que ouvia todas as manhãs quando Cristovão fazia a barba pudesse ser tão perturbador. Respirando fundo uma única vez, ela encostou a máquina na cabeça e deu um puxão para trás. Dessa vez era demais, não poderia ficar assistindo sua própria decadência, então fechou os olhos forçadamente, não só para não ver, mas também para não permitir que as lágrimas saíssem. Como se quisesse acabar logo com aquilo, fez o mais rápido que pode, nem sabe quantas vezes. Sentiu que não havia mais o que raspar, e largou a máquina. Não abriu ainda os olhos. Devagar, levantou os braços e levou as mãos a cabeça, tocando-a tão vagarosa e delicadamente como se fosse um cristal que pudesse quebrar com o toque. Não era cuidado, ela sabia, era medo da sensação. A estranheza foi diferente do que ela calculou que seria. Talvez fosse o velho ditado de que “o que os olhos não vêem o coração não sente.”. Era como se estivesse tocando outra cabeça, de outra pessoa, que não a dela. Mas sabia que não era suficiente. Por dentro sabia, era uma mulher adulta, madura. Tinha que abrir os olhos. Já estava feito, não tinha volta.&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt; Abriu os olhos. Por alguns segundos, sua respiração parou. Por alguns segundos, o mundo inteiro parou. Não era choque, não era tristeza. Não era raiva que ela sentia. Surpreendentemente, o que Teresa sentia era saudade. E não as saudades antecipadas de antes, dos dedos carinhosos do marido nos cabelos que não tinha mais. Era mais. Era saudade de toda uma vida que ela sabia que tinha se esvaído junto com aquelas centenas de fios. Era o simples andar na rua que não mais existiria sem que as pessoas a encarassem com aquele olhar de “você está doente, coitada.”. Era o prazer de se arrumar para uma festa que não mais existiria, pois nenhum lenço tão bonito ou elegante como seus cabelos antes eram. Era a brisa de verão fresquinha que sentia balançar suas madeixas, refrescando do calor. Era a mania de toda hora ficar fazendo e desfazendo um rabo de cavalo improvisado. E como não poderia deixar de voltar, era ele. Era a saudade do carinho de Cristovão. Eram seus dedos que nunca mais iriam carinhar sua cabeça. Ele não ia querer nem mesmo tocar naquela cabeça, teria nojo, teria ojeriza. Teresa ia morrer, já sabia. Diante de tudo isso, não ia nem mesmo ter a vontade de procurar as forças para continuar vivendo.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Foi no meio desse pensamento que Cristovão abriu a porta do banheiro. Teresa não ouvira, de tão absorta que estava entre seus pensamentos, mas há alguns minutos o marido batia na porta, chamando por ela, perguntando o que estava acontecendo. Preocupado com a falta de resposta, ele finalmente conseguiu escancarar a porta, para tão somente olhar aquela cena. Pela primeira vez naquela tarde, Teresa desgrudou os olhos do espelho, e olhou para ele. Pela primeira vez na vida ela se deixou chorar. E as lágrimas caiam involuntariamente, como se ela não tivesse nenhum controle sobre aquilo. Apreensiva, Teresa não falou nada. Implorava secretamente por um sinal de apoio, mas já estava convencida a aceitar se ele a quisesse abandonar. O amava muito para forçá-lo a passar por aquilo junto com ela.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Cristovão percorreu o olhar pela pia, e viu os vários tufos de cabelo, de diferentes tamanhos, espalhados. Olhou, então, para  a mulher. Nunca a vira daquele jeito, era de se admitir. Não somente careca, mas chorando compulsivamente. Mas ele a amava tanto! Sabia que a amava, mas ao vê-la assim, tomou conta de seu peito um daqueles momentos em que o ser humano tem certeza daquilo que ele já sabe, de alguma forma. Percebeu que não tinha expressado nenhuma feição em seu rosto que confortara a mulher, pois ela continuava parada, nervosa, esperando que ele desse as costas e saísse. Mas ele não virou de costas. Ao invés disso, ele caminhou até ela, passo a passo. Chegou tão perto dela a ponto de sentir o cheiro fresco da lavanda pós banho que ela usava desde que se casaram, e em cujo aroma ele era incalculavelmente viciado. Levantou os dedos e secou as lágrimas que caiam do rosto da esposa. Beijou sua testa. E sem falar nada, pegou-a no colo, como os noivos fazem. Ainda silenciosamente, levou-a até a cama e deitou-a. o choro de Teresa tinha cessado para dar lugar a uma promessa de sensação de alivio, que ainda não tinha se concretizado porque, dentro dela, sabia que ainda tinha mais por vir. E então, Cristovão deitou ao seu lado, puxou-a pelos braços com cuidado e a aninhou em seus braços. E inesperadamente, começou a fazer carinho na cabeça de Teresa. Ela olhou assustada para ele! Não sentira repugno?&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;E como se nada tivesse acontecido, ele continuou a deslizar seus dedos amavelmente pela cabeça dela, como se não fizesse diferença a falta de cabelos ali. Assim ficou por algum bom tempo, incansavelmente, porque naquela noite Teresa custou a dormir. A sensação de conforto que aquele simples ato de amor foi capaz de lhe proporcionar foi o suficiente para que ela percebesse que talvez a próxima fase viesse, que talvez tivesse sim vontade de procurar forças para lutar. E que talvez as saudades antecipadas que sentira daquele carinho não fizessem sentido, pois na verdade, o amor da sua vida acabara de provar que não havia nem a mais remota promessa de espaço para elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-579973114928344425?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/579973114928344425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/579973114928344425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/04/os-longos-cabelos-de-teresa.html' title='Os longos cabelos de Teresa.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8164126174417135971</id><published>2009-03-31T20:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T09:04:07.569-07:00</updated><title type='text'>"Eu ando sempre pra sentir vontade."</title><content type='html'>Na primeira vez que a ouvi, no rádio, há alguns meses, de cara essa música me encantou. Era a boa e velha poesia de Marcelo Camelo, da qual tantos fãs, órfãos de Los Hermanos, são constantemente saudosos. Meu espanto veio quando a parte de Camelo acabou e a voz que entrou não me era estranha, mas eu não sabia localiza-la nos cantos recônditos da minha mente. Depois reconheci. Era aquela menina que cantava &lt;em&gt;“If you come over I will say thubaruba...”,&lt;/em&gt; que teve mais de um milhão de acessos no My Space... Mas qual era o nome dela mesmo?&lt;br /&gt;Mallu Magalhães, como o locutor me elucidou depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa fiz o download, e desde então a ouço sempre. Acho bonita, cheia de propriedade e, acima de tudo, com uma profundidade e um pesar enormes. E a tristeza, assim como a alegria, pode ser belíssima. Por estes motivos, desde que ela entrou por meus ouvidos e em minha vida, me questiono o por quê de seu nome ser “Janta”. Essa palavra, nem nenhuma correlata, aparece vez alguma na letra. Como artista único que é, Camelo bota a galera pra pensar. Talvez por isso cada um tenha uma explicação ou teoria particular. Eu tenho a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Janta” fala de despedida, de adeus, de abdicar de algo e deixar nas mãos da Vida. Fala da dualidade que, volta e meia, corrói todos nós: a vontade versus a temperança. O “querer” versus o “dever”. E quando não há realmente saída, quando a encruzilhada se forma diante dos olhos, só resta entregar a algo fora de nós, talvez maior, talvez mais etéreo, o nosso próprio destino. Mas ao fazermos isso, ao entregarmos nossa Sorte à Vida, a Deus ou ao que quer que seja, ao nos reservarmos do poder de decidir o que virá, temos, aí, uma gota de esperança. Talvez esse “infinito” possa nos trazer respostas que não conhecemos, possa nos levar a lugares novos e bons, possa escolher para nós uma sina melhor, mais feliz. Assim, consentimos. E a música retrata exatamente esse depósito de esperança no destino, diante da impossibilidade de continuar-se da maneira que está.&lt;br /&gt;Janta, no sentido literal, é isso. O jantar é, através da história, um momento de celebração e, muitas vezes, de despedida. Almoços de casamento ou de aniversário não são tão elegantes, ou têm tanto significado subjetivo, quanto jantares de casamento ou de aniversário. Na Bíblia, a última refeição não foi o café-da-manhã.&lt;br /&gt;A janta tem angústia. Tem ares de finalidade. É na hora do jantar que nos recolhemos para um fim, e a esperança de um começo. O fim de mais um dia. E o começo de um outro, no seguinte. Se ele virá, não sabemos. Esperamos, somente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de que vale a minha opinião? Eis o poeta, em sua melhor forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANTA&lt;br /&gt;(Marcelo Camelo e Mallu Magalhães)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis te conhecer&lt;br /&gt;Mas, tenho que aceitar&lt;br /&gt;Caberá ao nosso amor o eterno ou o “não dá”...&lt;br /&gt;Pode ser cruel a eternidade&lt;br /&gt;Eu ando em frente por sentir vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis te convencer&lt;br /&gt;Mas, chega de insistir&lt;br /&gt;Caberá ao nosso amor o que há de vir...&lt;br /&gt;Pode ser a eternidade má&lt;br /&gt;Caminho em frente pra sentir saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paper clips and crayons in my bed&lt;br /&gt;Everybody thinks I am sad&lt;br /&gt;I take a ride in melodies and bees and birds&lt;br /&gt;Will hear my words&lt;br /&gt;Will be both us, and you, and them… together.&lt;br /&gt;‘Cause I can forget about myself&lt;br /&gt;Trying to be everybody else&lt;br /&gt;I feel alright then we can go away&lt;br /&gt;And please my day…&lt;br /&gt;I’ll let you stay with me if you surrender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis te conhecer&lt;br /&gt;Mas, tenho que aceitar&lt;br /&gt;Caberá ao nosso amor o eterno ou o “não dá”...&lt;br /&gt;Pode ser a eternidade má&lt;br /&gt;Eu ando sempre pra sentir vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8164126174417135971?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8164126174417135971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8164126174417135971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/eu-ando-sempre-pra-sentir-vontade.html' title='&quot;Eu ando sempre pra sentir vontade.&quot;'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7095593545655272976</id><published>2009-03-27T15:29:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T15:33:31.883-07:00</updated><title type='text'>Tapa na cara.</title><content type='html'>Me preocupa o fuzuê que &lt;em&gt;Ele Não Está Tão A Fim De Você &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;He’s Just Not That Into You&lt;/em&gt;, de Ken Kwapis, EUA 2009) tem causado, principalmente junto ao público feminino. Baseado em um &lt;em&gt;Best Seller&lt;/em&gt; americano - nada mais do que um livro de auto-ajuda que promete às mulheres o tão esperado entendimento do comportamento masculino - o mesmo chegou aos cinemas com um time de estrelas de primeira grandeza da Hollywood atual, o que, junto com a narrativa melosa e engraçadinha, garante o sucesso de bilheteria. Jennifer Aniston, Ben Affleck, Drew Barrymore, Jennifer Connelly, Scarlett Johansson e a simpática Ginnifer Goodwin, entre outros, têm suas histórias de vida cruzadas, nas aventuras e desventuras de relacionamentos amorosos.&lt;br /&gt;            Tendo alguma noção sobre o assunto, uma vez que não passei os últimos quatro anos de minha vida estudando cálculos matemáticos ou fórmulas químicas, posso dizer com uma certa autoridade: Mulheres do meu Brasil, acalmem-se. Isso é SÓ um filme.&lt;br /&gt;            Filmes são filmes. Até os que recontam histórias verídicas continuam, indefinidamente, sendo filmes. São obras ficcionais, com fórmulas e facetas narrativas e visuais previamente pensadas para alcançarem um ou outro público, uma ou outra reação. E pra conseguir dinheiro, é claro. Afinal, Cinema, além de arte, é indústria e comércio também. Os personagens, por sua vez, não são pessoas reais. Em um roteiro, eles são construídos de forma que adotem arquétipos bastante específicos, e possam ser mais naturalmente apontados pelo público com personalidades fechadas e peculiares. Já disse isso aqui mesmo no blog, e repito: as pessoas, na vida real, são muito mais complexas do que isso.&lt;br /&gt;            &lt;em&gt;Ele Não Está Tão A Fim De Você&lt;/em&gt; é pautado em explicações de por quê os homens fazem o que fazem. Porém, embora tudo acabe bem, uma vez que é uma comédia-romântica americana, ele se baseia em afirmações que podem ser interpretadas quase como uma Constituição pelas mentes mais desavisadas. Tudo bem que certas coisas não precisam de muita indagação: Se o cara não te liga é porque, realmente, ele não está a fim de te ligar. Se ele quiser te ligar, quiser te ver, te encontrar, ele vai dar um jeito. Não tem essa de trabalho demais, viagens a negócios aqui, compromissos profissionais ali. Muito menos a ladainha de “não estar pronto para um relacionamento sério” ou “estar com medo de se envolver.”. Sou uma pessoa que tem muitos amigos homens, e de algumas coisas eu simplesmente sei. Em primeiro lugar, homens não pensam como mulheres. Em segundo lugar, quando o cara está realmente a fim da mulher, ele faz acontecer. O tal do orgulho pode até retardar um pouco o processo, mas não o elimina de vez. A grande questão é que não é necessário um livro, ou muito menos um filme, para nos dizer isso. A vida se encarrega de nos ensinar. Se você que está lendo esse texto é mulher e ainda insiste em discutir com isso tudo, você só está se enganando e, mais cedo ou mais tarde, com um ou mil tapas da vida na cara, você vai aprender.&lt;br /&gt;            Porém, quando se trata de amor, carinho, paixão ou o nome que for, não existe lógica. Não se trata de aritmética, física quântica, ou muito menos um processo legal, no qual os argumentos são objetivos, retos, racionais. Em matérias do coração, muitas vezes a racionalidade vai por água abaixo, pois como amor não se explica, é comum termos que decidir pautado simplesmente no que sentimos. É subjetivo, irracional, conturbado. O que faz uma pessoa feliz é diferente do que faz a outra, e assim vai. Por isso, não comprem todas as idéias que o filme vende. Encarem-no como uma leve diversão, exatamente o que ele tem que ser – e é. Não pensem que ali estão grandes lições de vida, os segredos da alma masculina e, menos ainda, as regras e as exceções a elas. Não há exceções, simplesmente porque não há regras. O que vale, no fim das contas, é arriscar. E não perder as esperanças ou se deprimir com fórmulas pré-estabelecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Mas ainda assim, não esperem plantadas ao lado do telefone, ou confiram suas caixas de e-mails várias vezes por dia se ele não te procurou. Partam pra outra se o cara começar a dar desculpas demais. Não há nada mais deprimente do que uma mulher que insiste em mentir pra si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do dia, você vai perceber. Ele não está tão a fim de você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7095593545655272976?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7095593545655272976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7095593545655272976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/tapa-na-cara.html' title='Tapa na cara.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-4481859537162669914</id><published>2009-03-26T17:41:00.000-07:00</published><updated>2009-03-26T18:01:41.952-07:00</updated><title type='text'>Minha alma canta...</title><content type='html'>O carioca de verdade, nascido e criado, ou como a expressão popular qualifica, "carioca da gema", morre de amores por essa cidade que, não a toa, é chamada de Maravilhosa. Chega a ser irritante e metido. O carioca gosta de ter a pele bronzeada, de falar arrastado e forçar o "s" com som de "x" quando está perto dos não-cariocas (porque pra nós, quem não é daqui é simplesmente não-carioca), se gaba por poder assistir o pôr-do-sol na praia - em qualquer praia - quando ele tiver vontade, sabe o gosto exato que tem o mate de latão com suco de limão, conhece de cor o roteiro dos bares da Zona Sul e a rota dos sambas da Lapa, e já até enjoou de biscoito Globo. Só o carioca consegue ouvir uma música de Tom Jobim, como Corcovado e Samba do Avião, e pensar "eu sei exatamente do que este cara tá falando...".&lt;br /&gt;Além disso tudo, o carioca de verdade conhece e lamenta todos os problemas do Rio. Sabe que a favelização enfeia o que Deus parece ter pintado a mão. Sabe que a violência e o tráfico são um câncer quase em estado terminal. Sabe que se sair de carro as 7h da manhã ou as 17h da tarde vai demorar pelo menos duas horas pra chegar em casa, com o trânsito infernal que tem se instalado diariamente por aqui. Particularmente, trânsito me irrita de uma forma avassaladora, embora eu saiba que o problema aqui não chegue nem perto de outras capitais. Mas voltando para casa dia desses eu me deparei com um enorme no Aterro do Flamengo. Comecei a me irritar, a fumar cigarros seguidos, a trocar freneticamente a música que tocava, a xingar todas as pessoas do mundo...e parei. Parei porque olhei pro lado e o que eu vi foi mais ou menos o que as pessoas que atingem o Nirvana na meditação devem sentir. O que vi foi o Pão de Açucar banhado por luzes do fim de tarde, conferindo-lhe cores únicas. Ao redor dele, a Enseada de Botafogo cheia de barquinhos que parecem de brinquedo. E para coroar, um belo pôr-do-sol que, tenho certeza, estava ali só pra me dizer que se eu tiver um pingo de vergonha na cara eu tiro toda a irritação de dentro de mim. Afinal, olha só onde eu moro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-4481859537162669914?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4481859537162669914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/4481859537162669914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/minha-alma-canta.html' title='Minha alma canta...'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-1340434411739650264</id><published>2009-03-25T08:40:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T08:47:18.062-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu te odeio. Odeio tudo que vem de você. Odeio sua inconstância, suas mentiras, e a mentira que eu criei sobre você. Odeio sua falta de senso, de sensibilidade, sua indiferença. Odeio as palavras que você falou e eu acreditei. Odeio o som da sua voz tão perto e tão distante. Odeio a distância que &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; implantou, mais ninguém. Nem Deus, nem o Homem. Você.&lt;br /&gt;Odeio os últimos tempos que passei aos pés da fantasia idílica da sua presença. Odeio as memórias, odeio os momentos. Odeio como você se comporta. Odeio o fato de que você não conseguiria nem em mil anos distinguir a ridícula diferença entre Hitchcock e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Bertolucci&lt;/span&gt;. Odeio sua falta de interesse, sua falta de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;hombridade&lt;/span&gt;. Odeio as brincadeiras infantis que você fez. Odeio você ter cogitado a possibilidade de alguém ser melhor pra você, e odeio você ter comprado essa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;idéia&lt;/span&gt;. Odeio pensar que eu escrevo textos e leio poesias enquanto você liga para outro alguém, que não eu. Te odeio por ter me feito de idiota, boba, ridícula. Te odeio por ter &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;bagunçado&lt;/span&gt; a minha vida, virado tudo de cabeça pra baixo. Te odeio por ter despertado em mim um sentimento que estava enterrado há tanto tempo, e que não precisava ressurgir agora. Te odeio, pois, por ter saído da minha vida como se nada tivesse ocorrido, nada tivesse falado, nada tivesse sido existido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te odeio muito, todos os dias.&lt;br /&gt;E isso tudo porque, na verdade, eu te adoro demais. E por eu ter que gostar mais de mim, e por não poder mais gostar de você, eu te odeio. E preciso repetir todos os dias para mim mesma que te odeio. Odeio, odeio, odeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ter que te odiar é, por fim, a máxima exaustão que eu já vivi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-1340434411739650264?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/1340434411739650264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=1340434411739650264&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1340434411739650264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1340434411739650264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/eu-te-odeio.html' title=''/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-2840419687885777563</id><published>2009-03-10T11:39:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T11:43:41.026-07:00</updated><title type='text'>Não leia esse post. Desligue a internet e vá dar uma espiadinha.</title><content type='html'>Todo início de ano é a mesma coisa. Somos bombardeados por anúncios que avisam, como se não perdêssemos por esperar, que a casa mais vigiada do Brasil está de volta. Eu realmente não espero, e juro que até esqueço que o Big Brother existe. E sempre clamo pelos quatro cantos que não vou assistir. Perda de tempo, futilidade.&lt;br /&gt;Mentira.&lt;br /&gt;Eu sempre acabo assistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo achando perda de tempo e futilidade, muito embora seja tiete do Bial e sei que, pelo menos dali, sai alguma coisa útil. Em sua nona edição, os participantes são exatamente os mesmos de todas as outras: O canalha, a gostosa, o estrategista, a burrinha, o injustiçado. Estereotipadas, essas personagens vão se configurando com ajuda bastante solícita de uma edição bem pensada. Com isso em mente, percebe-se uma vontade enorme por parte da direção de inovar, divertir de forma diferente, chocar. E milhares de cartas são tiradas da manga e enfiadas dentro do confinamento. Quarto branco, dois paredões em uma semana, xepa, casa de vidro, voto aberto. Até uma vovó simpática inventaram dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me atrai no Big Brother, porém, é muito mais grave. Confesso de cara limpa, pois tenho certeza que muitos espectadores pensam da mesma maneira, embora não o falem, ou nem mesmo realizem este fato. Justamente pela construção de estereótipos e arquétipos maximizados (aqui sem absolutamente nenhuma relação com um dos integrantes da casa.) de alguma forma nos relacionamos interiormente com aquelas pessoas.  Nos colocamos em seus lugares, nos vemos naquelas situações. E, porque eles invadem deliberadamente nossas casas todos os dias, nos sentimos íntimos e no direito de julgarmos suas atitudes, noções de justiça, casos, discussões, comportamentos, até mesmo forma física. “Fulana engordou tanto...”. Será que nós mesmos não engordaríamos? Não combinaríamos voto? Não entenderíamos mal algum fato? Não pré-julgaríamos de maneira errônea? Não encheríamos a cara e dançaríamos até o chão? Não iríamos pra debaixo do edredon? Não teríamos aquela pessoa com a qual simplesmente não vamos com a cara e faríamos de tudo para vê-la fora dali?&lt;br /&gt;Dentro de nós há o diabinho que diz: “antes ele do que eu...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é, ao enxergarmos ali personagens, e não pessoas, esquecemos que elas são como nós e, por isso, são passíveis de erros, acertos, e um bocado de bebedeiras. Só que as deles são regadas a Champagne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em jogo, não está fama. Ninguém fica realmente famoso por muito tempo depois do Big Brother (com exceção da Grazi, talvez.). Ok, em jogo está uma capa da Playboy ali, uma visita na Ana Maria Braga e no Faustão aqui, quando muito uma meia dúzia de propagandas acolá. Mas, acima de tudo, em jogo está um milhão de reais. E é nisso que penso toda vez que aponto o dedo pra condenar algum dos participantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas condeno, mesmo assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-2840419687885777563?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/2840419687885777563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=2840419687885777563&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2840419687885777563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2840419687885777563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/nao-leia-esse-post-desligue-internet-e.html' title='Não leia esse post. Desligue a internet e vá dar uma espiadinha.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-745461105835193951</id><published>2009-03-06T08:07:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T08:12:05.453-08:00</updated><title type='text'>Entre clichês e saudades.</title><content type='html'>Uma das frases mais clichês e usadas no Orkut (não gosto do termo “site de relacionamentos...Orkut é Orkut, é besteira mesmo.), é aquela que diz que “quem inventou a distância nunca sentiu saudade.”. E eu sou naturalmente inclinada a um bom clichê, principal e estritamente quando bem colocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A saudade é, ela mesma, um assunto que ronda muito do que penso e escrevo. A parte boa dela, inclusive. Porque é gostoso sentir saudades do bichinho de infância que morreu, saudades dos tempos de colégio, saudades daquele amigo que você perdeu o contato pela vida. Saudades de uma festa, de um aniversário, do primeiro beijo, de um presente de natal. Um dos textos que mais gosto sobre saudade é um do Miguel Falabela, que diz que saudade é &lt;em&gt;não saber&lt;/em&gt;. Não saber dele, ou dela, e ainda assim doer. É lindo. Google Falabela. É certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a saudade que de fato incomoda no peito é a saudade de uma paixão, porque ela acontece, na grande maioria das vezes, quando o fogo de uma das partes apagou, ou diminuiu a chama. E ao outro, só resta a saudade. Não é uma saudade gostosa. É uma saudade que angustia, que dói. É a saudade do sentimento como ele era no início, do tanto de coisas que não chegaram a acontecer e que, mesmo assim, deixaram saudades. É a saudade que sinto agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade de quando brincava de princesa, de quando brincava de futuro. De gostar de acreditar em meias palavras, em migalhas de atenção. De botar toda a fé existente em meu coração em algo que em si contradizia todas as regras do famoso “pode dar certo”... mas pra mim dava, fazer o que? Saudades de ter o poder de transformar a distância em somente um número, um coeficiente, uma análise física. Porque no final das contas a distância tem, sim, o excruciante poder de separar dois corpos, mas ela é ínfima na tarefa de separar duas almas. O poeta já dizia: “Eu sei, e você sabe, que a distância não existe.”. Alguem vai discutir com Tom Jobim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades, também, de me fazer rir com os amigos mais próximos, incrédulos como eu na ironia da minha própria vida, pois me conhecem até mais do que eu mesma. Da impertinência que foi começar tudo como uma brincadeira que tinha data e hora para acabar, mas não acabou. Não era brincadeira de criança, afinal. Um dia, eu acordei...e tudo que eu conseguia pensar era nele. Em todas as horas do dia, em todos os acontecimentos rotineiros. Tudo que eu queria era ouvir a voz, ainda que no telefone. E quando eu percebi que ele era a primeira coisa que eu via de manhã e a última na qual eu pensava ao ir dormir, percebi que não era brincadeira mesmo. Era sério. E, pra mim, bastava.&lt;br /&gt;Era pra sempre.&lt;br /&gt;Saudades de sentir isso tudo, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades, ainda, de não ter vivido um monte de coisas boas, de tão rápido que foi. Outro clichê diz que “tudo que é bom passa rápido, mas demora o tempo suficiente para ser inesquecível.”. Concordo com esse, também. Saudade de não ter tido tempo de dançar juntinho aquela que seria, depois, considerada a &lt;em&gt;nossa&lt;/em&gt; música. Não ter engatado naquela conversa que invade horas do dia. Não tê-lo levado pra conhecer meus lugares preferidos, para provar o sorvete que eu mais gosto, para ver o pôr-do-sol naquele lugar que só eu conheço. Não ter dito tudo que queria dizer quando ele estava ali, olhando nos meus olhos... nos lugares mais inadequados, pouco propícios ao romantismo, mas ainda assim, ali. E não ter dito não por medo ou receio, mas por não saber absolutamente o que dizer. Em parte porque olhar nos olhos dele é muito melhor e mais bonito do que qualquer poesia, e em parte porque o turbilhão de sensações que entupia minha cabeça e atravessava como flecha a minha pele era tão grande que eu mal conseguia organizar as idéias em minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade, enfim, me faz acreditar em clichês. E citá-los. Porque ela mesma é um clichê ridículo, mal resolvido e estúpido. É um bloqueio, uma interrupção do que quer que seja, tendo interrompido algo ou não. É sentir falta do ponto alto da festa, do mais doce da vida, do sabor mais idílico que se pode experimentar. É a incapacidade de concluir o que se pretende dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, paro por aqui. Não faço falsas demagogias.&lt;br /&gt;Minha saudade é grande demais, e tem discernimento de menos, para que eu possa concluir qualquer idéia.&lt;br /&gt;Uma crônica, menos ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-745461105835193951?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/745461105835193951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/745461105835193951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/entre-cliches-e-saudades.html' title='Entre clichês e saudades.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-740059032424783651</id><published>2009-03-04T07:07:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T07:09:00.085-08:00</updated><title type='text'>Eternamente uma tarde de sábado.</title><content type='html'>Todos os sábados as quatro sabia-se ali. Tempo e compromissos eram meras palavras sem significado relevante. Clima tampouco. Quase devotamente, nos fins de tarde de todos os finais da semana Luiza sentava-se em um banco na praia e olhava. Olhava o mar? Olhava o céu? Olhava a gente que deixava vagarosamente a areia? Podia ser. Sem critérios, Luiza olhava tudo. Não possuía preferências não por falta de propósito, mas por considerar tudo igualmente importante. Ou desimportante, dependia do estado de espírito. Assim ela prestava igual atenção no movimento ao mesmo tempo contínuo e mutante das ondas do mar; no barulho que elas faziam, que parecia continuar em seus ouvidos durante o resto do dia, acompanhando-a por qualquer canto. Atentava aos ambulantes que vendiam de tudo, de biscoito a óleos bronzeadores, de limonada a caipirinha, e também pipas, e óculos escuros, e cordões, e brinquedos. Luiza não refletia sobre a vida deles e nem dos aleatórios que iam à praia sozinhos, em pares românticos, em grupos de amigos, em família...estava somente interessada em olhar o momento presente das vidas de cada um deles. Tinha um quê culpado do deleite dos voyers. Talvez mais do que tudo, Luiza gostava era de olhar o breve, fugaz e estonteante momento em que o sol, ao se pôr, toca a tênue linha do horizonte que o mar se divide do céu, e o fim de tarde que até então tinha muitas cores dizia adeus ao carnaval do dia para se dedicar ao azul marinho que avisa que a noite chega, para em pouco tempo ceder lugar ao império do infinito negro. Cores. “Que belo pintor deve ser Deus”, ela pensava, todas as vezes que os rosas e amarelos e laranjas invadiam os vários tons de azul que se apresentam nos dias (de sorte) em que o céu está limpo de nuvens. Não que Luiza não gostasse do céu da noite quando, também em dias de sorte, ficava salpicado de pequeníssimos pontos prateados que eram, para ela, mais do que somente estrelas. Eram memórias, também. Seu avó, quando vivo, costumava niná-la a noite dizendo que, quando as pessoas morriam, viravam estrelas e iam brilhar pra sempre lá no céu, olhando para e pelos mortais aqui debaixo. Mas havia algo no céu do final da tarde que a encantava inexplicavelmente. Talvez fosse a sensação do término de mais um dia, a analogia deveras natural com a finitude da vida. Talvez, mas não certamente. Luiza se permitia deixar levar pela paixão das tardes de sábado, sem se questionar. Olhar, só.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;         Sim, tinha um quê culpado do deleite dos voyers, aquela Luiza. Aos dezoito, alimentava-se desse prazer desde os quatorze, quando ganhou sua primeira máquina fotográfica só dela. Não mais tinha que pedir emprestada a da mãe. Agora tinha autonomia do uso, tinha posse. Aos quatorze, era importante para a filha de pais separados, que cresceu assistindo a preferência de ambos pelo irmão, ter essa posse besta. E foi no primeiro da série de sábados sentada naquele banco que ela clicou pela primeira vez a tarde. Ainda que não estivesse registrado em imagem, ela lembraria da cena: era a foto de um vendedor de milho cozido que arrastava o seu carrinho, com o sol se pondo em segundo plano. O sol tocava, provocando cores igualmente belas, a pele do homem, a areia e o mar. Quase com a obrigação de um trabalho, mais de cento e oitenta sábados fotografados depois, continuava ela. Obviamente, despertou a curiosidade - da mãe, do irmão e do padrasto, que reparavam as constantes saídas com as quais não podiam argumentar, dos amigos, que só podiam marcar os programas para depois do pôr do sol, e dos vendedores cativos dos comércios na orla, que reparavam na menina-da-maquina que não largava dali. Quando questionada o motivo daquilo, Luiza somente dizia “- É pra evitar as saudades.”. Saudades de que? “Ué, saudades de tudo. Desse tudo que consigo captar e guardar pra sempre no espaço de um clique.”. Mas não eram somente pessoas desimportantes, indignas de seu conhecimento mais profundo? Não eram tardes e mais tardes que se repetiam? “Cada tarde é diferente. Num sábado tem sol e céu limpo, já n’outro algumas nuvens aparecem e são perfuradas pelo sol, que é mais forte, deixando escapar alguns poucos raios. Em alguns, não se vê nada do sol, e o branco nublado se impõe, pesado, soberano. Mas gosto também quando o céu está cinza e chove, e a impressão que dá é que aqueles milhões de pingos de chuva sobre o mar é que estão enchendo ele.”. Tinha lá suas teorias, a Luiza. Não fazia questão que ninguém entendesse. Eram dela, só pra ela foram criadas. Para Luíza, uma vez que estamos fadados a ver o tempo passar sem termos nenhum poder efetivo sobre ele, aceitando a condição de que os momentos passam e jamais voltam, nos são descarada e irremediavelmente furtados, estamos fadados, por conseqüência, a sentir saudade. E sentir sem ter motivo especial, sem carecer de datas importantes ou ocasiões memoráveis. Cada tarde de sábado que passa é uma tarde da vida que foi, e a saudade que a garota sentia era justamente dessa vida. Do que fez, do que poderia ter feito. Saudade do que iria fazer também, pois viveria uma vez só, do jeito que era. Talvez Luiza criasse explicações sem sentido para cessar com as perguntas. Não se discute a saudade alheia, afinal.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;           Naquele segundo sábado de setembro, porém, sentiria, talvez, a culpa do quê culpado do deleite dos voyers. Tinha acabado de clicar uma cena de um bebê com não mais de dois anos, dentro de uma piscininha de plástico com desenhos de peixinhos – “Original”, ela ironizou para si – que gargalhava a gargalhada gostosa dos nenéns ao espirrar a água da piscininha para todos os lados, num movimento repetido de levantar e se jogar de volta, sob o olhar orgulhoso da mãe, que como toda mãe, sorri cheia de si com qualquer bobagem da cria. Luiza colocou a tampinha na lente e guardou a maquina na bolsa. Levantou-se do banco e encaminhou-se para o sinal de trânsito, para atravessá-lo e pegar o ônibus de volta para casa na outra pista. Absorta em pensamentos egoístas, Luiza olhou rapidamente e julgou que não vinha nenhum carro. Mas aquela tarde estava fadada a não ser mais uma para a coleção. Luiza via tudo, só não viu aquela moto. Tampouco ouviu a buzina. Depois dali, Luiza não ouviu mais nada. Colada em suas pálpebras, ainda estava o sorriso do neném, e provavelmente foi essa imagem que ela quis guardar quando, sem se enganar, sabia que fechava os olhos pela ultima vez. Luiza, que via tudo, já não podia mais ver nada. Não pôde ver a multidão de transeuntes curiosos que por ali se aglomeravam, nem o motoqueiro que tentava desesperadamente explicar para os bombeiros que a menina tinha atravessado o sinal aberto, nem seus pais, depois de tantos anos lado a lado, chegando na trágica cena. Talvez, se viva, Luiza quisesse fotografar aquela cena. Mas a cota de cliques tinha cessado para ela.   &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;          Coladas nas paredes do seu quarto, as dezenas e mais dezenas de comprovações do delicioso deleite, não mais culpado, não mais nada, da voyer. Naquelas fotos, porém, não se viam mais praianos, comerciantes, mar, sol, céu. Naquelas fotos, via-se Luiza, e a saudade que ela sentiu, e deixou. Seu olhar estava em cada registro, em cada segundo que ficou. Como são tolos os que acham que podem prender um momento sem que haja conseqüências! Nesse caso, a conseqüência foi a saudade. E a causa também. Saudade era o que havia para ser captado, e foi o que ficou para ser sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                               &lt;br /&gt;                                               E como eram belas as cores da saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-740059032424783651?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/740059032424783651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/740059032424783651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2009/03/eternamente-uma-tarde-de-sabado.html' title='Eternamente uma tarde de sábado.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7307625138325466321</id><published>2008-12-31T12:13:00.000-08:00</published><updated>2008-12-31T12:19:09.125-08:00</updated><title type='text'>Antes dos fogos de artifício...</title><content type='html'>O que eu mais gosto nessa entidade comercial chamada “festas de fim de ano” são as resoluções de ano novo. Como vegetariana, pouco aproveito da ceia de natal. Como maior de idade, não ganho mais presente do Papai Noel. E como recém-formada-desempregada, não tenho dinheiro para pagar uma super festa em algum hotel luxuoso. Sendo assim, as resoluções de ano novo são o que me restam.&lt;br /&gt;            Não sei se são os ares de mudança que toda virada de ano trás consigo, ou se é a parte otimista restante da minha personalidade que insiste em acreditar que o ano que vem será melhor do que o que passou, mas há algo revigorante em planejar mudanças positivas para os próximos meses quando, no fim das contas, não se pode realmente prever o que vai acontecer, somente esperar. E torcer. Dizem que essa imprevisibilidade é a beleza da vida. Vai saber...&lt;br /&gt;            Sou o tipo de pessoa supersticiosa. Afinal, sou alguém que tem uma pimenta tatuada no pulso para espantar mau-olhado. Logo, fiquei de olho em todas as dicas possíveis, desde as do Fantástico, passando por uma revistinha de astrologia que minha mãe comprou, e até as palavras aleatórias e pouco embasadas de amigos meus. Se me dizem que eu tenho que passar o ano com acessórios dourados, pois ano que vem será o ano do Sol, assim será. Não faço a menor idéia da diferença entre o ano do Sol e o ano da Lua, se é que ele existe, mas não cabe ao supersticioso entender, necessariamente. Ele só faz e acredita que dá certo. No ano do Sol, eu posso no mínimo ir muito à praia e tentar me conectar com ele. Não me conectar a nível de uma queimadura de terceiro grau ou uma insolação, mas conectar...não custa nada. E, obviamente, torcer para que o meu bolso também fique (bastante) mais dourado neste ano que chega. Também me disseram para usar azul, pois é a cor do meu signo. Sendo assim, pintei as unhas de azul. Todos os anos, loto a coitada da Iemanjá de pedidos e promessas. Dia desses, minha mãe sonhou com tudo verde. Ela costuma ter previsões boas, ou pelo menos eu gosto de acreditar que são previsões. De qualquer maneira, minha sandália é verde- claro, por via das dúvidas. Por via das dúvidas também, meu vestido será branco, uma vez que é a mistura de todas as cores (isso faz todo sentido do mundo), e na barra dele há listras de todas as cores: vermelho para paixão, azul para harmonia, verde para prosperidade e saúde, amarelo para dinheiro. Matei vários coelhos com uma cajadada só. O supersticioso de verdade peca pelo excesso.            &lt;br /&gt;Por ora, é isso. Fico por aqui desejando a todos um 2009 repleto de luz e possibilidades proveitosas. Saúde, dinheiro e a companhia daqueles que mais estimamos por perto. Que o mundo saia da crise econômica, que se acabem os conflitos na faixa de Gaza, que o Obama seja realmente tudo que esperamos que ele seja, que todos os terroristas e traficantes do mundo morram engasgados e, &lt;em&gt;last but not least&lt;/em&gt;, que o otimismo e as vibrações positivas que pairam sobre estes últimos dias do ano inspirem todo o ano que chega. Termino com um “tudo de bom”. É clichê, mas é de coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7307625138325466321?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7307625138325466321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7307625138325466321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/12/antes-dos-fogos-de-artifcio.html' title='Antes dos fogos de artifício...'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-2349298629836604038</id><published>2008-11-01T17:09:00.000-07:00</published><updated>2008-11-01T17:17:36.312-07:00</updated><title type='text'>Abstinência textual.</title><content type='html'>Faz tempo que não escrevo aqui. Faz tempo, inclusive, que não falo sobre o tempo, um de meus assuntos preferidos, por mais abstrato que possa ser. Este blog está sofrendo de uma abstinência braba, coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, mais por falta do tal tempo do que por falta de vontade de escrever. Para os leitores (há algum?), explico: estou virando gente grande, minha gente. Não, não me refiro a crescimento, pois minha altura é a mesma desde a oitava série. Também não vou casar e não estou grávida, isso está mais longe de mim do que a possibilidade de agarrar o Malvino Salvador. A grande questão é que estou me formando. Em dois meses, serei uma cineasta formada, olha que legal! Ahn...ok, eu repito para mim mesma que é legal, porque senão, depois de quatro anos, corto os pulsos. Aí tem aquela velha monografia que há tempos (olha ele aí de novo!) vinha atormentando a cabeça e, agora, mais presente do que nunca, tem tomado todo o meu tempo (ok, chega dele.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha defesa é nesse mês. Estou contando os dias e os minutos enquanto tento, com todos os artifícios possíveis, fazer com que meus dias tenham mais de vinte e quatro horas.&lt;br /&gt;Não é que eu esteja sem escrever. Escrever é tudo que eu tenho feito ultimamente. A diferença é a relevância do que está sendo escrito, e ainda não consegui concluir onde importa mais (ou menos) ... se aqui ou lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-2349298629836604038?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2349298629836604038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2349298629836604038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/11/abstinncia-textual.html' title='Abstinência textual.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-8925317870027137813</id><published>2008-08-01T16:13:00.000-07:00</published><updated>2008-08-01T16:40:05.997-07:00</updated><title type='text'>Bye bye, Joker.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Considerações breves sobre "Batman - The Dark Knight", em cartaz nos cinemas: tá bom, fãs de quadrinhos de plantão, até entendo o frenesi que vem causando. Porém, entendo no sentido de aceitar, e não de compreender. Batman é, pura e simplesmente, um filme feito para impressionar o grande público, se pautando em grandes performances e efeitos especiais ainda mais grandiosos; e, é claro, não podemos esquecer das atraentes vantagens que as salas super modernas de cinema hoje em dia oferecem. A tecnologia é tanta e tão bem feita que temos a impressão certa de que as explosões estão ocorrendo ao nosso lado e o Coringa está sussurrando nos nossos ouvidos um "why so serious?" de dar (muito) medo. Agora, experimente alugar o filme quando sair em DVD e vir na sua sala de estar um tanto mais modesta. Posso garantir que a impressão não será a mesma. Tudo bem, nada contra, mas não me diz muita coisa. É barulhento demais, longo demais, e o roteiro é, no fim das contas, superficial. Não seria capaz de segurar três horas se não fosse por presenças como Michael Cane e Heath Ledger. Mas ninguem vai assistir Batman esperando grandes lições de vida. Ou vai?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que, de fato, merece nossa atenção é o Heath Ledger. Colocando de lado todo clichê sentimental que nos expõe ao perigo de previamente achar o cara genial só porque morreu cedo e tragicamente, assisti-lo criar uma nova faceta para o Vilão-palhaço só me fez sentir uma angústia profunda pelos muitos anos que o Cinema perdeu de Heath Ledger, e pelos muitos projetos certamente brilhantes que ele ainda realizaria. Heath era um ator profundamente talentoso, versátil e esforçado, sem dúvidas um grande ator em potencial. É uma pena ter nos deixado tão cedo, tendo provado tão pouco, ainda que intensamente, do que ele era capaz de oferecer. Esses papos de que o Coringa matou o Heath Ledger, que o Nicholson avisou, essa ladainha de Oscar póstumo ... nada disso interessa; corre o risco, inclusive, de ser forçado demais. O que interessa, e importa, é que o Joker de Heath fez com que ele fechasse as cortinas em grande estilo, marcando para sempre as nossas mentes como muito mais e muito melhor do que um James Dean moderno, mas como a prova do que é capaz de realizar um ator inspirado quando mergulha profundamente em seu personagem, e principalmente, quando tem o verdadeiro - e valiosíssimo - dom de atuar. Já deixou eternas saudades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-8925317870027137813?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8925317870027137813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/8925317870027137813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/08/joker-miguxo.html' title='Bye bye, Joker.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-6773480050426487009</id><published>2008-07-18T21:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-18T21:29:05.616-07:00</updated><title type='text'>"Eu bem que avisei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu." (Chico Buarque)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Passo o tempo. Enquanto o tempo passa, passo eu. O tempo passa sem mim enquanto eu passo pelo tempo. Vejo o tempo passar e espero. E é a inútil espera que mata o tempo, este que continua a passar ainda que eu não passe por ele. O que é a espera, além de crepúsculos que se somam sem acontecimentos frente ao meu olhar de memórias? Pelo que a espera é constituída, se nem eu mesma sei o que quero que venha? Sei, pois, muito mais do que eu não quero, e assim, a espera vai se fazendo de negações medrosas, de estranhos receios do desconhecido que me espera ali, a segundos, na rosa que nasceu, na gente que sambou, no barco que partiu...em tudo que ainda não tive, vi, vivi. Ainda negando, e ainda que negue, espero. Espero esperando um dia esperar sem negar; esperar pelo perpétuo, pela promessa do imutável ideal. Mais ainda, espero um dia não mais ver passar o tempo esperando, mas passar junto com o tempo. Ver o tempo passar na janela e saber, finalmente, que não preciso mais esperar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-6773480050426487009?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/feeds/6773480050426487009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1983814398743245061&amp;postID=6773480050426487009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6773480050426487009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6773480050426487009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/07/eu-bem-que-avisei-ela-o-tempo-passou-na.html' title='&quot;Eu bem que avisei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.&quot; (Chico Buarque)'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7031433278134519409</id><published>2008-07-03T12:08:00.000-07:00</published><updated>2008-07-03T12:36:17.655-07:00</updated><title type='text'>Cada desgraça é um flash.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dessa vez eu tive uma desculpa para o meu sumiço. Não que ela tenha muita credibilidade, porque sempre rola aquele ar de picaretagem, mas dessa vez há uma verdade maior. Todos sabem que sou uma universitária, correto? E como toda universitária, sofro com finais de semestres. Esse foi especial, ou pelo menos, especialmente atarefado. Um dos trabalhos de uma matéria que estou fazendo era cobrir o Cine Sul, o festival de cinema híbero-americano que rolou durante as duas semanas passadas aqui no Rio de Janeiro. Posso confessar eu gostei? De início, tive aquela leve preguiça de ir até o centro da cidade só para assistir primores como documentários colombianos e mexicanos, mas no fim das contas, felizmente, me surpreendi. Não pela qualidade do que assisti, mas pelo fato de que, volta e meia, acredito que é importante mesmo, para mim, assistir ao que os caras tão fazendo lá fora e que não tem tanta repercussão aqui dentro. Temos, sim, mais similaridades com nossos hermanos do que pensamos. Porém, apesar de ter assistido muita coisa dos nossos vizinhos aqui da América Latina, talvez o filme que mais tenha me agradado tenha sido um brasileiríssimo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Abaixando a Máquina – Ética e Dor no Fotojornalismo Carioca” é um documentário brasileiro de 2007 que joga os holofotes em um assunto que, embora passe pelas vidas dos cidadãos que abrem os jornais todos os dias, raramente torna-se foco de questionamentos: a vida dos fotógrafos que vivem de fotografar as cenas mais grotescas da realidade carioca, como a guerra do tráfico, a fome, a pobreza, e até mesmo enterros de totais desconhecidos, que vêm a ser as vítimas dessas calamidades.&lt;br /&gt;Durante quatro meses, o diretor Guilhermo Planel e sua equipe entrevistaram um time de especialistas no assunto: os maiores fotógrafos dos maiores jornais do Rio de Janeiro, nomes como Alcyr Cavalcanti, Alaor Filho, Alex Ferro, Alexandre Brum, André Teixeira, Berg Silva, Carlo Wrede, Custódio Coimbra, Daniel Ramalho, Domingos Peixoto, Estefan Radovicz, Evandro Teixeira, Flávio Damm, Gabriel de Paiva, Ignácio Ferreira, Ivo Gonzalez, João Laet, Luis Alvarenga, Luis Morier, Marcelo Carnaval, Marcelo Franco, Marcia Folleto, Marcos Tristão, Michel Filho, Nilton Caludino, Orlando Abrunhosa, Patrícia Santos, Severino Silva, Uanderson Fernandes e Wilton Jr. Além de entrevista-los, a equipe acompanhou alguns deles em seus dias de trabalho, inclusive colocando-se no meio do fogo cruzado de um tiroteio entre traficantes e policiais, o que não só confere ao filme um caráter realista, mas promove uma sensação de tensão no espectador ao assistir as imagens confusas, misturadas aos sons de tiros e gritos, o que tira de tal situação o status da “realidade próxima” que não está tão próxima assim, uma vez que só participamos dela lendo os jornais, e nos insere dentro da mesma, causando um desconforto, e até um medo em relação ao que pode estar por vir.&lt;br /&gt;Fazendo jus ao gênero, “Abaixando a Câmera” se constitui de entrevistas e depoimentos, misturados às próprias fotos da dura realidade a qual o filme retrata. A luz utilizada é primordialmente natural, sem grandes efeitos, e as imagens do dia-a-dia dos fotógrafos são filmadas com a câmera na mão, sem preocupações estéticas mais elaboradas. O filme é eficaz quando se propõe a emocionar o espectador, ao colher depoimentos igualmente emocionados dos próprios fotógrafos e ao chamar atenção para o fato de que por trás das lentes da objetiva há um ser humano que também sofre e sente com as situações, e que precisa se dividir muitas vezes entre ajudar o fotografado vítima da crueldade, papel do cidadão de bem, e exercer seu trabalho e fotografar a crueldade, papel do jornalista. Os pré-julgamentos que porventura podem vir a surgir, como o argumento de que os jornais estão mais interessados em vender a realidade cruel do que ajudar a consertá-la também são postos em tela. Deixando os princípios capitalistas imutáveis de lado, os próprios profissionais fazem questão de deixar claro que o maior intuito individual de cada um deles (o que inclusive é, também, um impulso para eles continuarem fazendo o que fazem) é ajudar a mudar a realidade, uma ajuda que pode vir ou não a partir do momento em que estampa-se o absurdo que se passa em lugares como a Baixada Fluminense nas primeiras capas dos jornais, valendo-se menos do sensacionalismo e mais do sentimento de revolta. Infelizmente, porém, a população num geral está tão acostumada com tais manchetes que não mais se comovem, pelo menos não a nível de querer fazer algo, com elas. Uma vez que um documentário, por mais imparcial que se proponha a ser tem, como qualquer arte, um toque do seu realizador ao fundo e, por isso, jamais conseguirá ser totalmente imparcial, percebe-se que o filme apóia essa idéia de que os profissionais do fotojornalismo não vendem a crueldade, beneficiando-se dela, mas procuram, a seu modo, mudá-la, principalmente ao colher depoimentos também de psicanalistas, como uma doutora que afirma que “O obsceno está na realidade, não na foto.”.&lt;br /&gt;Assim, tomamos contato, senão pela primeira, por uma das primeiras vezes, com os seres humanos que existem por trás de cada foto. Seres humanos que deixam suas famílias todos os dias para enfrentar as piores e mais perigosas cenas, e o filme também apela para esse lado clichê e sentimental, ao retratar os fotógrafos com suas imagens de São Jorge no bolso e outros amuletos de proteção. Ainda assim, seres humanos que se arriscam como kamikazis em prol de um clique perfeito, mas que não deixam de se questionar. E as mesmas questões que eles possuem são as que “Abaixando a Câmera” nos deixa: Qual a capacidade que essas fotos possuem de nos comover? Será que a quantidade de sangue derramado e fotografado é diretamente proporcional ao choque no leitor? Qual é o limiar entre o exibicionismo e o “lucrar com a desgraça” alheia e a tarefa da exaustiva tentativa de alertar o povo, com a melhor das intenções? Afinal, qual é o momento de “abaixar a câmera”, ou seja, aquele momento em que todo e qualquer profissionalismo precisa sucumbir e dar espaço à ética, ao respeito e à cidadania. Pessoalmente, saí do cinema com essas e várias outras questões que até hoje não foram respondidas na minha cabeça, e realmente acredito que o filme se propôs menos a achar respostas e mais a implantar perguntas. O que é certo é que entendemos que a profissão do jornalista, uma vez que maneja a realidade ao escolher qual cena retratar, qual ângulo escolher, qual lente usar, ou seja, qual viés da informação passar para a sociedade num geral é tão importante que chega a ser perigosa. Por fim, a certeza com a qual saímos é a que um toque é igualmente crucial se dado em um botão de máquina fotográfica ou em um gatilho. As conseqüências é que, preferencialmente, serão distintas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ps: Os trabalhos de fim de semestre continuam. Não, ainda não estou de férias. Damn it.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7031433278134519409?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7031433278134519409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7031433278134519409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/07/cada-desgraa-um-flash.html' title='Cada desgraça é um flash.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7017892793991355471</id><published>2008-06-11T19:26:00.000-07:00</published><updated>2008-06-11T19:40:39.586-07:00</updated><title type='text'>O sexo, a cidade, e eu.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Costumo reclamar com freqüência que, desde que entrei na faculdade de Cinema, perdi o encanto com ele. Não consigo mais assistir a um filme sem pensar no posicionamento de câmera, no enredo, na atuação do ator, na direção de arte, nos efeitos óticos possivelmente usados. Em todos os aspectos técnicos que os profissionais - e aprendizes a tal - precisam dominar para que o grande público jamais perca o tal encanto. Aprendemos que o cinema chamado clássico-narrativo, que Hollywood nos acostumou a assistir e consumir, tem como grande trunfo e característica “esconder” suas artimanhas técnicas cinematográficas, ou seja, tornar invisível ao máximo que aquela cena específica só foi possível com o trabalho de dezenas de pessoas e uma infinita parafernalha por trás das câmeras. Não há câmeras nesse cinema, somente os nossos olhos, observando um mundo que não nos pertence, mas que nos envolve, como um &lt;em&gt;voyer&lt;/em&gt; ao espiar pelo buraco da fechadura. Ainda assim, em raras ocasiões, felizmente, consigo me sentir leiga. E isso acontece quando o estigma de quase-graduada dá espaço a uma personalidade mais avassaladora: a de fã incondicional. Foi assim que me senti hoje quando, sozinha, no meio da tarde, me acomodei em uma poltrona para assistir ao meu quarteto preferido de amigas, que eu não via há quatro anos, e que fiquei tão feliz ao descobrir que elas continuam, apesar das mudanças do tempo, essencialmente as mesmas. &lt;strong&gt;Porque é assim desde que eu assisti ao primeiro episódio de Sex and the City, ainda na televisão, e eu jamais poderia deixar de dedicar uma crônica à elas.&lt;/strong&gt; Para mim, era muito mais do que uma série, um simples entretenimento. Durante anos, assistir os questionamentos, conversas, sexos, casos, dilemas de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha era quase como uma terapia, e elas eram as analistas profissionais que eu não precisei pagar. Por meio delas eu aprendi não a entender os homens e os sentimentos, mas a aceitar que é impossível entender algo que escapa da lógica convencional e obedece às loucuras que somos capazes de sentir. Quando a série acabou, sem exagero, foi como se algo faltasse para mim. Aquele encontro semanal que não mais existia doía no meu cotidiano. Mas o filme compensou o tempo de espera, e a saudade que eu senti. E aqui digo com nenhum olhar crítico. Me rendi, hoje, aos encantos da ignorância. Fui como devota de Bradshaw, e assim permaneci durante quase duas horas e meia. Quatro anos depois, Miranda ainda mora no Brooklyn e é a mãe de um menino ruivinho, aquele que eu vi na barriga dela, aquele que eu vi estragar o Christian Louboutin da Carrie quando a bolsa estourou. Charlotte, ainda casada com Harry, também é mãe, mas de uma menina chinezinha linda que aprendeu a falar “sex” com a tia Samantha. Esta, sempre fabulosa, está morando em Hollywood com o Smith, e vive no avião para Nova York, visitar as amigas. Aliás, uma breve interrupção para mencionar Nova York: linda com o passar das estações, glamurosa e cheia de vida. E Carrie, três livros depois, está com ele .... ele que fez milhares de mulheres suspirarem por 6 anos, ele que, chorando, foi até Paris dizer “you’re the one” para ela, ele que só viemos a descobrir no final que se chama John, mas que para nós será sempre o Mr. Big. E um fabuloso desfile de marcas, roupas, bolsas, acessórios, muitos e muitos sapatos. Tudo infinitamente mais fabuloso, do jeito delas. Só no primeiro final de semana, Sex and the City, the movie, arrecadou 55 milhões de dólares só nos EUA. Méritos para o incrível merchandising, que não poupou um meio de divulgação. Porém, mais do que isso, encontra-se no segredo do sucesso da série o sucesso de bilheteria. Talvez o motivo maior, ou pelo menos o mais evidente, para mim, do fenômeno que Sex and the City foi, e continua sendo, se encontra no fato de que cada uma das personagens se enquadra perfeitamente na “girl next door”. Não são super modelos, super heroínas, estereótipos ilusórios com os quais a mulher comum jamais conseguiria se identificar. Sarah Jéssica está longe de ser um modelo de beleza. É miúda, magrela e nariguda. Ainda assim, conquistou nossos corações, pois vimos nela a sinceridade que faltava nas personagens femininas da TV, já que ela passava por tudo aquilo que nós passávamos, e ainda falava, pela primeira vez, abertamente sobre sexo e outros assuntos tabus. E tudo isso ainda está lá, com um toque a mais que a maturidade e o dinheiro trazem. Por essas e outras que foi tão bom revê-las, como se fossem velhas amigas, e saber que estão bem, estão lindas, e estão tocando suas vidas. Elas existem, eu sei, no mundo infindo da imaginação e do glamour. Sei também que não posso mais encontra-las semanalmente com casos novos a serem contados e revelados, mas para sempre elas terão, cada uma a seu jeito, marcado a juventude de uma garota que pode até estar longe de NY, dos Manolos e dos Cosmopolitans, mas que, como sua musa, sente a mesma emoção sem culpa com um novo par de sapatos, o mesmo deleite de ter amigas divertidas e ouvintes, e principalmente, a mesma infinidade de interrogações na cabeça ao se deparar com uma tela branca de notebook, a espera de ser preenchida com palavras e mais palavras que nada mais são do que questionamentos verdadeiros, e que, provavelmente, nunca serão respondidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7017892793991355471?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7017892793991355471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7017892793991355471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/06/o-sexo-cidade-e-eu.html' title='O sexo, a cidade, e eu.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-3363869559971921453</id><published>2008-05-12T19:21:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T19:31:23.277-07:00</updated><title type='text'>"Por ela esse amor infinito, o amor mais bonito..."</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No fim de semana que passou foi o tal do Dia das Mães. Segundo o Jornal da Globo, o segundo feriado mais rentável para o comércio do país, só perdendo para o Natal. Particularmente, acho uma besteira todos os feriados desse tipo. Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças...todos eles. Em primeiro lugar, por motivos óbvios: todos eles caem no segundo domingo de um determinado mês, o que amplia sua inutilidade, pois nem mesmo para matar aula eles servem (grande pensamento de uma universitária, hein?). E em segundo lugar, também óbvio, pelo clichê: não é justo existir somente um Dia das Mães. Para mim, todos os dias são dias Dela. Não sei quanto aos leitores, mas a minha mãe mereceria os 365 do ano só para ela. Dona Suzana é tão especial, mas tão especial, que até dois aniversários ela tem. Mais do que isso, ela é um exemplo vivo para mim de carinho e comprometimento incondicionais. É com uma dedicação tamanha que ela cuida de mim, do meu pai, da casa, da família, sem nunca cobrar nada. Me culpo por as vezes não entender suas reclamações, afinal, é tudo ela. Mas no fundo é ela quem quer que seja tudo ela, porque a verdade é que ninguém resolveria os pepinos tão bem quanto ela. É para ela que eu corro quando estou feliz com algum acontecimento, é no colo dela que eu choro quando estou triste, é nela que eu desconto minha raiva com coisas aleatórias no mundo, e vice versa, porque sabemos que, no fim, a gente sempre se perdoa. É para ela que eu conto meus medos, meus desejos, minhas aflições que revelam tanto de mim que eu não tenho coragem de revelar a mais ninguém, pois sei que só ela me ama o suficiente para entender. É para ela que eu dedico minhas vitórias e conquistas, porque se não fosse a força e o encorajamento que partem dela, nenhuma das belas coisas que consegui e consigo em minha vida teriam sido ou seriam possíveis. Estava eu assistindo televisão um dia desses quando passou um comercial com o Wagner Moura, de alguma loja que eu não me lembro agora, para a campanha do tal feriado. Nele, Moura dizia palavras muito certas em relação a &lt;strong&gt;mães&lt;/strong&gt;: elas carregam um peso absurdo na barriga durante nove meses, sentem enjôo e cólicas ... e estão felicíssimas por isso. Sentem chutes na barriga durante a gestação e dores horrendas na hora do parto, mas mal podem esperar para nos ver. Depois disso, quando nós, filhos, crescemos, roubamos o tempo delas, a atenção da família, o tempo do marido delas, damos dores de cabeça, preocupações, angústias ... e o amor que elas sentem por nós só faz crescer. Acho que só quando for mãe conseguirei entender essa plenitude que todos falam. E a verdade é que, quando eu mesma tiver meus rebentos, vou errar e acertar como ela e como todas as outras, mas vou almejar ser, pelo menos, metade da mãe que ela é para mim, sabendo que, assim,  já estarei fazendo um excelente trabalho. Por isso, MÃE, já que resolveram te dar um único dia, aproveito o mesmo para dizer que sei bem não sou uma pessoa perfeita, nem uma filha perfeita. Mas saiba que eu tento ser o melhor que eu posso, e dessa maneira, tentar te dar o máximo de orgulho possível. Porque você merece demais. Você, que sempre deu tanto e pediu tão pouco em troca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por mim eu te daria todos os dias do ano em sua homenagem. Como não é possível, te dou, humildemente, um texto neste meu inóspito blog. Não é muito, mas é de coração.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-3363869559971921453?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3363869559971921453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/3363869559971921453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/05/por-ela-esse-amor-infinito-o-amor-mais.html' title='&quot;Por ela esse amor infinito, o amor mais bonito...&quot;'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-1785319024433110164</id><published>2008-04-29T19:42:00.000-07:00</published><updated>2008-04-29T19:48:01.333-07:00</updated><title type='text'>(mais uma) Sobre o tempo (que foi.)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Me peguei hoje em um momento de saudosismo em relação à minha adolescência. Nostalgia braba. Talvez por ter passado ontem na frente do meu antigo colégio, no qual tive deliciosas e perturbadoras experiências no ensino médio, que me valeram um tanto. Fiquei pensando como era boa essa época de colégio. Como eu aprendi infinitamente mais do que o que os professores, em sua maioria queridos de verdade, escreviam no quadro negro e eu tinha que aprender, me interessando ou não. Como foi uma época importante para a formação concreta das bases do meu caráter e da minha personalidade de hoje, seja lá o que isso signifique. E, principalmente, como era bom ter como maior preocupação a prova bimestral ou a aprovação no fim do ano. Hoje me pego uma faculdade inteira depois dessa que parecia outra vida. Aquela menina de uniforme azul e cabelos ainda não loiros não é nem de longe quem eu sou hoje, mas era certamente o cerne disso. A origem de tudo. Não sei se isso é necessariamente melhor ou pior, porque não sei até que ponto a perda da inocência é, de fato, enriquecedora. É tão bom, de vez em quando, ser inocente e achar que o mundo é feito de pessoas boas, que o amor só rima com dor por acaso e que as nuvens são feitas de algodão doce. Não o são, mas a gente aprende a lidar. Naquela época eu achava que tinha que ter todas as respostas do mundo. Que tudo estava ao meu alcance, poderia e deveria ser respondido. Hoje, eu até gosto do fato de não ter praticamente resposta alguma, somente cada vez mais perguntas. Mais do que isso, já me conformei com o fato de que, infelizmente, nem tudo está ao meu alcance. Eu não posso tudo, eu não sei tudo. E, certamente, isso não vale só para mim. Por mais intensa que seja a nossa vontade, é simplesmente impossível que a vida seja exatamente da maneira que nós planejamos. Nem sempre conseguimos fazer quem amamos retribuir o nosso amor, salvar a vida de alguém querido, consertar o que fizemos de errado, por mais que isso nos doa. E aceitando isso, procuramos, tão somente, fazer o nosso melhor, e dormir um sono tranquilo à noite. Em minhas incansáveis andanças por esse mundinho, conhecendo e desconhecendo pessoas, aprendi algumas coisas; é bom saber e querer estar sempre aprendendo, acho que é esse um dos grandes baratos da vida. No fim, o que você leva de herança nada mais é do que bagagem pessoal, aquilo que você viveu, e o quanto você viveu daquilo. Assim, ouvi dizer que é possível, sim, crescer. Só ainda não conheci ninguém que tenha alcançado isso em sua forma mais plena. &lt;strong&gt;Crescer é amadurecer? Amadurecer é perder a inocência? Perder a inocência é deixar de acreditar na beleza daquilo que nos cerca?&lt;/strong&gt; Como dito, não sei as respostas para estas, e para mais tantas outras perguntas. No fundo, considero, sim, que eu cresci e tenho crescido, mas a tal menina do uniforme azul nunca saiu totalmente de dentro de mim. E, sinceramente, espero nunca perde-la de vez, em algum espaço ou tempo. Nesta época, nesses remotos tempos que parecem tão longe e inalcançáveis quanto uma eternidade, mas que ao mesmo tempo nunca estiveram tão próximos, essa menina leu um dos livros da sua vida: A Insustentável Leveza do Ser. Com ele, ela aprendeu a transformar o peso do fardo que cada um carregamos nas costas na leveza de uma pena. Há quem diga que ela se enganou, e vive se enganando. Mas, para quem trabalha com a fantasia, talvez isso não seja um problema tão grande. A única resposta que consegui obter por meio de mil e uma teorias concebidas no interior da minha mente irritantemente fértil é que o ato de crescer começa quando se aceita que não há ensaios na vida. Para a perfeição de acontecimentos temos a arte, que pode ser ensaiada e refeita até atingir o grau de excelêcia. Na vida real, no hoje, é matar ou morrer. É arriscar ou abdicar da experiência. É aceitar que não se é feliz o tempo todo, mas que se tem momentos de felicidade, enfim. E, então, é saber fazer desses breves, fugazes e desconcertantes momentos de felicidade, a plenitude da própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-1785319024433110164?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1785319024433110164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/1785319024433110164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/04/mais-uma-sobre-o-tempo-que-foi.html' title='(mais uma) Sobre o tempo (que foi.)'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5361872599413730138</id><published>2008-04-13T19:08:00.000-07:00</published><updated>2008-04-14T04:43:43.210-07:00</updated><title type='text'>Pensamentos breves sobre viagens, também breves.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Certa vez, o poeta disse “Navegar é preciso; viver não é preciso.”. Talvez nessa época navegar fosse o único meio de viajar, e o propósito de tal ato não fosse o mero lazer. Se algum poeta contemporâneo, tentando retomar Pessoa, escrevesse tais versos hoje em dia, é provável que algumas modificações fossem necessárias, afinal, ninguem mais navega hoje em dia, a não ser em esporádicas situações de cruzeiros ultra chiques. &lt;strong&gt;Eu, por exemplo, começaria com “Viajar é preciso.”. E é.&lt;/strong&gt; Há pouco tempo estive em Porto Alegre, pela primeira vez em muitos anos. Não lembrava de absolutamente nada da cidade, onde estive algumas vezes a trabalho quando criança, então era como um lugar totalmente novo pra mim. E o novo, de fato, assusta. Pega de surpresa as vezes, de supetão. E tudo era novo em Porto Alegre. Os lugares, as comidas, os cheiros, até mesmo as pessoas que, aqui, não eram tão novas. E é por isso que eu sempre digo: viajem muito, sempre que puderem. Pro interior do seu estado ou pra Coréia do Norte, de carro, de trem, de avião ou, como os tais antigos, de navio. Mas fuja da rotina, respire novos ares, prove novos sabores e temperos, conheça novos lugares, novas noites, novos espaços. Tenha uma paixão repentina e enlouqueça com ela, porque você sabe que, como as outras, ela também vai passar. É claro que, no meio do caminho, você vai encontrar percalços, vai tropeçar, vai se machucar e vai machucar os outros. Nem todos pensam igual, e isso é, então, inevitável. Se machucar alguém, peça desculpas e se redima, mesmo se achar que está certo, pois poderia ser você com o coração partido. Se de fato o é, extravase e diga o que pensa, na raiva ou na tristeza, para poder depois seguir em frente com a vida, porque o tempo não perdoa ninguém. Faça amigos nas viagens para que sempre sinta vontade de voltar, e tenha sempre uma casa pra te acolher em todo e qualquer rincão desse mundo, vasto mundo. Troque experiências e culturas. Converse muito, vire noites trocando idéia, essa é a maior bagagem que você pode ter. Fotografe, filme...grave seus momentos especiais. Eles jamais voltarão, mas é possível revive-los um pouco por meio das memórias registradas. Nunca deixe para dizer amanhã o que se passa pela sua cabeça hoje, para alguém específico ou para o mundo, pois talvez amanhã essa pessoa não esteja mais aqui, e o mundo não queira te ouvir. Se tiver tido paciência para ler essa baboseira impensada até o fim, aqui vai um ultimo conselho: não planeje demais as suas viagens, apenas o suficiente para não passar perrengues e dificuldades. Vez ou outra, pegue o carro e saia dirigindo, ou compre uma passagem de avião por impulso, e deixe que a vida se encarregará de te apresentar as surpresas. Nem sempre você vai gostar delas, mas esteja certo de que, no final, era o melhor pra você. Não costumo repetir o que digo, e só o faço quando acho deveras importante. Por isso, digo novamente, desta vez: Viaje sempre, sempre que puder. E não se esqueça, principalmente, que a vida é esse emaranhado confuso de coisas que acontecem enquanto você acha que está muito ocupado planejando ela. No fim você descobrirá, ainda, que não há nada como voltar pra casa. Acredito que vivi POA o máximo que me foi possível, e foi boa a descoberta desse "novo novo", mas nada se compara a ver da pequena janelinha do avião a minha cidade toda iluminada à noite, tão linda. Nesse momento eu só pensava que ali estavam os lugares, as pessoas, os sabores, os cheiros, tudo que me era mais familiar, e é importante voltar pra casa, também. Não sei de muito, mas disso eu sei. Viajar é preciso sim, poeta. Mas viver...Viver também é preciso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5361872599413730138?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5361872599413730138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5361872599413730138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/04/pensamentos-breves-sobre-viagens-tambm.html' title='Pensamentos breves sobre viagens, também breves.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-6612421713546507584</id><published>2008-03-18T20:03:00.000-07:00</published><updated>2008-03-18T20:08:31.474-07:00</updated><title type='text'>The show's over, folks .... (or not.)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Somos a nação mais hipócrita do mundo quando o assunto é sexo. Em matéria de sexo, nos comportamos como brasileiros e falamos como vaticanos. Não estou ofendendo, estou?”. O comentário anterior saiu da boca de Alan Dershowitz, professor de Direito de Harvard, diante do Escândalo Spitzer. Dois comentários. O primeiro: relaxa, Alan ... é claro que você não está ofendendo. Mais hipócrita do que você diz que os americanos são, seríamos nós, brasileiros, que achamos super normais aquelas bundas de fora cheias de purpurina rebolando em frente às câmeras no carnaval, se ficássemos ofendidos com o seu comentário. O segundo: qual é o escândalo do Escândalo Spitzer? &lt;strong&gt;Alguém ainda se assusta com escândalos sexuais, na política ou em qualquer outra esfera? Ou essa indignação toda é, sozinha, a maior hipocrisia sexual?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Talvez meus olhos de brasileira, e ainda mais, de carioca, estejam (mal) acostumados a ver tanta nudez despropositada o tempo todo. Acho já tudo muito normal. E não me tomem como falsa moralista, tenho nojo eterno de falsos moralistas, por isso que estou me deleitando com esse bafafá do governador de Nova York e, ao mesmo tempo, não consigo compreender o cerne da estória. Cada vez que um político é flagrado em uma situação, digamos, pouco aceita e/ou aceitável no que diz respeito a conduta moral, principalmente sexual, as pessoas arregalam os olhos e, surpresas e chocadas (?), esbravejam que não conseguem acreditar. Não conseguem acreditar em que? Desde quando a política é um santuário de homens e mulheres bentos, perfeitos, sem falhas, sem perversões, sem taras? A política ainda é feita de seres humanos, ou eu estou totalmente por fora? E não me entendam mal, não estou defendendo o Spitzer, nem Renan Calheiros, nem o Clinton, nem nenhum dos outros milhares de senhores respeitáveis, representantes do povo (tal designação nunca foi tão coerente) nos Governos. Estou simplesmente me questionando qual é a grande surpresa. Podem me dizer que tal reação ocorreu dado o passado político do Spitzer, como um dos maiores defensores da ética americana, procurador-geral do estado durante anos, que, inclusive, ajudou a estourar uma rede de prostituição e a endurecer a lei que punia cidadãos que procurassem prostitutas. Pelo que fiquei sabendo, Spitzer construiu durante anos uma imagem de puritano, bem casado, que zelava pela ética e pela lei acima de qualquer coisa. Sério, é por isso que as pessoas se assustaram? Porque essas causas de assombro para  a maioria são, pra mim, os motivos primeiros para eu desconfiar. Das duas uma: ou é ingenuidade ou hipocrisia. Não creio na primeira, porque já estamos calejados o suficiente, e ninguém pode ser tão ingênuo a ponto de acreditar que existam seres humanos perfeita e moralmente intocáveis assim. Todo mundo, e enfatizo, todo mundo mesmo, tem poeira embaixo do próprio tapete. Simplesmente porque somos todos seres humanos constituídos de, como já diria o título desse blog, neuroses e desejos. E por mais que se defenda a ética e os bons costumes, todos são passíveis de erro. Ouso dizer, ainda, que aqueles que defendem, principalmente publicamente, a moral e a lei são ainda mais passíveis do tal erro, porque reprimem demais aquilo que sentem. Bato o pé no chão e insisto que é tudo um bando de hipócrita. Particularmente, sigo no meu credo de que não ponho minha mão no fogo por absolutamente ninguém. Quando se espera demais de algo ou alguém, frequentemente o fim é a decepção. Já foi dito que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, e eu digo mais: sem hipocrisias, sem falsos-moralismos, sem querer vender imagens de puritanos porque isso não cola...cada um sabe a dor e a delícia, os riscos e os prazeres, de querer o que se quer, ainda que, e talvez especialmente, diante de olhos públicos atentos e ansiosos por mais julgamentos superficiais...e cheios de segundas intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Spitzer renunciou ao cargo, e o novo governador de Nova York, David Peterson, é praticamente cego. Ele não enxerga absolutamente nada com o olho esquerdo e tem apenas 5% da visão no olho direito. Até aí tudo bem, se não fosse o fato de que ele não lê em braile e nem usa bengala para se guiar. É sério, só rindo. Os vizinhos lá de cima se superam a cada dia que passa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-6612421713546507584?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6612421713546507584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/6612421713546507584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/03/shows-over-folks-or-not.html' title='The show&apos;s over, folks .... (or not.)'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-136478555528927074</id><published>2008-03-16T18:17:00.000-07:00</published><updated>2008-03-16T18:23:01.738-07:00</updated><title type='text'>Promessa de vida no meu coração.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As águas de março chegaram para fechar mais um verão da Cidade Maravilhosa. Neste fim de semana, uma chuvinha ininterrupta caiu sobre a cidade, fazendo os cariocas guardarem as roupas de praia na gaveta e, pela primeira vez em um bom tempo, tirarem os casacos do armário. Mais um verão se foi, como outros 21 verões em minha vida, &lt;strong&gt;e eu me questiono o que mais essa estação levou de mim além de mais um pedaço dessa juventude que cisma em persistir.&lt;/strong&gt; Não consigo pensar em nada de significativo o suficiente que tenha ficado no passado junto ao sol e ao sal, apenas o novo que a nova estação tem me trazido. Entra ano e sai ano e a rotina nunca é a mesma, e nem poderia ser. Por mais que freqüentemos os mesmos lugares, façamos as mesmas atividades todos os dias, tudo muda...tudo mesmo. As pessoas que passam por nós nas ruas não são as mesmas, as cenas que vemos pelas janelas dos ônibus e carros são novas a cada dia, e há sempre personagens entrando e saindo de nossas vidas. Uma estação nova chegou trazendo a velha-nova rotina não só para mim, mas para todos que me cercam. Pelo menos é o que tenho observado nessa minha incontrolável mania de achar que consigo estudar pessoas por meio de suas atitudes, gestos, atos, olhares. O emprego e o chefe chato estão sempre lá, mas a cada dia há uma situação nova com as quais temos que lidar, o que nem sempre é fácil, mas a gente vai levando. A busca pelo amor de nossas vidas, se é que há mesmo um só (ou, mais ainda, pelo menos um) amor em nossas vidas se repete e não pára, sempre com um novo personagem, uma nova dramatização e, é claro, um novo drama. Os dias, as noites, os momentos, todos eles vão passando e são sempre novidade no nosso bom e velho dia-a-dia. Se aceitamos que as estações passam, se aceitamos guardar as lembranças do verão no conforto das fotos de nossas máquinas digitais, se aceitamos trocar as roupas leves pelas pesadas que o frio pede, por que muitas vezes relutamos em aceitar o que mais passa em nossas vidas? Talvez porque não percebamos que, como as estações, é preciso que tudo passe para que haja renovação, mas ao mesmo tempo, que nada passa em definitivo. Ficam mais do que os sorrisos e bronzeados das fotos. Ficam mais do que as lembranças das boas farras de verão. Ficam mais do que o emprego, o chefe chato, mais um amor que nos deixou. Ficam as lembranças eternas, e o impacto que as causas delas tiveram sobre nós. Porque a verdade é que somos, sim, um somatório de tudo aquilo que vivemos, conhecemos, vemos, experimentamos, amamos, deixamos para trás. E em uma cidade como o Rio de Janeiro, o verão é muito mais do que um pedaço do ano. Daqui a pouco a chuva e o frio percebem que aqui não é o lugar que mais combina com eles, e o sol reaparece em pleno outono carioca, voltando a conferir cor e energia à cidade. E assim vamos levando, porque o que nos conforta é saber que o clichê não só existe como é real: não importa o que passe e o que fique, aquilo e aqueles que amamos jamais passarão por completo. Eles ficarão, eternos, nas lembranças, nas marcas na pele, nas conversas, nas fotos e, se tivermos um pouquinho de sorte, dentro dos nossos corações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-136478555528927074?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/136478555528927074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/136478555528927074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/03/promessa-de-vida-no-meu-corao.html' title='Promessa de vida no meu coração.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-942648106182999430</id><published>2008-03-11T17:24:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T17:26:17.889-07:00</updated><title type='text'>BASTA.   ( texto publicado no livro da UNESCO, "Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade")</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Basta andar pelo centro de alguma grande cidade brasileira. Basta ter olhos para ver. A desigualdade e a pobreza estão por todos os lados, estampadas em cada esquina, em cada favela, em cada mansão. Essas chagas que corroem cada vez mais intensamente a integridade do Brasil já viraram até rotina. São evidenciadas nas páginas de jornais quase que diariamente e fazem parte do cenário das ruas país afora. Por terem se tornado rotina, as propostas para acabar com elas já viraram clichê, já são lugar comum. Por isso, fugir do óbvio é difícil. Cair na repetição e vender a idéia de que a educação é a solução pra tudo se torna extremamente atrativo, uma vez que, ao analisarmos mais profundamente o problema, vemos que as vertentes e causas desses males são inúmeras e complexas. Ainda assim, é necessário faze-lo, pois são nelas que pode residir a real solução.&lt;br /&gt;Tão grave quanto a existência dos problemas é ignora-los. A resolução destes está nas mãos daqueles que teimam em fingir que, ao cercar-se de grades em seus condomínios e artefatos de segurança, eles deixam de existir. Se não vemos o menino de rua, ele deixa de estar no sinal vendendo bala. Isso porque são as classes mais altas que possuem a educação e formação necessárias para tomar decisões, decidir o rumo do país. Porém, talvez por comodismo, não o fazem. A pobreza de bens materiais, de comida, existe em muito por causa da pobreza de altruísmo e solidariedade existente no Brasil. Somente em raras ocasiões, como no natal,o espírito de caridade floresce e os olhos se abrem para enxergar aquele que não tem nada, e é confortável enganar-se, achando que dar um prato de comida e um agasalho resolvem a situação.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, é comum a restrição do assunto desigualdade como se somente a sócio-economica existisse. Esta é, sim, mais evidente, já que temos constantemente contato com os índices discrepantes de distribuição de renda no Brasil, e com ela já fazendo parte do nosso cenário. O que não se percebe, porém, é que esta se dá, em muito, pela desigualdade de oportunidades. Se houvesse uma melhoria na educação pública de base, haveria uma igualdade maior na entrada para o ensino superior e conseqüente obtenção do diploma, requisito quase que fundamental hoje para a entrada no mercado de trabalho. Dessa forma, a disputa seria mais justa, com igualdade de oportunidades, e a desigualdade social deixaria de ser quase que uma marca de nascença para tantos.&lt;br /&gt;Dessa forma, fica claro perceber que o vértice que estamos acostumados a lidar sobre os problemas abordados é somente a ponta do iceberg. É certo que a pobreza faz o estômago e o coração doerem, mas é o olhar pobre para com o próximo que piora a situação. Ao mesmo tempo, a desigualdade social é injusta mas não existe nem mesmo uma igualdade de oportunidades para haver justiça. Exterminar de vez tais doenças é utópico, uma vez que vivemos em um sistema que exige a existência da desigualdade para sobreviver. Podemos, sim, ameniza-las. Precisamos parar de insistir do clichê de que “o que os olhos não vêem o coração não sente.” Não só sente, como grita. Basta da solidariedade temporal. Basta da educação de base precária que limita a igualdade de oportunidades. Basta de venda nos olhos e elitismo. Basta, somente. E definitivamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-942648106182999430?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/942648106182999430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/942648106182999430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/03/basta-texto-publicado-no-livro-da.html' title='BASTA.   ( texto publicado no livro da UNESCO, &quot;Como Vencer a Pobreza e a Desigualdade&quot;)'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-2533704971705794973</id><published>2008-02-29T11:09:00.000-08:00</published><updated>2008-02-29T11:25:11.201-08:00</updated><title type='text'>País das Maravilhas logo ali, virando a esquina.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Dizem que a felicidade é como uma borboleta. Quanto mais você tenta persegui-la, mais ela foge de você. Até que um dia, sem que você espere ou perceba, ela pousa no seu ombro. Idéia perigosa essa, uma vez que o comodismo é muito mais atrativo do que a dolorosa e persistente luta para se conseguir o que quer que seja. Gostaria demais de repousar no pensamento de que eu posso, sim, ficar simplesmente deitada na minha caminha que, quando eu menos esperar, aquilo tudo que eu almejo virá ao meu encontro. Vou mais além: em tempos nos quais &lt;em&gt;"O Segredo"&lt;/em&gt; é best seller e a lei da atração virou &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt;, tudo isso me ensina que basta eu mandar pensamentos positivos que logo logo as coisas melhoram, certo? &lt;strong&gt;Em matéria de lutar para o que se quer na vida, basta mesmo só querer?&lt;/strong&gt; O bom senso dirá que não, que você precisa lutar para o que você deseja, sendo que ninguém diz que diabos de luta é essa e que armas você precisa para poder ter ao menos a mais remota chance de vencê-la. Em quem eu acredito, na Lei da Atração ou no bom senso? Talvez o melhor caminho seja não se agarrar a nenhuma dessas crenças ou idéias pré-concebidas. Entendo que a Lei da Atração seja provada fisicamente, e não vou discutir com isso, mas tirando ela, todo o resto, para mim, não passa de um bando de filosofias baratas e superficiais. Particularmente, vou levando. Vou tentando viver a minha vida, alcançar os meus objetivos, sem me esquecer jamais do fato que a vida é, no final das contas, aquilo que está acontecendo enquanto tentamos montar o nosso futuro. Já foi dito que "é melhor ser alegre que ser triste", e nessa corrente, é melhor ser otimista e mandar pensamentos positivos pro Universo do que ser uma pessoa pessimista, rancorosa e chata. E ainda que a felicidade, a liberdade, os objetivos, o emprego dos sonhos, o amor da sua vida, os dias melhores sejam as vezes tão fugazes quanto o coelho branco, ainda que para tê-los tenhamos que passar por lugares e pessoas inexplicáveis, continuamos caminhando à procura do nosso próprio País das Maravilhas. Feito por nós. Sem coelhos brancos, gatos roxos ou Rainhas de Copas. No fim, pode ser tudo um sonho....Por hora, tento somente afastar a velha e cada vez mais conhecida voz do coelho, que insiste em repetir: "- É tarde, é tarde, é tarde ...".&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-2533704971705794973?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2533704971705794973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/2533704971705794973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/02/pas-das-maravilhas-logo-ali-virando.html' title='País das Maravilhas logo ali, virando a esquina.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-7500362774646694239</id><published>2008-02-19T20:48:00.000-08:00</published><updated>2008-02-19T20:58:42.418-08:00</updated><title type='text'>Tem vela demais nesse bolo.</title><content type='html'>Ontem eu me peguei pensando que eu já gostei mais de fazer aniversários. Houve um tempo em que eu até mesmo esperava, ansiosamente, esse dia chegar, como quando eu tinha 17 anos e ansiava pelo dia em que me tornaria maior de idade, só pra descobrir, no dia seguinte, que nada mudava tão efetivamente assim. Com a maturidade (?) as ilusões vão gradativamente escorregando ladeira abaixo, e em um mundo de conceitos e valores tão deturpados, no qual se tornar mais velho virou sinônimo de decadência, e não de sabedoria, &lt;strong&gt;eu parei pra me perguntar qual era a graça, nos tempos modernos, de se celebrar o fato de não ser mais tão moderno assim.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Levanto as mãos para os Céus sempre que acontecimentos surgem pra virar de cabeça pra baixo meus pré-conceitos, me mostrar como eu estava prematuramente equivocada. Hoje, meu tão grande dia, foi um deles. E não foram necessários um acerto na loteria, uma paixão fulminante ou um Prêmio Nobel pra que ele fosse especial – e renovador. Bastaram um mergulho no mar pra inicia-lo, família pra preenchê-lo e uma bela lua pra finaliza-lo.&lt;br /&gt;Dizem que para quem acorda cedo o dia rende mais, mas acordar cedo hoje me rendeu mais do que uma prova de eu consigo fazê-lo apesar de todas as evidências, mas também um mar que parecia ter sido feito de presente pra mim. Lindo de ver e de sentir. Assim como a lua, cheia e imensa, que coroou o céu e a noite, fechando o &lt;em&gt;b-day&lt;/em&gt; com a luz e o brilho que eu sempre procuro, todos os dias do ano. E no meio disso tudo, dos presentes que estão acima dos prazeres mercadológicos e comerciáveis, tão naturais e inocentes quanto o sorriso da minha afilhadinha de nem dois anos de idade ... no meio disso tudo veio a família. Primeiro a de sangue, pela qual eu sou tão grata de ter caído de cabeça no meio dela. Se eu pudesse escolher, ainda escolheria eles. Família que é família tem todos os problemas do mundo, mas me basta olhar para Guilherme e Giovanna, meus sobrinhos de 3 e 1 ano, respectivamente, que eu entendo tudo. Tudo mesmo. Depois dessa, a família que eu escolhi. Porque já é clichê dizer que os amigos são a família que você pode escolher, mas se o conceito de família é amar algumas pessoas incondicionalmente, apesar de todos os seus defeitos, o clichê é, mais uma vez, eficaz. Porque os meus amigos são tão lindos que só de ficar olhando eles conversarem me dá vontade de chorar. Me aperta o coração o medo de perdê-los ao mesmo tempo que me conforta saber que, mesmo que eu os perca, os momentos que eu vivo e vivi com eles jamais se perderão. Na minha memória de espaço infinito eles estarão sempre lá. E eles também não precisam fazer muita coisa. A simples existência deles me basta.&lt;br /&gt;Discursos apaixonados à parte, eu só tenho a agradecer por cada momento do meu dia. No fim dele, me peguei olhando os últimos segundos passarem no relógio até virar para o dia seguinte. E, ainda assim, não conseguia tirar os olhos da(quela) lua. Tão cheia quanto meu dia, tão brilhante quanto as minhas famílias, tão distante quanto os sonhos dessa velha de 21 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-7500362774646694239?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7500362774646694239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/7500362774646694239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/02/tem-vela-demais-nesse-bolo.html' title='Tem vela demais nesse bolo.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5030750174177327096</id><published>2008-02-14T19:53:00.000-08:00</published><updated>2008-02-14T19:59:51.770-08:00</updated><title type='text'>Sobre o mar e o orgulho.</title><content type='html'>Quem me conhece sabe que morrer de amores não é exatamente o sentimento que eu tenho pelo Rio. Mas se há algo que eu realmente admiro nesta cidade é a capacidade que ela tem de abrigar, pra todos os gostos, a possibilidade de se abstrair dos problemas diários. Dar um mergulho no mar no meio do dia, tomar um chopp com os amigos no fim dele, pegar um cinema no meio da semana. Okay, talvez essa seja uma característica de qualquer cidade grande e cheia, mas fato é que, no Rio, um lugar que, para onde quer que você olhe é um cartão postal, essas escapadas se tornam mais (sensorialmente) agradáveis. O problema é quando se chega em casa e o que está te aguardando é a tal da realidade que insiste em jogar na sua cara que a sua vida não é feita de água de côco e Pão de Açúcar. Há certas coisas que nem o pôr do sol no Arpoador consegue esconder ou curar (e acreditem em mim, quem já viu sabe do que eu estou falando.).&lt;br /&gt;O verão desse ano no Rio não tem sido particular somente pela aparição esporádica e festejada do sol no céu, como se ele tivesse cansado do clichê de proporcionar sempre dias lindos e resolveu dar uma descansada nessa estação. Ele tem sido ímpar também, pelo menos na minha vida, pela quantidade de rompimentos em relacionamentos que eu tenho presenciado. Ultimamente, uma das coisas que eu mais tenho feito tem sido brincar de psicóloga com os meus amigos recém praticantes da dor de cotovelo, cuspindo regras e conceitos como se eu tivesse alguma noção do assunto. Acima de tudo, tenho tentado entender como acontecem as mudanças radicais na personalidade de uma pessoa marcadas pelo momento do “não está dando mais.”. O que antes era eterno, virou passado enterrado. E é nesse momento que surge, ou ressurge, nunca se sabe, aquela característica que provavelmente está intrínseca em todo ser humano, mas que vem à tona principalmente em momentos como esse: o tal o orgulho.&lt;br /&gt;Nessa noite, eu me peguei pensando sobre o orgulho. Todas as pessoas são, em diferentes níveis, orgulhosas? O nível do orgulho é diretamente proporcional à quantidade de feridas que uma pessoa acumulou durante a vida? Ser minimamente orgulhoso é necessário? &lt;strong&gt;Em matéria de relacionamentos, em que momento o excesso de orgulho se confunde com a arrogância, e a escassez dele, com a humilhação?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um amigo meu certa vez me disse que, se um dia ele passasse por cima do seu orgulho por uma mulher seria uma tremenda declaração de amor, como se esse ato fosse quase um crime e o orgulho fosse uma característica positiva que ele não ousaria largar de mão, como ser bom caráter, por exemplo. Para ele, como para muitos outros homens, o orgulho é ao mesmo tempo um refúgio dentro deles e uma capa que eles usam para evitar que algo, ou alguém, ensaie revelar para o mundo inteiro essa "fraqueza" deles. Me pergunto o quanto uma pessoa perde ao ser orgulhosa em excesso. O tanto de coisas que ela poderia fazer ou dizer a alguém se não fosse o medo de se revelar. Eu sei que, em muitos momentos, uma pitada de orgulho é sinônimo de amor próprio, e demonstrar o que se sente não quer dizer se humilhar para quem não merece. O grande desafio, talvez, seja encarar o orgulho como se fosse uma alavanca vermelha, e se soubesse exatamente a hora de aciona-la, ou não. Afinal, a certeza que se tem ao jogar os dados pra saber no que vai dar é que, inevitavelmente, vai dar alguma coisa. Se nos fecharmos sempre dentro de nós mesmos, se deixarmos o orgulho exacerbado criar raízes e tomar força em nós, talvez nunca iremos experimentar emoções diferentes, nunca teremos desilusões para com as quais aprender a viver e, acima de tudo, estaremos nos privando da possibilidade de surpresas muito boas, reviravoltas prazerosas acontecerem. Seria mais fácil se essa tal dessa alavanca vermelha estivesse a venda em lojas, do lado dos livros de auto-ajuda. Eu certamente compraria umas quinze delas, só pra ter em estoque. Mas convenhamos, eu já vivo em um lugar no qual eu posso, a qualquer momento, correr pra orla, sentar em um banquinho de praia e não pagar para ficar quantos momentos eu quiser olhando um infinito de beleza que é esse mar-azul-perolado da minha cidade, até me perder – e perder – os pensamentos. Facilidade demais enjoa. Sinceramente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5030750174177327096?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5030750174177327096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5030750174177327096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/02/quem-me-conhece-sabe-que-morrer-de.html' title='Sobre o mar e o orgulho.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1983814398743245061.post-5612166544880426515</id><published>2008-02-13T19:03:00.000-08:00</published><updated>2008-02-13T19:06:29.820-08:00</updated><title type='text'>Pêra, uva, maçã ... aham, salada mista.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;          Horóscopo do dia para os aquarianos: “Tendência a abandonar um pouco deveres e responsabilidades, tipo deixar tudo o que for difícil para depois. Esse é o modo mais seguro para aumentar problemas no futuro. Chatice é para se despachar logo. Para que segurar um estorvo um minuto a mais do que o necessário?”&lt;br /&gt;         Como boa aquariana, li o horóscopo somente no fim do dia, feliz em não acreditar em nenhuma palavra sequer. Principalmente porque tenho quase certeza que li essa mesma previsão para os nativos de câncer no mês passado. São sombrios os mistérios que envolvem horóscopos de jornais...&lt;br /&gt;         “(...)tipo deixar tudo o que for difícil para depois”. Escrever é difícil, e eu tenho deixado para depois há tempos. Fato. É difícil demais. Ainda mais com todo o peso e responsabilidade de um primeiro post em um blog que, francamente, não se espera a presença de mais de uma dúzia de pessoas. E isso porque eu estou sendo otimista. Por que eu insisto em pensar que tenho um grande trabalho pela frente, então?&lt;br /&gt;          Bom, todo mundo sabe que Freud era meio tarado. Ok, que me perdoem os seus seguidores fervorosos, mas o cara era um tanto quanto transtornado. Tudo ele tinha que relacionar, de uma forma ou de outra, a sexo e desejo. Pelas pessoas, pela mãe, pelo pai, pelo cachorro do vizinho (ou pela cachorra da vizinha – em ambos os sentidos). Certa vez, em um dos seus estudos, falou que há duas forças instintivas opostas: a sexual (erótica ou fisicamente gratificante),e a agressiva ou destruidora, e que essas duas forças são as mantenedoras da vida, ou incitadoras da morte. Mais tarde, descobriu que elas atuam juntas.&lt;br /&gt;           Mas por que esse bla bla bla de Freud? Porque o cara podia ser um pervertido, mas tinha razão. Há tempos venho querendo buscar inspirações nos recônditos mais sugestivos e inabitáveis da minha mente perturbada pra postar algo aqui. Porque escrever ainda é a saída que eu encontro pra tantos males, tantas perturbações. Escrevo até sobre o não escrever. Sobre a falta que me faz. Sobre a inspiração, ou a nulidade dela. Escrevo tanto que me vicio. E a abstinência me faz sofrer. Sou a prova viva de que as forças instintivas de Freud atuam juntas. Escrever, pra mim, pode até não chegar ao ponto de ser uma atividade orgásmica, mas é fisicamente gratificante, pois exercito o cérebro, a mente, e o ego (por que não, fisicamente, o ego?). Acima de tudo, tento colocar pra fora, em poucas ou muitas palavras, a tradução do que eu sinto nos mesmos recônditos lá de cima, por mais brega que isso possa soar. Ao mesmo tempo é uma força destruidora na minha vida, pois me apoio no que disse Truman Capote: “Eu me divertia muito escrevendo. Parei de me divertir quando descobri a diferença entre escrever mal e escrever bem. Depois, fiz uma descoberta ainda mais importante: a diferença entre escrever bem e a verdadeira arte. Foi brutal”. Ele conseguia fazer arte, e a arte dele é atemporal. Hoje em dia, o conceito de arte é um tanto confuso, mas nem vou começar a falar sobre isso aqui, agora. Já falei sobre horóscopo, sobre Freud, sobre Capote ... e começo a ter a impressão de que não faço idéia do que eu esteja falando. Mas em matéria de qualificar ou explicar sentimentos, alguém faz idéia?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1983814398743245061-5612166544880426515?l=duaspalavrasemeia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5612166544880426515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1983814398743245061/posts/default/5612166544880426515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://duaspalavrasemeia.blogspot.com/2008/02/pra-uva-ma-aham-salada-mista.html' title='Pêra, uva, maçã ... aham, salada mista.'/><author><name>Carolina Pavanelli</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_LO6L77_w3EM/S_PpCS8CBtI/AAAAAAAAAPM/1ZSt6YKUKwc/S220/SDC13612.JPG'/></author></entry></feed>
